A ERVA DO DIABO DE CARLOS CASTAÑEDA - DATURA-LÍRIO BRANCO-TROMBETEIRA

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Datura – Lírio Branco – Trombeteira

A erva do Diabo de Carlos Castañeda

A mais conhecida é a Datura Stramonium. No Brasil é conhecida como Trombeteira, Lírio. No Perú é também conhecida como Floripôndio ou Tóe.

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É utilizada desde a antiguidade, citada até na obra de Homero “Odisséia” . Conta que Ulisses chegou à ilha habitada pela ninfa Circe, esta deu de beber à tripulação uma poção, para que os marujos pudessem esquecer de sua terra natal.
Na Idade Média, a Datura compunha várias poções e ungüentos de feiticeiras. Conta-se que a pasta de Datura,que as bruxas medievais aplicavam um unguento de Datura em várias partes do corpo, incluindo a genitália e o ânus, para produzir a sensação de estarem voando em suas vassouras.
Lu Gomes e Roberto Navarro (Planeta) descrevem que a imagem da bruxa voando na vassoura é considerada o estereótipo de um tipo específico de feiticeira medieval que se utilizava principalmente da Datura Stramonium. Talvez por isso a planta tenha sido apelidada de “erva do demônio" e cizania.
A datura também era usada por motivos religiosos pelos índios que habitavam o sudoeste dos EUA e México antes da chegada do colonizador branco.
Segundo Sangiradi Jr. …"planta sagrada dos Zunis, índios da cultura pueblo", o estramônio (a’neglakya) pertence aos sacerdotes da chuva e aos chefes de certas fraternidades religiosas. Somente o xamã pode colher esta erva. Ingerida, leva ao estado de transe que permite ouvir as vozes dos pássaros, curar e adivinhar. Também é usada pelos médicos-feiticeiros como tópico, em ferimentos e contusões.
Schhultes diz que os índios do nordeste dos Estados Unidos fazem uso limitado, mas o estramônio é o principal ingrediente do Wysoccan, bebido pelos algonkins, leste dos Estados Unidos, antes de um rito de passagem, em que se processa a iniciação dos adolescentes.
Também utilizada por índios que habitavam o sudoeste dos EUA e México antes da chegada da colonização. Os componentes da planta são extremamente potentes e perigosos.

Don Juan, no livro “A Erva do Diabo” de Carlos Castañeda :

“– A erva do diabo tem quatro cabeças; a raiz, a haste e as folhas, as flores e as sementes. Cada qual é diferente, e quem a tornar sua aliada tem de aprender a respeito delas nessa ordem. A cabeça mais importante está nas raízes. O poder da erva do diabo é conquistado por meio de suas raízes. A haste e as folhas são a cabeça que cura as moléstias; usada direito, essa cabeça é uma dádiva para a humanidade. A terceira cabeça fica nas flores, e é usada para tornar as pessoas malucas ou para fazê-las obedientes, ou para matá-las. O homem que tem a erva por aliada nunca absorve as flores, nem mesmo a haste e as folhas, a não ser no caso de ele mesmo estar doente; mas as raízes e as sementes são sempre absorvidas; especialmente as sementes, que são a quarta cabeça da erva-do-diabo e a mais poderosa das quatro”.
A ingestão de sementes da Erva do Diabo eram parte de um rito de passagem feitos por jovens da tribo huichol. Eles retornam do delírio sem a memória de sua mãe, como se nascessem do nada, do vazio. As folhas secas de datura eram fumadas para combater os efeitos da asma.
O nome Datura, a sua denominação genérica, é a partir do Hindu Dhatura (dhat = a essência eterna (de Deus), que foi derivada do sânscrito nome D’hastura.

Segundo Sangirardi Jr

“…a intoxicação produzida pela droga tem duas fases opostas: a uma exaltada agitação segue-se o sono profundo e inquieto. Os sintomas são provocados por dois alcalóides do grupo tropano, que atua sobre os sistemas nervosos periférico e central. Esses dois alcalóides, dos quais a atropina é um composto racêmico, são: escopolamina (histocina), o principal e hiosciamina".

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Floripondio – A Datura dos Andes

Datura arborea ( Brugmância arbórea) Flores de corola branca, por vezes amarelada com 15 a 18 cm de comprimento.
No preparo da bebida mágica, raspa-se a casca do tronco, que é espremida numa cabaça. A dose média é aproximadamente um copo comum (200ml), o suficiente para provocar as duas clássicas etapas da embriaguez com esse tipo de substância : exaltação furiosa e depressão com sono comatoso.
Reinburg observou que, entre os zaparos, a issioma é reservada aos homens e constitui, quase sempre, uma bebida de prova para aspirantes de xamã.
Para os jivaros, a maikoa é beberagem dos guerreiros, que consultam os espíritos antes de partirem em expedição. Tem outros usos ainda como para o marido traido saber quem é o sedutor da esposa.
Kastern menciona a grande festa do tsantsá, em que os guerreiros, na floresta, tomam uma bebedeira profética. Na grande festa em honra do tambor sagrado, os mais velhos tomam maikoa e no dia seguinte, interpretam os próprios sonhos.
Seja qual for o tipo de datura, quantidades excessivas ou uso prolongado podem levar a convulsões, coma, danos permanentes no cérebro. Os seus alcaloides são extremamente potentes e perigosos.
Lewin, descrevendo os sintomas físicos e psíquicos provocados pela datura, mostra a preponderância de violencia insanidade e tendência de cometer desatinos."Mais graves, diz o toxicologista alemão, eram os efeitos provocados pelos fanáticos religiosos, os taumaturgos, os magos, os sacerdotes e charlatães que, ao longo das cerimônias cultuais, faziam fosse aspirada a fumaça daquela planta atirada sobre um braseiro".
A titulo de curiosidade, diz Sangirardi Jr, vale mencionar que os negros escravos do Brasil preparavam o chamado amansa-senhor, com plantas tóxicas, entre as quais as raízes pulverizadas do estramônio. Servida pela mucama ou pelo paje, misturada com alimentos líquidos, a planta levava a vitima à demência ou as portas da morte.
Entre nós o estramônio tem vários empregos na medicina popular, notadamente contra asma e coqueluche. Contra a asma fumam-se as folhas secas, que muitos compram nos herbanários, de onde a advertência de Hoehne:
“As pessoas que as adquirem ignorando o modo de usar, preparam chás das mesmas e assim se envenenam".
Fonte:http://www.xamanismo.com.br/datura-lirio-branco-trombeteira/

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