sábado, 20 de abril de 2013

CONHEÇA ALGUNS MITOS E VERDADES SOBRE O CÉREBRO



Conheça alguns mitos e verdades
sobre o cérebro



Quanto maior o cérebro, maior a inteligência. MITO: o tamanho não é indicador desta qualidade. A massa encefálica de pessoas mais inteligentes é bem parecida anatomicamente com a de qualquer um, pois o peso e o volume cerebral não mostram variação significativa. "O que ocorre é a presença de redes cognitivas mais eficientes, maior velocidade de processamento e melhor estratégia para levar a cabo determinada tarefa intelectual. Mesmo se compararmos o cérebro humano com o de outras espécies, veremos que o tamanho não é sinal de capacidade: elefantes e baleias têm este órgão bem desenvolvido e não são mais perspicazes que os homens", explica o neurologista Leandro Teles.

Beber demais causa danos ao órgão porque destrói neurônios. VERDADE: inicialmente, o consumo exagerado de álcool leva a uma alteração funcional sem perda de neurônios, iniciando um quadro clínico de desatenção, desequilíbrio e confusão mental que, felizmente, é reversível. "Com o passar dos anos e uso frequente e excessivo mantido, ocorre diminuição da capacidade mental e atrofia cerebral, causada por perda de neurônios e simplificação de suas cognições. Pode haver, ainda, prejuízo indireto com carência vitamínica, traumas e outras complicações relacionadas indiretamente ao vício", destaca o neurologista Leandro Teles. A neurocientista Alessandra Gorgulho salienta que a bebida promove a progressiva atrofia cerebral devido à morte celular em áreas específicas, causando demência alcoólica, doença também conhecida como Síndrome ou Psicose de Korsakoff. "Ela também está associada a deficiências nutricionais. O sintoma mais proeminente é a confabulação, ou seja, criação de histórias para compensar ou minimizar a falta de memória".

O cérebro do homem é diferente do cérebro da mulher. VERDADE: isso acontece por questões anatômicas, hormonais e culturais. O do homem é maior, mais pesado e mais capacitado, de modo geral, para soluções pragmáticas, raciocínio lógico e habilidades motoras. Já o feminino se destaca em criatividade, intuição e questões sociais. "Não existe superioridade global de um modelo sobre o outro, mas tendências e limitações que os tornam diferentes", assegura o neurologista Leandro Teles. Antonio de Salles, chefe do Centro de Neurociências do Hospital do Coração, este é um tema controverso. "Do ponto de vista leigo, podemos dizer que homens e mulheres processam algumas informações de maneira distinta: elas são notórias por terem maior percepção de detalhes e desenvoltura com a linguagem, enquanto eles são menos detalhistas, porém mais diretos e sistemáticos na tomada de decisões, com facilidade para o raciocínio geométrico e abstrato. E claro que, mesmo com tais prevalências, há exceções. É bom deixar claro que essas particularidades, além de não implicarem em superioridade de um sexo sobre o outro, são necessárias na natureza para assegurar a sobrevivência da espécie".

Só utilizamos 10% da nossa capacidade cerebral. MITO: tal número é frequentemente citado sem nenhum embasamento científico. "O potencial do órgão é incomensurável e ainda desconhecido em termos de quão longe a inteligência humana pode chegar. Onde está o limite do que podemos conquistar" Não há resposta para esta questão. Mas dizer que as pessoas não utilizam o cérebro humano em sua totalidade não é verídico, e isso está confirmado por todos os estudos científicos existentes", defende a neurocientista Alessandra Gorgulho. Já o neurologista Leandro Teles observa que o percentual ativado depende diretamente da atividade que estamos realizando. "Durante um dia ou uma dinâmica complexa, certamente acionamos praticamente todas as áreas cerebrais".

O cérebro regula a razão, e o coração regula a emoção. MITO: razão e emoção são habilidades exclusivas do cérebro. "O coração é uma bomba muscular que leva o sangue oxigenado aos tecidos, inclusive ao cérebro, mas não detém nenhuma capacidade cognitiva ou de percepção do mundo", explica o neurologista Leandro Teles. Tal afirmação tem origem no fato de que o coração reage à resposta do cérebro à emoção com o aumento do batimento cardíaco, levando ao mito de que o coração é o órgão que "sente as emoções". "Mas, na verdade, o cérebro assimila e interpreta as emoções, transmitindo suas consequências para o resto do organismo por meio do sistema nervoso. Afeta, assim, o coração e outros órgãos, levando não apenas ao incremento cardíaco mas também à sudorese nas mãos, face vermelha, sorriso ou lágrima", completa a neurocientista Alessandra Gorgulho.

A prática de exercícios físicos favorecerá o cérebro na velhice. VERDADE: trabalhos internacionais e nacionais mostraram relação entre atividade física regular durante a vida e melhores índices cognitivos na terceira idade. De acordo com o neurologista Leandro Teles, tal ligação se dá mesmo entre pessoas que começam a mexer o corpo em idade avançada e em pacientes com esquecimentos e formas iniciais de doença de Alzheimer. "Portanto, ginástica ou esporte feito com seriedade protege o cérebro e retarda e ameniza os sintomas de doenças degenerativas", conclui o médico. Antonio Salles complementa informando que o órgão emprega 15% do fluxo sanguíneo corporal e 20% do consumo de oxigênio do corpo. "Quando nos exercitamos, aumentamos o fluxo sanguíneo cerebral, o que leva a vários efeitos positivos: integridade dos pequenos vasos, demanda sanguínea adequada para a área motora do cérebro, suprimento de micronutrientes para o bom metabolismo de neurotransmissores e estímulo para liberação de endorfinas responsáveis pelo bem-estar". E tem mais: segundo a neurocientista Alessandra Gorgulho, estudo recente com jovens estudantes irlandeses mostrou que, após o exercício, houve melhora em tarefas relacionadas à memória. "Ficou evidente o aumento celular no hipocampo, região do cérebro importante na manutenção da memória. Porém, tal incremento parece ser efêmero, desaparecendo quando a ginástica é abandonada. Portanto, os benefícios parecem ser semelhantes ao que se observam nos músculos: eles são eficazes se regulares, realizados habitualmente".

Exercitar o cérebro nos torna mais inteligentes. VERDADE: o órgão melhora com a prática. Fica mais rápido, erra menos e cria atalhos mentais. "A inteligência é um conjunto complexo de habilidades cognitivas, fruto da genética e do ambiente", diz o neurologista Leandro Teles, acrescentando que pessoas que exercitam a mente no cotidiano, no trabalho ou mesmo com atividades recreacionais estão mais protegidas contra sintomas de desatenção, esquecimentos e baixa do rendimento intelectual. "Nossa cabeça surpreende muito com a prática: dominamos idiomas e instrumentos musicais, revelamos habilidades artísticas e outras particularidades", diz. Para o neurocirurgião Antonio Salles, o constante exercício cerebral significa somar conhecimento, usar funções estabelecidas e até desenvolver capacidades antes não presentes, como falar uma nova língua .

O uso do cérebro é proporcional ao nível intelectual do indivíduo. VERDADE: sabemos, no entanto, que áreas específicas são encarregadas de funções diferentes, chamadas a participar quando a ação é requisitada - o que acontece com as áreas motora, sensitiva, da emoção e da memória. "Portanto, usamos todo o cérebro, só que em momentos e situações particulares de acordo com nossas atividades. E tem mais, existe uma grande reserva de plasticidade, ou seja, algumas regiões são convocadas a suprir deficiências de outras em casos de doenças. Em outras palavras, o homem tem capacidade para utilizar seu cérebro completamente, dependendo da situação em que está engajado", diz o neurocirurgião Antonio Salles.

Ao utilizarmos o cérebro, consumimos energia do nosso corpo. VERDADE; o órgão consome 20% do total da energia requerida para todo o corpo humano. Destes 20%, dois terços são usados para comunicação entre as células. "Isso mantém constante a integração química e elétrica de todas as áreas funcionais do cérebro", informa a neurocientista Alessandra Gorgulho. O terço restante parece ser usado nos cuidados da saúde cerebral e manutenção da "máquina" como um todo, como limpeza celular, reposição de metabólitos importantes e proteção contra infecções. "Tais dados foram sugeridos em um estudo publicado na revista da National Academy of Science por um grupo de cientistas americanos da Universidade de Minnesota, Estados Unidos".

Jogar videogame, damas, memória e cartas, por exemplo, aumenta o QI. VERDADE: "Jogos com atividades mentais estimulam o raciocínio, a concentração, a estratégia e a memorização. Muitos trabalhos conseguiram elevação de QI com aplicação seriada dessas modalidades", assegura o neurologista Leandro Teles. Antonio Salles, chefe do Centro de Neurociências do Hospital do Coração, assina embaixo e afirma que a capacidade de integrar conhecimentos está relacionada à atividade constante da rede neural. "O processo é semelhante ao que acontece com os músculos: eles se tornam mais capazes e ativos quando exercitados. Da mesma forma, o treino mental aumenta nossa habilidade intelectual".

Algumas pessoas têm áreas do cérebro mais desenvolvidas. VERDADE: os seres humanos são cognitivamente diferentes e, portanto, as áreas se desenvolvem particularmente em cada um. "Há sujeitos excelentes em matemática, outros são criativos, há os que se destacam na liderança ou no domínio da linguagem, e assim por diante. Os cérebros mostram sempre alguma individualidade que deveria ser explorada no encaixe profissional e no desenvolvimento individual", sugere o neurologista Leandro Teles. Exemplo: quando aprendemos uma segunda língua, o córtex cerebral na região vizinha à língua mãe é recrutado para sediar as atividades neurais que expressarão e entenderão o novo aprendizado, aumentando assim a área da palavra. A isso se chama neuroplasticidade. "Estudos sugerem que a rede sináptica é dinâmica durante todo o curso da vida. Assim, redes que não são estimuladas tendem a empobrecer e atrofiar. Por outro lado, as que são amplamente empregadas se hipertrofiam, ou seja, há novas conexões com outros neurônios e ligações mais robustas entre as partes do cérebro envolvidas no processamento da tarefa específica. Por isso, é importante usar o cérebro incansavelmente", explica a neurocientista Alessandra Gorgulho.

Dor de cabeça tem relação com dor no cérebro. MITO: o cérebro não dói! Ele é capaz, sim, de perceber e localizar desconfortos causados por lesões em praticamente qualquer região do corpo. "Quando sentimos cefaleia, o que incomoda são os músculos, os vasos sanguíneos, as meninges, camadas que revestem o cérebro. Por esse motivo, em alguns procedimentos cirúrgicos o paciente pode até ficar acordado durante a cirurgia, ajudando o neurocirurgião no mapeamento das funções cerebrais a serem preservadas na operação", observa o neurologista Leandro Teles. "Alterações dentro do órgão que levam a modificações no espaço intracraniano (por exemplo, a presença de tumor, sangramento e infecção) causam irritação ou distensão das estruturas cerebrais (vasos, meninges). E é isso que provoca dor. Os músculos em torno da cabeça e pescoço também podem ocasionar a disfunção", completa o neurocirurgião Antonio Salles.

Quem usa bem o lado esquerdo do cérebro é bom em matemática. MITO: matemática é uma ciência complexa. O lado esquerdo do cérebro é mais ativado em cálculos e no raciocínio lógico sequencial, muito usado nesta matéria. O lado direito, por outro lado, é acionado na função viso-espacial e na percepção e interpretação de formas, habilidades empregadas na geometria. "Dessa maneira, para ser bom em matemática é fundamental estar com os dois hemisférios afiados", defende o neurologista Leandro Teles. O neurocirurgião Antonio Salles concorda e acrescenta que a matéria requer o lógico (lado esquerdo) e o abstrato (lado direito). "Estudos mostram que aqueles com cérebro direito dominante são superiores em trigonometria e visão tridimensional, enquanto os que apresentam o lado esquerdo desenvolvido parecem ser ótimos em álgebra. Assim, a integração de ambos é necessária para se destacar na disciplina".

Viver sob tensão é meio caminho andado para perder memória. VERDADE: tensão, ansiedade, estresse e sobrecarga de afazeres são grandes inimigos da memória. Tal capacidade não é uma função mas, sim, um processo. "É fundamental perceber o estímulo, atentar para ele, atribuir um grau de importância, memorizá-lo, criar um rastro para encontrá-lo. Em outras palavras, trata-se de um mecanismo sequencial e sensível a muitos ruídos. A tensão reduz o foco, a concentração e altera o sistema logo no começo", adverte o neurologista Leandro Teles. Um estudo realizado em 1996 na Universidade de Trier, na Alemanha, submeteu 13 indivíduos a um teste de estresse em que seriam medidos seus níveis de corticoides (hormônio produzido pela glândula suprarrenal em situações de nervosismo). Os participantes que exibiram os níveis mais altos de corticoide obtiveram os piores resultados no teste de memória.

Os bebês desligam as conexões neurais que não utilizam. VERDADE: eles apresentam um sistema nervoso em franco desenvolvimento. O amadurecimento cerebral depende da carga genética, da nutrição e dos estímulos externos. Se privarmos o pequeno de luz nessa fase, as vias da visão não se desenvolvem adequadamente. O mesmo ocorre com outras privações. "É fundamental nutri-lo, então, com incentivos adequados, inclusive sociais e emocionais, para garantir um desenvolvimento pleno e saudável", ensina o neurologista Leandro Teles. A neurocientista Alessandra Gorgulho concorda. "O cérebro de um recém-nascido ou bebê é como uma esponja: toda informação que chega é absorvida e processada. Conforme o tipo de fomento e a frequência dos mesmos, ele cria mais ou menos sinapses. Assim, menores incitados em sua curiosidade natural, educados em um ambiente onde outros indivíduos lhes dedicam atenção, absorvem mais aquisições e de maneira mais rápida do que uma criança que é negligenciada e, consequentemente, exposta a pouca informação".

É mais fácil aprender idiomas na infância. VERDADE: conquistar este aprendizado na época da alfabetização e durante o desenvolvimento funcional cerebral cria uma área específica para o novo idioma. "Diferentemente do aprendizado mais tardio, em que ela será apenas uma conversão da língua nativa. Tal conhecimento ficará melhor ancorado e o processo será mais cômodo e menos trabalhoso", garante o neurologista Leandro Teles.

Usar drogas prejudica o funcionamento cerebral. VERDADE: drogas agem negativamente na atividade cerebral. O prejuízo dependerá, obviamente, do tipo de droga, da forma de uso e da quantidade e frequência. "Mas todas, de modo geral, geram alterações imediatas nas redes neurais, provocando perturbação aguda e crônica do funcionamento do órgão e levando à dependência física e psíquica", considera o neurologista Leandro Teles. "A área relacionada ao prazer é ativada de maneira compulsiva. E, uma vez estabelecida a dependência, o mecanismo cerebral será afetado. Além disso, no caso de drogas ilícitas, o paciente apresentará outros sintomas relacionados à dependência química", completa o neurocirurgião Antonio Salles.

O cérebro precisa descansar, por isso não é recomendável estudar pouco antes de uma prova. VERDADE: dar esse intervalo, aliás, é fundamental para quem busca atividade intelectual de excelência. No caso de provas, vale cumprir as metas de estudo a tempo suficiente para descansar, sem culpa, no dia anterior e no próprio dia do exame. Com isso, esclarece o neurologista Leandro Teles, o cérebro fica apto a exercer toda sua capacidade estratégica e de evocação necessária na resolução das questões. "Estudar em cima da hora traz ansiedade, cansaço e baixa de rendimento na hora H". Para a neurocientista Alessandra Gorgulho, uma noite bem dormida prepara a cabeça para tarefas complexas. Estudos da Universidade da Califórnia em San Diego, publicados nas revistas "Neuroreport", "Nature" e "Journal of Sleep Research" mostraram que quando o cérebro está privado do sono, ou simplesmente cansado, sua habilidade de integrar fica diminuída. "Não é recomendável usar a reserva antes, mas sim começar a prova contando com sua completa capacidade para acionar todo o conhecimento adquirido. No dia mesmo, o melhor é confiar no que já se sabe".

A dor reside no cérebro e pode ser controlada. VERDADE: a dor é uma criação cerebral. O que ocorre é que a percepção de lesão, em alguma parte do corpo, é interpretada pelo cérebro como dor, sinalizando o organismo de que deve tomar uma providência para evitar o agravamento do quadro. Alguns medicamentos, como os analgésicos, alteram a assimilação cerebral da dor, reduzindo sua manifestação. Ou seja: a informação sensitiva da dor é captada na periferia (pele, dente etc) e transmitida ao cérebro pela medula espinhal. A informação leva, então, a uma reação motora protetora. Exemplo: a pessoa coloca o dedo em uma superfície quente e o retira em milésimos de segundos. "Tal comportamento instantâneo é mediado na medula espinhal de modo que, antes mesmo do total processamento do dado pelo cérebro, o arco reflexo medular resolveu o problema de maneira extremamente eficaz, evitando o aumento da lesão, neste caso, a queimadura", destaca o neurocirurgião Antonio Salles.

O cérebro ganha rugas quando a pessoa aprende algo. MITO: o cérebro não muda de tamanho com novas aquisições mentais. "A superfície continua inalterada. O que ocorre é a facilitação de algumas redes e alteração na comunicação entre as células, processos que não ocupam espaço suficiente para modificar o formato anatômico", diz o neurologista Leandro Teles. A neurocientista Alessandra Gorgulho acrescenta que as rugas do órgão aumentam, sim, com a idade. "Tais sulcos entre os giros cerebrais se tornam mais profundos com a progressiva atrofia que ocorre com o passar dos anos".

O cérebro humano é o maior de todos. MITO: existem animais com cérebros maiores e mais pesados. "O ser humano tem, no entanto, uma excelente relação entre a dimensão do mesmo perante o tamanho do corpo. Essa medida é um indício de maior inteligência. Um elefante, por exemplo, tem um cérebro maior do que o humano, mais uma relação cérebro-corpo ruim", explica o neurologista Leandro Teles. Para você saber: o cérebro humano é o quarto em peso e, entre todos os animais, ocupa a maior percentagem do peso corporal (PC), 2% da massa. O peso do cérebro humano, de 1,4 kg, perde para o da baleia (7,8 kg, 0.06% do peso corporal), do elefante (6 kg, 0.08% PC) e do golfinho (1,5 kg, 0.3% PC).

Lesões no cérebro são permanentes. PARCIALMENTE VERDADE: na maioria dos casos, não. Tudo depende do tamanho, da causa, da idade do acometimento e da localização da lesão. "Felizmente, na maioria das vezes, a lesão não atinge em cheio o centro da área responsável por determinada função. Com isso, o deficit neurológico pode ser reversível com o tempo e reabilitação adequada", salienta o neurologista Leandro Teles. Por outro lado, há problemas que deixam uma cicatriz permanente no órgão, como disfunções produzidas por isquemia (falta de oxigenação), hemorragias/hematomas, tumores, lesões por radiação e quimioterapia. "Mas existem mecanismos compensatórios que tentam anular ou minimizar o estabelecimento destes males. Áreas adjacentes podem suprir a função de outras prejudicadas minimamente. E isso sem falar que, às vezes, tomografias e ressonâncias identificam uma anormalidade que, no entanto, não se traduz clinicamente em nenhum sintoma neurológico", completa o neurocirurgião Antonio Salles.


Fonte:http://noticias.uol.com.br/saude/album/2013/02/28/conheca-alguns-mitos-e-verdades-sobre-o-cerebro.htm#fotoNav=22

domingo, 14 de abril de 2013

EFEITOS DO CHÁ DE AYHUASCA - DEPOIMENTOS





Efeitos da Ayahuasca = transe

Como a floresta de onde se origina, seus efeitos são fortes, intensos e definitivos. Durante milênios, curou o nativo por meio dos ensinamentos, abrindo sua intuição e fazendo-o se conectar com aquilo que deseja, tornando-se, assim, uma Planta Mestra, embora tenha sido, desde as descobertas das Américas, motivo de curiosidade científica.
Importante dizer que é " lenda" afirmar que todos passam mal ao tomar o Sacramento. Na realidade, pode ocorrer uma limpeza, apenas isto, que esta longe de ser comparada com " passar mal".

Nós, leigos das cidades, analisamos que nos últimos cem anos conseguimos, a partir da observação direta, afirmar com segurança (embora estas afirmações careçam de comprovação científica) que a Ayahuasca ajuda a:

- diminuir a depressão, religando-nos ao Princípio Divino, gradualmente;

- ajuda os corpos sutis, pois são sete os planos de manifestação da vida neste planeta que nos permitem viver num corpo físico. Os sete planos, juntos, compõem o nosso corpo astral. A religação consiste em ajustar estes corpos sutis, criando HARMONIA que se manifesta no campo físico pelo alinhamento entre pensamentos, sentimentos e linguagem verbal ou fala;

- ativa a memória, estimulando os neurônios. Para isso são usados cantos arcaicos, de sílabas sonorizadas, que expressam a linguagem simbólica e têm como objetivo trazer as forças da Natureza e do Cosmos para a experiência humana que, desde o começo de sua presença na Terra, insiste em restabelecer o contato com o Divino. Não existe nada mais libertário do que o AMOR, a VERDADE e a HARMONIA.

CONSENSO

É unanimidade que a Ayahuasca proporciona:

1 - a consciência da imortalidade da alma;

2 - a comunicação dos espíritos desencarnados com os vivos e vice-versa;

3 - a percepção da existência de uma inteligência dos vegetais e animais, que são capazes de se comunicar com os seres humanos;

4 - a capacidade humana de ver à distância;

5 - a capacidade humana de ver o futuro;

6 - a capacidade humana de ver o passado;

7 - a capacidade humana de ver o que acontece no presente em lugares remotos;

8 - a CAPACIDADE HUMANA de TRANSFORMAR e MUDAR seu Destino;

9 - a consciência de que o coração e a mente do ser humano têm o direito Divino de vivenciar a paz interna (ORIGEM da PALAVRA CIPÓ, que vem da língua TUPI) .

A HISTÓRIA DA AYAHUASCA - da RAINHA e do REI da FLORESTA

Sua história se divide em três partes: antes, durante e depois de MESTRE IRINEU SERRA.

As plantas usadas para o preparo do chá Ayahuasca são nativas da FLORESTA AMAZÔNICA, e existem nos territórios do Peru, do Equador, da Bolívia, da Venezuela e do Brasil há milhões de anos.

Em 1500, nativos já tomavam AYAHUASCA e hoje são cerca de 22 povos: Pano, Arák, Tukano, Yagua, Iaminawa, Kaxinawá, Jawahawá, Pojanawá, Katukina, Marubo, Sharanawa, Yaminawa, Ashanika, Makuna, Piro, Cuebeo, Desana, Barasana, Siona, Tatuyo, Guahibo, Záparos, além de muitos outros que não conseguimos relacionar ainda.

A maioria destes nativos tem como imagem ancestral de MESTRE ensinador uma “SERPENTE”. Em geral, a descrição deste SER é de uma Jibóia Branca (preta para os estranhos) que surge no plano espiritual para ensinar e orientar. Em geral, esta aparição é rara, mesmo entre nativos, e é ela quem ensina os cantos cantados pelo pajé nas cerimônias tribais de Ayahuasca.

Conta-se na Tradição que os trabalhos com a Ayahuasca foram revelados a três pessoas: os irmãos Antonio Costa e André Costa e depois ao Mestre Irineu.
Fonte:http://www.portadosol.org.br/
Ayahuasca Bendita Sagrada

Ferramenta trazida por Mestres Assensos para expandir a consciência e conectar-se com o Eu Divino.

Ayahuasca Bendita Sagrada, mandada e anunciada aos quatro ventos da terra;
Deus com sua imensa sabedoria permitiu a seus filhos o Néctar dos Deuses,
fornecedor da imensidão da mente;
Permite aos homens presenciar a transposição de Corpos Astrais com alinhamento de
chákras, permite aos homens encarnados Vivencias Espirituais.
Ayahuasca Bendita Sagrada, que invade a individualidade enchendo de Presença Divina,
Ayahuasca Bendita Sagrada, que mostra o caminho, exemplifica e explica, limpa e purifica
espíritos com resíduos terrenos, cura e eleva a alma, Ao Altar Divino de Luz.



Ayahuasca
Ayahuasca, Daime ou Vinho das Almas, é o líquido resultante da decocção de duas plantas de poder: o Jagube (Banisteriopsis caapi), que é um cipó, e a Chacrona ou Rainha da Floresta (Psycotria Viridis), que é um arbusto. Um dos componentes da Ayahuasca é o Dimetiltriptamina ou simplesmente DMT. Uma substância que contenha DMT, para ser enquadrada como droga, dentro das leis científicas atuais, precisa conter 2 % de DMT. No caso da ayahuasca, esse percentual é 0,02 %, ou seja, 100 vezes menor do que a taxa mínima necessária para que a substância seja classificada como droga. Pesquisas de cunho científico, realizadas por grandes autoridades mundiais em toxicologia, etnobotânica, psiquiatria e psicofarmacologia, como os Drs.RICK STRASSMAN e CHARLES GROBB, comprovaram que a ayahuasca não é uma droga, não entorpece, não causa qualquer padrão de dependência, abuso, overdose ou síndrome de abstinência, e que, principalmente, não foi observado o surgimento de qualquer tipo de distúrbio mental posteriormente ao uso da ayahuasca. Nessa pesquisa, também foi constatado que a dose letal da ayahuasca (quantidade a ser ingerida por um organismo para que ocorra o risco de óbito) é de 7,8 litros, muito próximo à dose letal da água, que é de 10 litros; embora seja impossível uma pessoa ingerir 1 litro que seja de uma só vez. Quanto aos testes psiquiátricos, foram aplicados aqueles recomendados pela ortodoxia cientifica: o CIDl (Composite International Diagnostic Interview) com os critérios do CID 10 e DSM IIIR. c o TPQ (Tridimensional Personality Questionnaire). Constatou-se sobre os dois grupos separados para esta pesquisa científica (grupo dos “usuários de ayahuasca ” e grupo dos ” não usuários de ayahuasca “) , que: Os integrantes do grupo usuário de ayahuasca, em relação ao grupo de não usuários, mostravam-se mais reflexivos, resistentes, leais, estóicos, calmos, frugais, ordeiros e persistentes, além de mais confiantes, otimistas, desinibidos, despreocupados, dispostos e enérgicos. Exibiram também alegria, determinação e confiança elevada em si mesmo.”


Benefícios da Expansão da Consciência com o uso ritualizado da ayahuasca
Alinhamento e abertura dos chacras (retirada de bloqueios emocionais e energéticos) e acesso a conhecimentos. Existem muitas técnicas e rituais para se chegar aos estados mais profundos da consciência, como tambores, danças, jejuns, respirações, posturas corporais, etc. Com o uso de ayahuasca esse caminho é rápido. A ayahuasca abre os chacras, expande a consciência e, com maior consciência, passamos a agir. Com mais velocidade ocorre o nosso crescimento espiritual e, conseqüentemente todo o resto pode ocorrer: crescimento material, profissional e tudo o mais que desejamos em nossa vida.



Espiritualidade

A utilização da ayahuasca não pode ser mal interpretada: deve ser revestida de toda seriedade e respeito, além de sérias intenções.
Muitos pensam que, pelo fato de terem tido experiências maravilhosas, já obtiveram as respostas e foram de alguma maneira transformados. Em alguns aspectos simples realmente o foram, mas, na realidade, existem muitas camadas de condicionamento e ignorância a separar a mente superficial do eu verdadeiro.

A ayahuasca, assim como tantas outras plantas chamadas instrutoras, podem nos levar a grandes transformações, permitindo o acesso à nossa essência e às capacidades que desconhecemos. No entanto, é necessário manter concentração e seriedade, persistência e comprometimento no sentido de mudar e realmente remover velhos hábitos, que tendem a reaparecer.

A mudança requer trabalho duro e esforço. Muitas vezes, a experiência transforma, outras vezes mostra o possível, aponta o caminho, mas a responsabilidade de implementar as mudanças, assim como os méritos, é de cada um, do seu esforço pessoal, do seu empenho. A busca deve ser honesta e firme. Ninguém deve participar de uma experiência destas sem objetivos definidos.

É preciso coragem para olhar o que se apresenta, humildade de admitir suas falhas quando se tornam aparentes e, principalmente, ter a determinação de mudar seus comportamentos em função do que se revela. O grande benefício da Ayahuasca, trazido até nós pelas sociedades indígenas, é que ela dissolve os limites da mente inconsciente, desbloqueia, desfaz as barreiras culturais impostas pela forma com que fomos criados e dá acesso a conteúdos reprimidos e esquecidos por nós. Ela possibilita o reconhecimento das configurações universais da psique, os arquétipos da humanidade, junto com um leque mais abrangente de conhecimentos e maneiras de conscientizar.


A Ayahuasca é um produto da união do Banisteriopis Caapi (mariri ou jagube) e da Psycothria Viridis (chacrona ou rainha), fervidos em água


No Brasil a Ayahuasca vem sendo utilizada há milênios pelos povos indígenas da região amazônica, a proposta básica é atingir o auto conhecimento através de experiências espirituais, onde por meio de estado de expanção de conciência chega-se a um estado de integração total com o cosmos, com a natureza e com o Criador.




Caminho da Legalização da Ayahuasca
O uso ritualizado da Ayahuasca obteve respaldo legal do COFEN – Conselho – Conselho Federal de Entorpecentes, que foi extinto em 1998, tendo suas atividades absorvidas pelo então SENAD – Secretaria Nacional Anti-Drogas. Foram duas resoluções:
  1. 1986
O Dr. Domingos Bernardes da Silva Sá concluiu, através de seus estudos, que o Ayahuasca não deveria ser incluída na lista dos produtos proibidos pela DIMED – Divisão Médica do COFEN em razão de sua concentração de DMT (nesse caso, muitas outras substâncias também deveriam ser incluídas nessa lista: café, suco de laranja, etc.).
  1. 1992
O COFEN decidiu liberar oficial e definitivamente a ayahuasca por haver ampla comprovação de efeitos benéficos, com base no controle exercido pelos centros que utilizavam ayahuasca com seriedade (1986-1992) ***. Segundo observação da Comissão Multidisciplinar (médicos, antropólogos, psicólogos, enfim, todas as correntes do saber), a substância estimulava comportamentos construtivos, com grandes ajustes sociais e psicológicos dos participantes. Também foi constatado um forte senso de coesão social e cooperativismo entre os participantes da Comunidade do Daime.


2004 – O tempo passa e mudam os diretores das instituições, os nomes das instituições, os presidentes e também as tecnologias e os recursos da ciência.
Naquele ano, o então Presidente do CONAD – Conselho Nacional Anti-Drogas pediu o parecer de uma “Câmara de Assessoramento Técnico-Científico” para o processo de legitimização do uso da ayahuasca, o qual estava completando 18 anos (desde seu início em 1986, quando saiu da lista da DIMED, até 2004). O novo dirigente do CONAD, ao assumir a responsabilidade de presidir aquela instituição, que legalizou o uso da Ayahuasca, e sentindo a necessidade de se respaldar e fazer uma reavaliação da questão, determinou novos estudos e novas averiguações, tendo a Ayahuasca sido novamente aprovada. Essa Câmara de Assessoramento Técnico-Científico, concluiu que a legalização estava respaldada e alicerçada:
  • Em análise multidisciplinar;
  • No direito constitucional do exercício do culto de tradição milenar para a evolução da humanidade;
  • Ampla gama de informações sobre o assunto, obtidas:
    • de profissionais de diversas áreas do conhecimento humano;
    • de órgãos públicos;
    • da experiência comum;
    • do reconhecimento nos diversos segmentos da sociedade civil, etc.
Tendo em vista todo esse respaldo, a Câmara de Assessoramento Técnico-Científico resolveu manter a legalização do uso da ayahuasca e sugeriu a instituição de um Grupo Multidisciplinar de Trabalho (GMT), com a função de levantar e acompanhar o uso ritualizado da ayahuasca, bem como acompanhar as pesquisas sobre sua utilização terapêutica. Esse grupo é composto por representantes dos mais variados segmentos do conhecimento humano, tais como: antropológicos, farmacológicos, bioquímicos, psicológicos, psiquiátricos, jurídicos, sociais, além de Seis representantes dos grupos religiosos ayahasqueiros do Brasil.
*** em 1982 já havia sido formada a primeira comissão multidisciplinar, também formada por médicos, psicólogos, antropólogos, além de representantes do Ministério da Justiça, Polícia Federal, Exército, etc. Essa comissão deveria averiguar in loco o fenômeno Santo Daime.

Fonte:http://ceudaforcadivina.blogspot.com.br/p/ayahuasca.html
Um depoimento sobre o Santo Daime (ayahuasca)

A melhor explicação que se poderia dar diante de tanto sensacionalismo...



Por 20 anos eu formei minha família, trabalhando como agente de viagens. Nos últimos anos conduzi Workshops no Brasil usando uma planta ancestral, “medicina” ou chá, a qual tem sido usada por tribos indígenas da Amazônia há milhares de anos. Essa bebida é chamada Ayahuascae contém uma poderosa substância psicoativa e visionária chamada DMT (Dimetiltriptamina) . A DMT é encontrada em todas as coisas vivas, incluindo nós, humanos.Quando descobri a Ayahuasca, logo entendi que continuaria sendo um agente de viagens, mas agora mostrando às pessoas como fazer jornadas interdimensionais. Em nós, humanos, a DMT é produzida na glândula Pineal e pesquisas recentes indicam que a Pineal irá produzir DMT em grandes quantidades em pelo menos dois momentos das nossas vidas: no nascimento e na morte. Talvez ela prepare a chegada e a partida da alma. Pessoas que experimentam “situações de quase morte” – vendo luzes fortes, portais, ícones religiosos – relatam efeitos semelhantes aos das experiências com DMT. O processo visionário da Ayahuasca também traz o efeito de permitir que uma pessoal se resolva e se cure espiritual, psicológica, emocional e fisicamente. O chá é referido como “enteogênico”, o que significa “contém Deus dentro".
Muito provavelmente parece (minha crença pessoal) que o cérebro humano é de alguma maneira atrofiado, e que o processo xamânico de re-introduzir DMT usando Ayahuasca tem o efeito de “ligar” a Pineal de uma maneira extraordinária. Outros estudos foram conduzidos e sugerem que os cérebros pós-Ayahuasca encontram-se literalmente “re-configurados” (novas sinapses).
As moléculas de DMT são similares às moléculas da Serotonina e se encaixam nos mesmos receptores do cérebro. Isto é extraordinário porque, assim como a Serotonina, a DMT é uma chave específica que naturalmente se encaixa nesta “trava” do cérebro. Nota-se, nos diagramas abaixo, que as estruturas da DMT e da Serotonina são muito similares. Ambas se encaixam nos mesmos neuro-receptores do cérebro. As estruturas moleculares do DMT e da serotonina. A Ayahuasca é uma poção muito interessante e complexa feita a partir de duas espécies de plantas amazônicas: um arbusto chamado Psychotria Viridis (Chacrona) e um cipó chamado Banisteriopsis Caapi (Mariri/jagube) .
A Chacrona é uma planta fonte de uma quantidade relativamente grande de DMT, que é a principal fonte da experiência visionária. Todavia a DMT é inativa quando administrada oralmente porque é destruída no estômago pela enzima digestiva Monoamina Oxidase (MAO).
O Jagube contém apenas alcalóides mediamente psico-ativos, especificamente Beta-carbolinas (Harmina, Harmalina e Tetrahidrahamina) , os quais agem como inibidores de re-absorção da Serotonina pelo organismo, assim como têm propriedades pró-Dopamina. A Serotonina e a Dopamina são substâncias produzidas pelo organismo humano, similares a hormônios, e são poderosos neurotransmissores que criam estado de alerta, assim como colocam a pessoa num estado psicologicamente receptivo. Adicionalmente, esses alcalóides também agem como poderosos inibidores da enzima MAO. O interessante sobre a Ayahuasca é que, enquanto a DMT é inativa quando tomada oralmente e sozinha, os inibidores de MAO do chá permitem que a DMT permaneça intacta e ultrapasse as barreiras do sangue e do cérebro.
Assim, você tem a DMT se encaixando aos receptores do cérebro, o que produz visões, enquanto as propriedades pró-Serotonina e pró-Dopamina do chá criam um estado de alerta e receptividade.
Além disso, as propriedades de cura física da Ayahuasca são extraordinárias, para dizer pouco. A Ayahuasca tem sido investigada como um possível tratamento eficaz para o Mal de Parkinson e para depressão , por exemplo.
Já em 1928, uma substância natural chamada Banisterene foi usada com sucesso no tratamento do Mal de Parkinson. Banisterene é também um antigo e bem conhecido produto de plantas chamado Harmina. Harmina é o componente Beta-carbolina mais presente na Ayahuasca.
Infelizmente o uso de Banisterene deixou de ser usado no tratamento do Mal de Parkinson, à medida que a indústria farmacêutica evoluía no estudo de drogas sintéticas que são patenteáveis, diminuindo o interesse por produtos naturais – que não o são. Mais interessante ainda é o fato de que muitas das drogas experimentais usadas atualmente para tratar o Mal de Parkinson, que podem ser encontradas na lista da Associação da Indústria Farmacêutica Britânica, contêm poderosos inibidores de MAO, assim com possuem propriedades pró-Dopamina.
Jeremy Narby, no seu livro “A Serpente Cósmica”, comenta: “Aqui estão pessoas sem microscópios eletrônicos que escolheram, entre 80.000 espécies de plantas amazônicas, as folhas de um arbusto contendo um hormônio cerebral, as quais eles combinam com um cipó que contém substâncias que inativam uma enzima do trato digestivo, o que de outra forma bloquearia o efeito.

E eles fazem isso para modificar seus estados de consciência. Isso ocorre como se eles soubessem sobre as propriedades moleculares das plantas e a arte de combiná-las. E quando qualquer um os questiona sobre como eles tomaram conhecimento dessas coisas, eles dizem que "esse conhecimento adveio diretamente das plantas”.

Ayahuasca é a Universidade de Gaia. A Natureza alcançando os humanos.
A metáfora da “escola” na verdade não é uma metáfora de forma alguma. Tudo na Ayahuasca é sobre aprendizado. Durante uma cerimônia com a Ayahuasca, você começa num lugar e termina em outro. A próxima cerimônia traz você de volta ao lugar que você deixou. As aulas começam tal hora... o sino toca... e a “mãe-Aya” dá a lição do dia!
Falando de forma geral, as lições são universalmente profundas. As propriedades de cura e expansão de consciência da planta-mestre levam-nos a uma magnífica experiência de quem nós somos. A Ayahuasca facilita a resolução do ser humano. Resolver a condição humana requer uma consciência grandemente expandida sobre questões fundamentais: De onde viemos? Onde estamos? Para onde vamos? e Quem somos?
Uma das lições da experiência com a Ayahuasca é uma percepção bastante expandida do quê nós crescemos chamando realidade. O véu é levantado. Nós percebemos em 3-dimensões, com certeza. Mas nossa percepção se expande para além, para abranger uma realidade muito maior que “contém” a realidade 3-D. Essa realidade expandida, ou talvez realidade multi-D, não é restrita pela linha do tempo ou mesmo por causa-e-efeito. A percepção de multi-D não é algo que você fica verdadeiramente ciente apenas. Você fica também, de alguma forma, re-codificado com a memória dela. Muito tempo após a experiência com a Ayahuasca ter terminado, você se lembra do caminho de volta à extraordinária quietude desse lugar que você já habita. Você o habita como o seu Eu Superior.
Eu mencionei a questão: “Quem Sou Eu?” Os seres humanos gastam seu seus melhores esforços para viver suas vidas, para superar inseguranças, para mascarar sua dor e para ganhar status e aceitação. Infelizmente o verdadeiro Eu de um indivíduo permanece quase que universalmente oculto. Nós definimos quem somos pelo status que temos, pelo quê fazemos e por quem estamos casados. A integração do eu (humano) com o Eu Superior (divino) é uma conseqüência natural de uma percepção expandida. A partir desta integração emerge o verdadeiro Eu. O “cérebro visionado”, agora totalmente funcional, elimina as questões baseadas no medo, que o ego constrói – as questões que são a praga da condição humana. A máscara do nosso falso-eu, o” ego “ se torna irrelevante. Não é mais necessário impressionar os outros ou se envergonhar de quem somos. Nós nos tornamos resolvidos na nossa humanidade e na nossa divindade. E isto não é uma coisa para se pensar. É uma coisa para se saber. E esse saber é uma experiência atemporal para os nossos corações. O centro do coração se expande. Nós nos movemos em direção a uma nova experiência humana que é quase como os súbitos sentimentos do coração. Compaixão, intuição, percepção extra-sensorial, entrega, verdade, são todos resultados de trazer o coração intuitivo como equilíbrio para o cérebro analítico. Pesquisa recente sobre o próprio coração revela que ele contém um expressivo sistema neurológico que de fato age como um segundo cérebro. Esse “cérebro-coração” funciona coerentemente com o cérebro, à medida que o envia quantidades massivas de informação. O coração comunica com o cérebro através do sistema límbico contido no último. E a glândula Pineal (responsável pela produção da DMT) é adjacente ao sistema límbico.
Muitas pessoas acreditam (esperam) que a humanidade está às portas de um extraordinário salto. Esse salto, essa mudança, é realmente sobre o retorno da Energia de Deus à Terra. A cura está vindo para a humanidade a partir da natureza, a partir da Mãe-Terra, de Gaia. O Espírito da Terra, ou Gaia, está literalmente trabalhando com os seres humanos para a conclusão desta era e o advento de uma nova. A Natureza está trabalhando para curar a si mesma.
Terrance McKenna disse: “Uma coisa é quando você se torna interessado nas plantas (Ayahuasca) e outra coisa é quando as plantas se tornam interessadas em você.” De alguma forma, o mistério dessa mudança de era está contido no fato de que as plantas são sensitivas. Elas possuem uma consciência coletiva. Algumas plantas nos nutrem. Algumas são usadas para curar nossos corpos físicos. E outras plantas são remédios (medicina) para a alma. Elas nos ensinam o caminho de volta para o divino em nós. Elas infundem nossa consciência com a consciência da natureza.
O problema real com a humanidade é que nos esquecemos. Através das eras, nós concordamos em viver em uma prisão. Nós nos esquecemos quem somos, e nós nos esquecemos da eterna paisagem que habitamos.
A Ayahuasca está aqui para mudar tudo isso.

PAZ E LUZ



MITAKUYE OYASIN


A única coisa que me deixa muito triste em meio a tanto sensacionalismo, é que muitos institutos irresponsáveis usam o Santo Daime misturados com drogas fortíssimas e viciantes, chamam de Santa Clara e Santa Maria, mas por isso não deixam de ser maconha e cocaína... contribuem apenas com os ataques da mídia e a ignorância das pessoas... é uma pena...

Que Deus abençoe à todos e lhes mostre o caminho perfeito e divino de cada um... NAMASTÊ.
Fonte:http://fabioibrahim.blogspot.com.br/2010/03/um-depoimento-sobre-o-santo-daime.html

AYAHUASCA : UMA ABORDAGEM TOXICOLÓGICA DO USO RITUALÍSTICO





Maria Carolina Meres Costa1
Mariana Cecchetto Figueiredo2
Silvia de O. Santos Cazenave3



Resumo

O chá da Ayahuasca vem sendo utilizado milenarmente por índios da América do Sul,como instrumento espiritual e ritual, com extrema religiosidade. No século passado surgiram seitas não-indígenas, que passaram a fazer uso do chá. Essa utilização vem aumentando desde a liberação do uso da Ayahuasca para fins religiosos no Brasil. A ação do chá deve-se à presença de alcalóides nas plantas utilizadas na sua preparação: o cipó Banisteriopsis caapi e as folhas do arbusto Psycotria viridis. Os efeitos observados são: alucinações, hipertensão, taquicardia, náuseas, vômitos e diarréia. Estas ações podem causar efeitos mais sérios ao organismo e, portanto, merecem maior atenção dos profissionais da saúde, no sentido de que se promovam estudos que possam permitir a utilização religiosa do chá sem maiores danos biológicos e para a conscientização dos usuários sobre os possíveis efeitos tóxicos destas substâncias.

Palavras-chave: Ayahuasca, ritual, alucinógeno, efeitos tóxicos.

Abstract

The Ayahuasca tea has been used for more than a thousand years by the Indians of South America, as a spiritual and ritualistic instrument, for religious purposes. Non-Indians sects have arose in the last century, and started to use the tea. This utilization is increasing since the legalization of the Ayahuasca for religious use in Brazil. The effect of the tea is caused by the presence of alkaloids in the plants used in its preparation: the Banisteriopsis caapi liana, and the leaves of Psycotria viridis shrub. The effects observed are: hallucination, hypertension, tachycardia, nausea, vomiting and diarrhea. These actions may cause more serious damage to the organism, and therefore deserve more attention from the health professionals, because even for strickly religious use the tea may cause higher biological damage and therefore, the users should be made aware of the possible toxic effects of these substances.

Keywords: Ayahuasca, ritual, hallucinogens, toxin effects.

Introdução


A palavra Ayahuasca é de origem indígena. Aya quer dizer “pessoa morta, alma espírito” e waska significa “corda, liana, cipó ou vinho”. Assim a tradução, para o português, seria algo como “corda dos mortos” ou “vinho dos mortos”. No Peru, encontrou-se o seguinte significado: “soga de los muertos”, (Labate e Araújo, 2002).

O chá da Ayahuasca consiste da infusão do cipó Banisteriopsis caapi e as folhas do arbusto Psycotria viridis. O uso – inicialmente restrito aos povos indígenas – passou a ser incorporado pelas civilizações e vilarejos da Amazônia Ocidental, surgindo o vegetalismo (medicina popular de civilizações rurais do Peru e da Colômbia, que mantém elementos antigos sobre plantas, absorvidos das tribos indígenas e influências do esoterismo europeu dos colonizadores) (Labate e Araújo, 2002).

No início do século XX, o uso de substâncias psicotrópicas na sociedade ocidental era quase inexistente – com exceção do álcool (Labigaline, 1998) – e embora a tradição da bebida seja comum a diversas tribos de grande parte da América do Sul (Peru, Colômbia, Venezuela, Bolívia e Equador), somente no Brasil desenvolveram-se religiões não-indígenas que utilizam a Ayahuasca. Estas religiões reelaboraram as tradições antigas com influências do cristianismo, espiritismo kardecista e religião afro-brasileira (Labate e Araújo, 2002).

A liberação da Ayahuasca para uso em rituais religiosos no Brasil representou a liberdade de culto e um aumento significativo dos adeptos do chá.

Do ponto de vista toxicológico, o uso do chá pode trazer efeitos nocivos ao organismo como: desidratação, por conta das náuseas, vômito e diarréia comumente relatadas, e a síndrome serotoninérgica, sendo que a última é a conseqüência mais grave desta utilização (Callaway et al., 1999; Callaway et al., 1994; Sternbach, 1991).


Objetivos



Geral

O objetivo deste trabalho foi avaliar o padrão de uso da infusão de Banisteriopsis caapi com a Psycotria viridis (chá) no contexto ritual.

Específico

Destacar os possíveis efeitos tóxicos, propondo campos de pesquisas mais aprofundados sobre o assunto.


Revisão antropológica do uso do chá



A UTILIZAÇÃO DA AYAHUASCA PELAS CIVILIZAÇÕES INDÍGENAS DA AMÉRICA DO SUL

Diversos povos indígenas, que vivem desde a região da Amazônia até o sul dos Andes, fazem uso ritualístico de várias substâncias alucinógenas. A Ayahuasca (Banisteriopsis caapi e Psycotria viridis), especificamente, é utilizada por cerca de 72 tribos distintas da Amazônia, dentre elas destacam-se os Kaxinawá, Yaminawa, Sharanawa, Ashaninka, Airopai, Baranara, dentre muitas outras de cultura xamã (Labate e Araújo, 2002; Macrea, 1992).

Para estas civilizações primitivas, as manifestações religiosas ocorrem na forma de mitos ligados à realidade do meio que os cercam. Para os Kaxinawá, por exemplo, a natureza possui alma, vontade e ordem própria, revelando que o espírito da mesma é uma energia vital responsável por todo o fenômeno vivo em qualquer parte do mundo (Labate e Araújo, 2002). Assim, a natureza não está fora do humano, o humano está dentro da natureza, reconhece marcas e traços de sua cultura verdadeira, em hábitos, sons e desenhos de animais e espíritos. Para os Kaxinawá, a natureza não existe sem ser permeada pelo espiritual, senão seria apenas pó (Labate e Araújo, 2002).

Na cultura indígena, quando se está em um estado normal da percepção só é possível ver os corpos e suas utilidades, porém, nos estados alterados de consciência é que se defronta o outro lado da realidade, percebendo os espíritos que habitam as plantas e os animais e, que as tribos reconhecem, como “gente nossa” (Labete e Araújo, 2002). Nesse ponto, o consumo da Ayahuasca possibilita a percepção da igualdade entre os seres (Labete e Araújo, 2002; Macrea, 1992). O estado de alteração da consciência induzido pelo chá está em relação direta com os sonhos. Perceber o lado oculto da realidade é a razão pela qual se sonha ou se ingere o chá (Labete e Araújo, 2002).

A ingestão da bebida seria, ainda, fundamental para o destino do índio depois da sua morte. Somente com o chá, o homem poderia perceber a separação entre o espírito e o corpo. Sem isso o corpo ficaria louco e não conseguiria alcançar a “aldeia celeste”, que seria o destino final do espírito. E, também, somente com o chá se pode adquirir a força necessária para enfrentar “a luta espiritual com a onça gigante e não ser devorado por esta, que está no meio do caminho para a aldeia celeste” (Labete e Araújo, 2002).

Entre os Ashaninka, a Ayahuasca significa virtude religiosa e moral, sendo seu uso ligado a um dever, cuja principal característica é a eternidade (Labete e Araújo, 2002).

Dentre as culturas indígenas, as visões causadas pelas plantas são consideradas verdades absolutas, e mais, as visões seriam a verdade. Para estas civilizações, a vida cotidiana seria uma ilusão ou um período transitório (Labete e Araújo, 2002). O verdadeiro aspecto da vida na Terra é aquele contemplado nas visões sob o efeito do chá. A planta revelaria as coisas como elas realmente são, revelaria a essência dos seres, e neste caso todos seriam iguais, todos com aspecto humano, mas não são homens e sim seres da natureza que vivem em um espaço próprio, onde eles vêem tudo e sabem de tudo (Labete e Araújo, 2002).

A Ayahuasca é considerada, ainda, como sendo a fonte de todo o conhecimento necessário para se viver corretamente em todos os aspectos (pessoal, moral, social, espiritual, ancestral, com os animais, plantas e seres sobrenaturais). Por fim, destacamos a crença indígena nos efeitos terapêuticos da planta que é ao mesmo tempo aquilo que permite o diagnóstico, bem como a cura para inúmeros males (Labete e Araújo, 2002).

Assim, a Ayahuasca, para as tribos indígenas, seria a ferramenta para a compreensão da natureza (Deus e vida), além de indicar a identidade social e a autonomia da tribo.
A Ayahuasca nas religiões contemporâneas

O SANTO DAIME (CULTO ECLÉTICO DA FLUENTE LUZ UNIVERSAL)

O Santo Daime foi criado em Rio Branco (AC), por um seringueiro chamado Raimundo Irineu Serra. O chá é feito com a união das plantas: o cipó é o elemento masculino e a folha o feminino. A palavra Daime vem do verbo “dar” mais o pronome “me”, como um pedido: – “Dai-me força, dai-me luz” (Labete e Araújo, 2002).

Os rituais na religião do Daime são designados “trabalhos” que se aplicam sobre o corpo e o pensamento (Labete e Araújo, 2002; Macrea, 1992). A noção de trabalho nomeia o “trabalho espiritual” que tem como suporte o corpo em sua totalidade, essas ações dizem respeito a atitudes corporais visando à adaptação do jovem (neófito) ao sistema. O “trabalho” significa uma multiplicidade de técnicas que têm o corpo por suporte: “fardamento”, concentração, coordenação de movimentos, o cântico de hinos e os efeitos físicos da bebida. Salienta-se que é preciso aceitar os códigos de conduta no interior do sistema, com destaque para a obediência, a humildade e o amor a todos os irmãos (Labete e Araújo, 2002; Macrea, 1992). A bebida é considerada instrumento de acesso ao “mundo espiritual”, que só pode ser conseguido através do conjunto de técnicas que induzem efeitos previstos e prescritos pelo sistema (Labete e Araújo, 2002; Macrea, 1992).

As técnicas corporais variam com a idade, são divididas em relação ao sexo e instituem identidade e posição social (Labete e Araújo, 2002). Existem inúmeras técnicas no “daimismo”. Podemos citar, por exemplo: “técnicas do nascimento e da obstetrícia” – nas quais o chá é utilizado por mulheres grávidas como proteção e facilitador do parto. Em geral, as mulheres daimistas têm seus filhos em casa e aconselha-se que tomem o Dai-me (Labete e Araújo, 2002). Os recém-nascidos recebem uma gota de Daime em sua boca, podendo continuar a recebê-lo ao longo da vida, de acordo com a decisão dos pais (Labete e Araújo, 2002). O batismo consiste em colocar na boca do batizando uma pitada de sal, seguido de algumas gotas de Daime e o derramamento de uma pequena quantidade de água sobre a cabeça do neófito; são exemplos ainda as “técnicas da infância, as técnicas da adolescência e as técnicas de cuidados corporais”, “técnica do consumo” (Labete e Araújo, 2002).

O ritual de preparo do chá é realizado na última lua nova do mês, recaindo em um fim de semana, quando então é feita a limpeza das plantas. Em seguida, prepara-se a infusão a partir dessas plantas (iniciando o cozimento da folha e do cipó em camadas alternadas), indo ao fogo três vezes, representando o firmamento do sol, lua e estrela. Em seguida, ocorre a ingestão junto aos cânticos dos hinos (Labete e Araújo, 2002; Macrea, 1992).

Destaca-se, entre os usuários do Daime, o reconhecimento de sua ação terapêutica. A interpretação simbólica da doença é constituída através de noções cristãs como o arrependimento e o perdão, apontando para a necessidade de uma transformação ética, conseguida com a utilização do chá, devidos aos seus poderes na mente humana (Labete e Araújo, 2002). Os conceitos kardecistas juntam-se às concepções cristãs na organização das explicações daimistas de doença e cura (Labete e Araújo 2002; Macrea, 1992).

A BARQUINHA (CENTRO ESPÍRITA E CULTO DE ORAÇÃO CADA DE JESUS E FONTE DE LUZ)

Essa religião foi criada no Acre, onde se restringe até hoje (http://members.tripod.com/bmgil/aws08.html). Possui influencias de práticas religiosas, tais como catolicismo popular, xamanismo indígena, religiões afro-brasileiras e filosofia do Circulo Esotérico da Comunhão do Pensamento. O elemento principal é o Daime, de onde os participantes adquirem uma percepção diferenciada da realidade, entrando em um estado alterado de consciência (Labete e Araújo, 2002).

Uma das características reside no fato dos símbolos estarem relacionados ao mar. A barca e os seus integrantes têm dois significados: o primeiro é o de que ela representa a missão deixada por seu criador (marinheiro, filho de escravos) e o segundo expressa a viagem de cada um pelo mar, representando a viagem/passagem do ser humano pela vida (Labete e Araújo, 2002).

A UNIÃO DO VEGETAL

Existem hoje, cerca de cinco mil pessoas ligadas à União Vegetal (UDV) em diversos locais do país. Seus participantes ingerem o chá em sessões noturnas quinzenais regulares, em sessões anuais e datas comemorativas cristãs. Essa doutrina poderia ser denominada como cristianismo espiritualista, com influências orientais e de outras religiões (Labigaline, 1998).

Além da crença nessas idéias, a instituição desenvolveu um conjunto de regras, sanções e valores morais que facilitam a evolução espiritual, segundo seus membros. A infidelidade conjugal, o uso de álcool e outras substâncias psicoativas são exemplos de práticas desaconselhadas por seus membros. A instituição foi lentamente se hierarquizando e hoje seus membros estão divididos em mestres, conselheiros e discípulos (Labigaline, 1998).

Os rituais são dirigidos pelo Mestre Geral Representante de cada núcleo, não existem mulheres nesta função. A diferença hierárquica existe também na divisão de atividades do núcleo, como o preparo do chá, lanches e refeições que são servidos nos dias de trabalho e rituais (Labigaline, 1998).

O uso do chá por seus membros é visto como uma forma de atingir um estado de êxtase e lucidez espiritual. O Mestre dosa, segundo sua impressão, a quantidade que cada indivíduo deve receber, não excedendo um copo americano (150 a 200 mL) (Labigaline, 1998). Os usuários experientes têm muito cuidado na escolha das pessoas e do local onde é realizado o ritual (Labigaline, 1998). Na presença de pessoas iniciantes ou pouco conhecidas pelo grupo, esses devem estar sempre acompanhados de um usuário experiente e geralmente esses realizam uma preleção coletiva com a finalidade de atenuar ao máximo a possibilidade do surgimento de reações adversas e para proteção da experiência grupal (Labigaline, 1998).

Nesta preleção, realiza-se um planejamento do ritual considerando-se aspectos tais como: combinações prévias daquilo que os participantes podem realizar, preparação da alimentação que será ingerida durante ou após o ritual, se serão utilizados ou não tranqüilizantes para pessoas que passem por uma “viagem ruim” e se haverá ou não algum tipo de comunicação verbal entre os participantes durante a experiência (Labigaline, 1998). Quando os efeitos começam a surgir, o Mestre circula entre os participantes perguntando se “há burracheira1“ ou se os efeitos começaram a surgir (Labigaline, 1998). Durante as duas horas seguintes ocorrem vários períodos de silêncio, interrompidos por chamadas ou canções que evocariam os espíritos protetores, cantados geralmente por um dos Mestres (Labigaline, 1998). Se alguém desejar sair, deve solicitar ao Mestre e seguir o sentido anti-horário da mesa (Labigaline, 1998). Esta doutrina mostra-se extremamente cuidadosa, organizada e fundamentada em seus conceitos e valores morais e religiosos.


1 Burracheira: “É o nome dado ao efeito da Ayahuasca no espírito humano, e significa ‘força estranha’. Revela a dimensão espiritual e a existência do Sagrado. Durante o tempo que esta força se manifesta, o discípulo experimenta grande clareza e discernimento e recebe ensinamentos sobre a própria existência. A burracheira nem sempre é uma experiência fácil, embora seja sempre benéfica e purificadora” (http://www.uniaodovegetal.org.br/udv/index.html).


Aspectos botânicos, químicos e farmacológicos da Ayahuasca


Características botânicas e químicas das plantas utilizadas na preparação do chá

O cipó Banisteriopsis caapi é da família Malpighiaceae, nativa da Amazônia e dos Andes. Possui em sua composição alcalóides ß-carbolinas inibidoras da MAO, sendo que os de maior concentração são: harmina, harmalina, tetra-hidro-harmalina. A concentração desses alcalóides varia de 0,05% a 1,95% (McKenna et al., 1998).

A Psycotria viridis, planta da família Rubiaceae, possui em sua composição o alcalóide derivado indólico N, N-dimetiltriptamina (DMT) em concentração de 0,1% a 0,66% que age sobre os receptores da serotonina (McKenna et al., 1998).

Baseado em análises quantitativas do chá, 200 mL de Ayahuasca possui 30 mg de harmina, 10 mg de tetra-hidro-harmalina e 25 mg de DMT (McKenna et al., 1998). Em camundongos, 5 mg/kg de harmalina causa cem por cento de inibição motora por duas horas (McKenna et al., 1998). Essa dose seria em adultos o equivalente a 375 mg em 75 kg, porém, é provável que metade dessa dose também tenha efeito (McKenna et al., 1998). Como são inibidoras da monoaminoxidase (MAO), as ß-carbolinas podem aumentar os níveis de serotonina no cérebro e os efeitos primários de altas doses dessas substâncias é a sedação provocada pelo bloqueio da desaminação da serotonina (McKenna et al., 1998). No chá da Ayahuasca, as ß-carbolinas inibem a MAO, protegendo o DMT da degradação pela mesma, (McKenna et al., 1998).

Mecanismo de ação do DMT e das ß-carbolinas

O RECEPTOR DA 5-HIDROXITRIPTAMINA – SEROTONINA

Antes que se possa entender o mecanismo de ação dos alcalóides encontrados no chá da Ayahuasca, faz-se necessário o entendimento do mecanismo endógeno. A serotonina 5-hidroxitriptamina (5-HT) se distribui amplamente nos tecidos animais (Katzung, 1998). Na glândula pineal, atua como precursora da melatonina, um hormônio estimulador dos melanócitos (Katzung, 1998). Mais de 90% da serotonina do organismo são encontradas nas células enterocromafins do trato gastrintestinal (TGI) (Katzung, 1998).
No sangue, a serotonina é encontrada nas plaquetas, que são capazes de concentrar a amina por meio de um mecanismo transportador ativo (Katzung, 1998). É encontrada também, nos núcleos da rafe do tronco cerebral, que contém corpos celulares de neurônios triptaminérgicos (serotoninérgicos) que sintetizam, armazenam e liberam a serotonina como seu transmissor (Katzung, 1998).

Os neurônios serotoninérgicos cerebrais estão envolvidos em diversas funções como sono, humor, regulação da temperatura, percepção da dor e regulação da pressão arterial (Katzung, 1998). Pode estar envolvida ainda, com condições patológicas, tais como depressão, ansiedade e enxaqueca. Neurônios serotoninérgicos são encontrados, também no sistema nervoso entérico do TGI e em torno dos vasos sangüíneos (Katzung, 1998). A serotonina é metabolizada pela MAO em 5-hidroxin-dolacetaldeído (Katzung, 1998).

A serotonina exerce muitas ações mediadas por receptores na membrana celular. O receptor 5-HT1a tem distribuição pelos núcleos da rafe e hipocampo, diminuindo o AMP cíclico e levando à hiperpolarização da membrana causada pelo aumento da condutância de K+. O receptor 5-HT1b aparece no globo pálido e gânglios da base e sua estimulação leva à diminuição do AMPc. O receptor 5-HT1c ocorre no coróide e hipocampo gerando também, aumento do IP3 nesses locais (Katzung, 1998).

O 5-HT2 distribui-se pelas plaquetas, músculo liso, córtex cerebral e fundo do estômago, causando aumento do IP3 (Katzung, 1998). Esse aumento de IP3 significa, ao final do mecanismo, aumento da secreção e da motilidade desses órgãos e tecidos.

Os principais efeitos da serotonina no sistema cardiovascular são: contração do músculo liso e vaso constrição potente (exceto em músculos esqueléticos e no coração); no coração causa vasodilatação e agregação plaquetária ocasionada pela ativação do 5-HT2 de superfície (Katzung, 1998). No TGI, causa contração da musculatura lisa, aumentando tônus e facilitando o peristaltismo. A produção excessiva de serotonina em tumores associa-se à diarréia intensa (Katzung, 1998).

Sobre a respiração, a serotonina tem pequena ação estimulante do músculo liso bronquiolar (Katzung, 1998). No sistema nervoso, essa substância é estimuladora potente das terminações nervosas sensoriais para dor e prurido, além disso, é ativadora potente das terminações quimio-sensíveis localizadas no leito vascular coronário, associada à bradicardia e hipotensão (Katzung, 1998).

A DIMETILTRIPTAMINA

O dimetiltriptamina (DMT) é um potente alucinógeno quando usado por via parenteral na dosagem de 25 mg (McKenna et al., 1998). Sua ação é agonista dos receptores 5-HT1a, 1b, 1d e do 5-HT2a e 2c. Porém, por via oral, ele é inativado através da desaminação sofrida pela ação da enzima MAO intestinal e hepática. Os efeitos aparecem de 30 a 45 minutos, aproximadamente, e podem durar até quatro horas (Mckenna et al., 1998).

AS ß-CARBOLINAS

As ß-carbolinas têm propriedades alucinógenas (Caze-nave, 1996) e, portanto, contribuem para a atividade da bebida Ayahuasca. Como são inibidoras da MAO, as ß-carbolinas inibem a desaminação intestinal do DMT possibilitando a chegada deste ao cérebro, mesmo por via oral (Callaway et al. 1999). Além disso, elas ainda aumentam os níveis de serotonina, dopamina, norepinefrina e epinefina no cérebro. Os efeitos sedativos primários de altas doses de ß-carbolinas são resultantes do bloqueio da desaminação da serotonina (Cazenave, 1996). A tetra-hidro-harmina (THH) é a segunda ß-carbolina mais abundante no chá e atua como um fraco inibidor da recaptação do receptor 5-HT e inibidor da MAO, portanto, o THH pode prolongar a meia vida do DMT por bloquear a sua recaptação intraneuronal (McKenna et al., 1998). Por outro lado, a THH pode bloquear a recaptação neuronal da serotonina, resultando em altos níveis de 5-HT na fenda sináptica e pode atenuar os efeitos da ingestão oral do DMT por competir com os sítios receptores pós-sinápticos (McKenna et al., 1998).

A ação da bebida se deve, portanto, à interação das ß-carbolinas com o DMT presentes nas plantas, que juntas potencializam as propriedades alucinógenas de ambas isoladas, levando-se em consideração que as ß-cartolinas aumentem as concentrações de DMT.

Os principais efeitos da Ayahuasca

Os efeitos subjetivos são visão de imagens com os olhos fechados, delírios parecidos com sonhos e sensação de vigilância e estimulação. É comum ocorrer hipertensão, palpitação, taquicardia, tremores, midríase, euforia e excitação agressiva (Cazenave, 2000). Náuseas, vômitos e diarréia são comuns e podem estar associadas à ação no receptor 5-HT2.

Certas ß-carbolinas foram identificadas como causadoras de efeitos comutagênicos2 e o mecanismo parece estar associado à interação destas substâncias com os ácidos nucléicos (McKenna et al., 1998). Essas substâncias, por serem inibidoras da MAO, podem causar a denominada síndrome serotoninérgica (Katzung, 1998), que é uma das patologias mais graves ocasionadas pelo excesso de serotonina (McKenna et al., 1998).

2 O termo co-mutagênico significa que a substância poderá ativar algum mecanismo mutagênico. A harmina, por ela mesma, não possui atividade mutagênica, portanto, foi chamada de co-mutagênica (Umezawa et al., 1978).

A ação alucinógena conhecida como “miração” é uma manifestação específica e freqüente, caracterizada por visões de animais, “seres da floresta”, divindades, demônios, sensação de voar, substituição do corpo pelo de outro ser (homem ou animal), dentre muitas outras, de acordo com a experiência individual (Cazenave, 2000). A Ayahuasca pode promover ilusões visuais, auditivas, olfativas e dos demais sentidos (Labigaline, 1998). Os chamados “estados alterados de consciência” provocados pelo chá podem ser considerados como alterações da percepção, cognição, volição e afetividade (Labigaline, 1998).

A avaliação de intensidade de efeitos da Ayahuasca foi realizada através da aplicação da Escala de Mensuração dos alucinógenos (Hallucinogen Rating Scale [HRS]), uma hora depois de cessados os efeitos da ingestão de cerca de 150 mL do chá (Labigaline, 1998). Foram encontrados resultados semelhantes a uma dose intravenosa de 0,1 a 0,2 mg/kg de DMT nos espectros de intensidade, afeto, cognição e volição (Labigaline, 1998). No agrupamento de percepção, foi comparável com 0,1 mg/kg de DMT e no agrupamento de sinestesia foi inferior à menor dose de DMT intravenosa utilizada (0,05 mg/kg) (Labigaline, 1998).

A maioria dos alucinógenos que atuam sobre o receptor 5-HT leva ao fenômeno de tolerância, que se caracteriza pela necessidade de doses cada vez maiores para se conseguir os mesmos efeitos ou da diminuição do efeito inicial, quando a mesma dose é utilizada (Labigaline, 1998). O DMT mostrou-se uma exceção em estudo feito 1997, onde foi demonstrado que essa substância, em uso isolado, não levou ao desenvolvimento de tolerância crescente após doses subseqüentes (Labigaline, 1998).

OS ESTADOS ALTERADOS DE CONSCIÊNCIA

A palavra consciência, na língua portuguesa, pode ter um sentido ético, aparecendo como um juízo de valor ou um sentido psicológico, caracterizando uma tomada de conhecimento da realidade (Labigaline, 1998). A psicologia abre distinção de duas ordens de fenômenos na atividade psíquica: aqueles que temos conhecimento direto e imediato e aqueles que são revelados de forma especial ou por meios indiretos, dessa forma, a consciência representaria apenas uma parte da nossa psiquê (Freud, 1969).

Consciência do eu, existe em todas os processos psíquicos, seja como percepção, sensação do corpo, recordação, pensamento, sentimento, do eu pessoal, e chama-se personalização (Jaspers, 1954). Pressupõe também a consciência do corpo físico, a forma, a posição, os limites e os movimentos do corpo resultando da integração de todas as sensações: táteis, dolorosas e visuais (Jaspers, 1954).

Os chamados estados alterados de consciência podem ser classificados em três conjuntos: embotamento ou entorpecimento, que se caracteriza pela diminuição ou perda da amplitude ou claridade da vivência, comum em quadros confusionais relacionados a processos tóxicos orgânicos, como a uremia; o estreitamento compreende, particularmente, a redução da amplitude fenomênica do campo da consciência, e que se apresenta em situações como sonambulismo, possessão, transes mediúnicos e estados de êxtase religioso; e o terceiro grupo, a obnubilação ou turvação, em que estão presentes entorpecimento importante, alteração do juízo de realidade e ideações anormais, com variações importantes dependendo da etiopatogenia do quadro, tais como delirium tremens, estados crepusculares epiléticos e amência (Nobre de Melo, 1981).

Dentro deste modelo teórico descrito acima, pode-se caracterizar o estado de consciência induzido pela Ayahuasca, em contexto religioso, como um estreitamento da consciência (Labigaline, 1998). Tal alteração pode ser chamada de onírica, por guardar semelhanças com os sonhos (Mayer-Gross, 1969). Em contexto toxicológico, o estado de consciência pode ser classificado como turvação com alteração do juízo de realidade, onde está presente entorpecimento importante.

Existem trabalhos que propõem quatro características encontradas nos estados alterados de consciência (Labigaline, 1998): (1) Inefabilidade: algo que não pode ser explicado com palavras em nenhum relato adequado do seu conteúdo. A sensação necessita ser experimentada diretamente, não pode ser comunicada ou transferida a outros; (2) Qualidade noética: semelhantes a estados de sentimento, estados de conhecimento, estados de visão interior dirigida a profundezas da verdade não indagadas pelo raciocínio. São revelações, cheias de significado e importância; (3) Transitoriedade: não podem ser mantidos por muito tempo; (4) Passividade: sensação de que a própria vontade está adormecida e de que está sendo agarrado por uma força superior.


Metodologia


Com a finalidade de conhecer e atualizar a produção científica sobre o uso de Banisteriopsis caapi e Psycotria viridis, considerando-se aspectos antropológicos, toxicológicos e farmacológicos das substâncias ativas destas plantas, utilizou-se as seguintes estratégias:
  1. Investigação bibliográfica retrospectiva, por meio da busca de base de dados bibliográficos como Medline (National Library of Medicine), Toxnet, SBTOx (Sociedade Brasileira de Toxicologia), Bireme (Biblioteca Regional de Medicina), Pubmed, Bibliomed e Farmatox (Red Temática Virtual de Farmacología y Toxicología). A base de dados Medline é a mais amplamente utilizada em âmbito internacional, uma vez que analisa mais de 3.200 revistas de caráter biomédico;
  2. Uma observação rigorosa, não apenas das bases de dados, mas também de publicações referenciadas em outros trabalhos encontrados em sites relacionados ao uso de substâncias psicoativas como Senad (Secretaria Nacional AntiDrogas), OBID (Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas) e Abead (Associação Brasileira de estudo de Álcool e outras Drogas);
  3. Foram ouvidos voluntários que relataram os efeitos produzidos pelo uso do chá em contexto ritual, os quais se disponibilizaram, uma vez que não foram identificados de forma a respeitar a sua privacidade.
Para cada uma das estratégias a busca foi realizada utilizando-se vocabulário controlado, o que garantiu a pertinência dos resultados encontrados. Foram selecionadas as publicações que permitissem atualização dentro dos objetivos almejados.


Depoimentos de usuários


Neste trabalho, “membros” das seitas ofereceram-se, voluntariamente, para manifestar suas opiniões a respeito do assunto. Como os relatos foram espontâneos, não foram identificadas suas iniciais, sendo transcritos somente seus depoimentos.

Abaixo os relatos das experiências físicas e as mirações obtidas durante a burracheira.

“Na minha primeira experiência participei de todo o ritual na UDV e demorou um pouco para começarem os efeitos. De repente, comecei a ficar meio letárgico e aí eu vi o índio gigante ao redor da mesa, trazendo a burracheira”.

“Cheguei na beira de um barranco que tinha um buraco, coloquei o rosto no buraco pra ver o que tinha dentro, mas tive medo de olhar. Aí comecei a ouvir um barulho de mãos me chamando para entrar e uma voz disse: – Ele tá com medo, ele não vai vir! – Aí coloquei a cabeça no buraco e vi muitas luzes brilhando lá no fundo e escorreguei pra dentro. Nesse momento, tive a sensação do parto, era como se estivesse saindo do ventre da minha mãe. Ao meu redor, surgiram borboletas, daí não tive mais medo”.

“Lembro de tudo nitidamente. Eu via seres da floresta carregando lixo da floresta para dentro de uma caminhonete. Muitos seres e muito lixo. Então perguntei para um deles: – O que é isso? – um dos seres me respondeu – São as suas máscaras, você não pode ver ainda...!”.

“Se a pessoa está aprisionada ao ego ela pode se sentir muito mal. Transporte para um mundo feio, ruim. Sentir náusea, diarréia é o que chamamos de PEIA, significa o indivíduo passando mal”.

“Senti a presença da Nossa Senhora, a mãe Divina, mas não tive condições espirituais de olhá-la. Foi muito maravilhoso”.

“Eu não vomitei nenhuma das vezes”.

“Na primeira vez passei muito mal, com vômitos excessivos, taquicardia, não conseguia manter-me em pé, tinha medo, não conseguia dormir, mas isso aconteceu porque eu havia caminhado muito e esses efeitos são um processo de limpeza do organismo. No dia seguinte, estava super bem, levinha, sentia a pele limpa, como se estivesse hidratada. A única vez que tive uma miração, senti-me voando, sentia flutuar acima do meu corpo, elevada acima das pessoas e sentia a presença na sala de pessoas que não estavam, com vestes reluzentes verdes e brancas. Nem todas as vezes vomito, isso só quando me desconcentro do hinário.”

Sobre as mudanças observadas na personalidade e saúde e a perspectiva de uso do chá.

“O que mudou foi à ferramenta de autoconhecimento. Benefício de imunidade eu diria que sim, porque sou convicto de que o bem-estar físico vem da boa conectividade com a divindade”.

“É possível atingir as mirações sem o chá. O daime não é o único caminho. Eu diria que, para mim, foi necessária essa ferramenta para controlar o meu ego”.

“Nunca vi alguém necessitar de aumento da dose. Eu não sinto necessidade de tomar o chá”.

“Se um cara tomou o chá e teve uma miração que, por exemplo, a inveja atrapalha a vida dele e depois sente inveja quando vai tomar o chá novamente este ‘cobra’ dele e aí ocorre a PEIA. O sofrimento, o arrependimento gerado que causa a redenção”.

“O daimismo é um recurso espiritual extremamente privilegiado, não se deve tratar com preconceito uma cultura milenar que traz um contato com a natureza. O Daime é o Santo Graal da busca pela felicidade”.


Discussão


O padrão de utilização da Ayahuasca

Deve-se levar em consideração dois tipos de uso para substâncias psicoativas: o recreativo, caracterizado pelo uso esporádico, onde não se observa nenhum prejuízo na vida do indivíduo; e o abusivo, definido como intenso, ocupando espaço maior na vida do indivíduo, prejudicando-o em algumas situações como a tolerância, dependência e compulsão em relação à substância (Labigaline,1998).

A utilização do chá da Ayahuasca pelos adeptos das religiões da UDV e Santo Daime, parece ser, de acordo com a pesquisa realizada neste trabalho, exclusivamente religiosa, não caracterizando abuso ou uso para fins ilícitos, podendo ser, portanto, classificado de acordo com o modelo acima, como recreativo.

Os usuários mostram-se convencidos dos benefícios da utilização ritual, no aspecto espiritual e físico, demonstrando o caráter puramente religioso dessa utilização.

Não foram observadas, neste trabalho, razões para se acreditar no uso do chá como mais um alucinógeno, como por exemplo, LSD e o êxtase. Porém, existem trabalhos que citam a possibilidade de ocorrer este tipo de uso, sendo este associado à massificação dos cultos religiosos mascarando a finalidade ritual das seitas (Cazenave, 2000).

Os motivos que levam os indivíduos à procura desta substância são ainda obscuros, mas há razões para se acreditar na busca individual de resgate do contato com a natureza e a mudança nos padrões religiosos cristãos. O uso ritual aconteceu ao longo de toda a história da humanidade desde os seus tempos remotos e sempre foi restrito a ritos bem delimitados, com finalidades bem claras e fortemente inseridos na cultura dos povos iletrados (Labigaline, 1998).

Relação da utilização ritual com os efeitos tóxicos

Observa-se que as técnicas e sanções utilizadas no Santo Daime, Barquinha e UDV não levam em consideração os possíveis efeitos tóxicos das substâncias presentes no chá. Efeitos observados comumente como náuseas, vômitos e diarréia, podem gerar reações mais graves no organismo, como desidratação e descompensação eletrolítica, sendo que esse agravamento mostra-se ainda mais sério no caso das crianças, que também são usuárias desde o nascimento, dependendo da decisão dos pais.

Um fator a ser considerado é a obrigatoriedade de se consumir o chá com estômago vazio e ingerir somente alimentos leves nas semanas antecedentes à utilização. Isto se deve a presença de uma substância chamada tiramina (que pode ser encontrada em queijos, por exemplo) que é uma molécula metabolizada pela MAO, podendo atingir níveis tóxicos devido à inativação da enzima causada pelo chá. Portanto, alimentos que possuem tiramina devem ser evitados antes da utilização do chá. As razões pelas quais alguns indivíduos apresentam distúrbios eméticos e outros não, permanecem obscuras.

O uso do chá por gestantes, como protetor e facilitador do parto, pode ser um ponto crítico, pois certas ß-carbolinas possuem ação comutagênica (Umezawa et al., 1978).

A síndrome serotoninérgica parece ser o efeito mais grave das substâncias presentes no chá da Ayahuasca (Assis, 1996; Cazenave, 2000), porém, não foi observado nenhum caso durante este trabalho.

Esses efeitos parecem ser ignorados pelos usuários, pois estes consideram essas ações como purificação ou um estado de não entendimento da divindade e, portanto, não são tomadas as devidas atitudes para a proteção do organismo.

Perspectivas futuras para a utilização do chá

Existem relatos de usuários que sofreram intensa transformação de atitudes e de personalidade, trazendo mudanças significativas na vida desses indivíduos. Esses efeitos estariam relacionados à adesão ao ritual que, segundo o daimismo, traz à tona a visão da realidade do mundo (Labigaline, 1998).

Há, ainda, trabalhos que mostram a recuperação de indivíduos que utilizavam álcool e outras drogas pela da utilização do chá no contexto religioso. Esses indivíduos mostravam-se ansiosos e com dificuldades emocionais, que foram substituídas pela relação com a Ayahuasca e com a instituição religiosa (Labigaline, 1998).



Conclusões


O resgate antropológico contribuiu no sentido de mostrar as diferentes maneiras de se utilizar a substância em função das variáveis culturais. E mostrou que, em todos os casos, a utilização do chá segue um padrão de rituais e sanções.

Certamente se mostram necessárias inúmeras pesquisas científicas no sentido de tornar essa utilização segura para os adeptos e para que estes se conscientizem dos danos ao organismo que essas substâncias podem causar. As que parecem ser mais importantes após a realização deste trabalho são:

  • Utilização em gestantes e mulheres em idade fértil;
  • Utilização em crianças ao nascer e ao longo do crescimento;
  • Poder emético (reatividades individuais à ingestão do chá);
  • Recuperação de usuários de drogas.
Este trabalho permitiu uma visão mais ampla e completa das razões que levam um indivíduo a procurar essas alternativas, mesmo que extremamente pessoais. A pesquisa fundamenta o conhecimento para que a sociedade possa, sem preconceitos, entender e respeitar a cultura, pois é dessa forma que conseguimos informações importantes para tornar esta utilização segura, durante a exposição de seus usuários.


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*Ayahuasca: Uma abordagem toxicológica do uso ritualístico
sca: Uma abordagem toxicológica do uso ritualístico

Maria Carolina Meres Costa1
Mariana Cecchetto Figueiredo2
Silvia de O. Santos Cazenave3





1 Farmacêutica-Bioquímica.2 Farmacêutica-Bioquímica. Mestranda em Clínica Médica pelo Departamento de Farmacologia e Toxicologia - CPQBA da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
3 Professora Titular de Toxicologia e Diretora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Pontifícia Universidade de Campinas (PUC-Campinas). Perita Criminal de Toxicologia Forense do Núcleo de Perícias Criminalísticas de Campinas.

Endereço para correspondência:Rua Ruy Pupo de Campos Ferreira, 335, Jardim Campos Elíseos – 1306-243 – Campinas – SP.
Tel: (19) 3227-5703; Fax: (19) 3227-6913; e-mail:
carol_meres@yahoo.com.br




Órgão Oficial do Departamento e Instituto de Psiquiatria
Faculdade de Medicina - Universidade de São Paulo