terça-feira, 28 de outubro de 2014

DÉJÀ VU,UM FENÔMENO INSTIGANTE

DÉJÀ VU É UM FENÔMENO INSTIGANTE

O fenômeno se traduz por uma estranha impressão de já ter vivenciado a cena presente e mesmo saber o que se vai passar em seguida, ainda que a situação que esteja a ser vivida seja inédita. Conhecido como déjà vu, ou paramnesia (como também é conhecido), tem sido, ao longo dos anos, objeto das mais díspares tentativas de interpretação. Para Sigmund Freud, as cenas familiares seriam visualizadas nos sonhos e depois esquecidas e que, segundo ele, eram resultado de desejos reprimidos ou de memórias relacionadas com experiências traumáticas. Fabrice Bartolomei, Neurologista francês, a paramnesia é resultado de uma fugaz disfunção da zona do córtex entorrinal, situado por baixo do hipocampo e que se sabia já implicada em situações de "déjà vu", comuns em doentes padecendo de epilepsia temporal. 

Experiências, conduzidas por investigadores do Leeds Memory Group, permitiram recriar, em laboratório e através da hipnose, as sensações de "déjà vu". Outros dados explicam que situações de stress ou fadiga possam favorecer, nesse contexto disfuncional, o aparecimento do fenômeno, mas a causa precisa deste "curto-circuito" cerebral permanece, ainda, uma incógnita. 

Muitos de nós já tivemos a sensação de ter vivido essa situação que acabamos de relatar. Como já ter estado em um determinado lugar ou já ter vivido certa situação presente, quando, na realidade, isto não era de conhecimento anterior? Em alguns casos, ocorre a habilidade de, até, predizer os eventos que acontecerão em seguida, o que é denominado premonição. Seria um bug cerebral, premonição ou mera coincidência? A psiquiatria e a Doutrina Espírita explicam esta questão de formas diferentes. 

Sabe-se que nossa memória, às vezes, pode falhar e nem sempre conseguimos distinguir o que é novo do que já era conhecido. "Eu já li este livro?" - "Já assisti a este filme?" - "Já estive neste lugar antes?" - "Eu conheço esse sujeito?" Estas são perguntas corriqueiras de nossa vida. No entanto, essas dúvidas não são acompanhadas daquele sentimento de estranheza que é indispensável ao verdadeiro déjà vu. Para alguns estudiosos, quando a sensação de familiaridade com as situações, lugares ou pessoas desconhecidas é freqüente e intensa, pode, até, ser um dos sintomas da epilepsia, na área do cérebro responsável pela memória, mas, essa mesma sensação pode indicar outros sintomas. Déjà Vu é um fenômeno anímico muito comum , embora de complexa definição científica.

Pode ocorrer com certa freqüência em indivíduos com distúrbios neuropatológicos, como a esquizofrenia e a epilepsia. Mas há, também, outras predisposições maiores por fatores não patológicos, como fadiga, estresse, traumas emocionais, excesso de álcool e drogas. Há, ainda, as teorias da psicodinâmica, da reencarnação, holografia, distorção do senso de tempo e transferência entre hemisférios cerebrais. São tão complexas as análises, que especialistas reagem contra a limitação do "vu", que restringiria ao mundo do que pode ser "visto", e já utilizam formas paralelas que fariam referência mais específica aos vários tipos de situação: "déjà véanus" ("já vivido"), "déjà lu" ("já lido"), "déjà entendu" ("já ouvido"), "déjà visité" ("já visitado") - o que pode, um dia, acarretar um "déjà mangé" ("já comido") ou um "déjà bu" ("já bebido").

Os especialistas, ainda, não sabem, concretamente, como ocorre, exatamente, a sensação do déjà vu em pessoas não epilépticas. A que ocorre em pessoas com a doença, no entanto, existem algumas hipóteses, como a batizada, pelo psicólogo Alan Brown, de "duplo processamento". (1) Segundo o psicólogo Alan Brown, professor da Universidade Southern Methodist, nos Estados Unidos, e autor do livro "The Déjà Vu Experience" (a experiência do déjà vu), dois terços da população mundial relatam ter tido, ao menos, um déjà vu na vida. 

Para os conceitos espíritas tudo o que vemos e nos emociona, agradável ou desagradavelmente, nesta e nas encarnações pretéritas, fica, indelevelmente, gravado em alguma parte da região talâmica do cérebro perispiritual, e, em algumas ocasiões, a paramnesia emerge na consciência desperta. Pode, também, ser uma manifestação mediúnica se o médium entra, em dado momento, em um transe ligeiro, sutil, e capta a projeção de uma forma-pensamento emitida por um espírito desencarnado; essa é outra possibilidade. 

A tese da reencarnação é difundida há milhares de anos. No Egito, um papiro antigo diz: "o homem retorna à vida varias vezes, mas não se recorda de suas pretéritas existências, exceto algumas vezes em sonho. No fim, todas essas vidas ser-lhe-ão reveladas." (2) 

Em que pese serem as experiências déjà vu, segundo o academicismo, nada mais do que incidentes precógnitos esquecidos, urge considerar, porém, que existem situações dessa natureza que não podem ser explicadas dessa maneira. Entre elas, está em alguém ir a uma cidade ou a uma casa, pela primeira vez, e tudo lhe parecer muito íntimo, ao ponto de prever, com exatidão, detalhes sobre a casa ou a cidade; descreve, inclusive, a disposição dos cômodos, dos móveis, dos objetos e outros detalhes que estão muito além do âmbito da precognição normal. "Em geral, as experiências precógnitas são parciais e enfatizam certos pontos notáveis, talvez alguns detalhes, mas nunca todo o quadro. Quando o número de detalhes lembrado torna-se muito grande, temos que desconfiar, sempre, de que se trata de lembranças de uma encarnação passada". (3) 

Apesar de não serem abundantes as publicações e depoimentos sobre o assunto, há teorias que associam o déjà vu a sonhos ou desdobramento do espírito, onde o espírito teria, realmente, vivido esses fatos, livre do corpo, e/ou surgiriam as lembranças de encarnações passadas, como disse acima, o que levaria à rememoração na encarnação presente. (4) Hans Holzer, registra uma história, em que ele descreve a experiência déjà vu: "durante a Segunda Guerra Mundial, um soldado se viu na Bélgica e, enquanto seus companheiros se perguntavam como entrar em determinada casa, em uma cidadezinha daquele país, ele lhes mostrou o caminho e subiu a escada à frente deles, explicando, enquanto subia, onde ficava cada cômodo. Quando, depois disso, perguntaram-lhe se havia estado ali antes, ele negou, dizendo que nunca havia deixado seu lar nos Estados Unidos, e estava dizendo a verdade. Não conseguia explicar como, de repente, se vira dotado de um conhecimento que não possuía em condições normais". (5)

Cremos que a experiência déjà vu é muito profunda e o sentimento é de estranheza. Devemos distinguir um sintoma do outro, pois, cada caso é um caso e nada acontece por acaso. Por ser um fenômeno profundamente anímico, é prudente separarmos as teorias da reencarnação, sonhos ou desdobramentos, das teorias de desejos inconscientes, fantasias do passado, mecanismo de autodefesa, ilusão epiléptica, entre outras, para melhor discernimento do que, realmente, seja uma paramnesia e o que seja, apenas, uma fantasia de nosso imaginário fecundo. 

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

UMA BAD TRIP : A VIAGEM DAS DROGAS PELO CORPO HUMANO

A viagem das Drogas pelo Corpo Humano









Mas bagunça, para valer, é o que se nota, 

Nos órgãos em que fazem escala, 

elas sempre ameaçam criar confusão. 

quando chegam ao cérebro.
















As passageiras comuns vão aos portões de embarque da boca e das narinas.Mas algumas têm direito a um tratamento vip, embarcando mais rápido, direto na veia.
Uma vez acomodadas no sangue, as drogas iniciam a sua viagem pelo corpo humano. A circulação, propulsionada pela turbina do coração, é um transporte a jato, percorrendo cerca de 100 quilômetros de vasos, com conexões para toda parte. A eventual escala no fígado, porém, pode barrar parte das viajantes. Para essa víscera, com função de um policial de fronteira, as drogas não têm visto de entrada no organismo. Afinal, como qualquer substância tóxica, elas acabam causando muita destruição por onde passam. Mas, enquanto as células hepáticas fiscais prendem e liqüidam algumas dessas moléculas criadoras de encrenca, a maioria das turistas baderneiras termina escapando e seguindo em frente — ou melhor, para o alto, em direção ao cérebro. E é ali que causam a maior confusão.
Trata-se, afinal de contas, de um órgão especialíssimo. Da dor de um beliscão à alegria de encontrar um amigo, da imagem de um rosto ao som de uma música, das recordações à imaginação, da fome de comida à sede de conhecimento — a pessoa só sente o que passa pelo cérebro. Para este, por sua vez, emoção, sensação ou razão, tudo é pura eletricidade. Pois suas células, os neurônios, se comunicam através de impulsos nervosos, que nada mais são do que correntes elétricas. Mas para que haja a transmissão de uma mensagem qualquer, é preciso que as células cerebrais secretem as chamadas substâncias neurotransmissoras. "Os neurônios nunca encostam um no outro" descreve o neurologista Esper Cavalheiro, da Escola Paulista de Medicina. "Os neurotransmissores, então, saltam de um neurônio para o outro, passando o impulso elétrico para a frente." A produção dessas substâncias, porém, tem de acontecer na dose exata — se faltam neurotransmissores, a mensagem nervosa se perde no meio do caminho; em compensação, em excesso, são capazes de fazer uma informação ficar reverberando. As drogas, no caso, alteram o comportamento de seus usuários, justamente porque suas moléculas, clandestinas no sistema nervoso, conseguem mexer no nível dos neurotransmissores.
Algumas fazem as substâncias mensageiras jorrar a tal ponto que os impulsos se multiplicam ou começam a trafegar mais depressa. Outras agem de modo inverso: fecham as torneiras dos neurotransmissores nos neurônios, que desse modo passam a trabalhar em câmera lenta. Finalmente, há também as farsantes, que se encaixam nos receptores das células cerebrais, fingindo trazer uma mensagem que, na realidade, não existe. É por isso que os especialistas costumam dividir os milhares de substâncias rotuladas como drogas em três grandes grupos: estimulantes, depressoras e alucinógenas. "Usando essas táticas, as drogas podem induzir todo tipo de sensação", diz Cavalheiro. "No entanto, muitas vezes fica difícil saber detalhes do que aprontam. Em primeiro lugar, porque seu campo de ação, o cérebro, ainda não é completamente conhecido pelos cientistas", admite o pesquisador. 

" Além disso a cada dia descobrimos novas funções para determinados neurotransmissores. Portanto, seguindo esse raciocínio, as drogas que interferem nessas substâncias podem provocar efeitos que, antes, não imaginávamos."Existem, contudo, rastros que permitem aos cientistas presumir ao menos parte do percurso das drogas. Ainda em meados dos anos 50, nos Estados Unidos, certos pesquisadores realizaram uma experiência que acabou se tornando clássica: eles implantaram eletrodos em áreas diferentes do cérebro de cobaias; assim, toda vez que os animais pisavam numa pequena plataforma, os eletrodos aplicavam um levíssimo choque. Em determinadas regiões cerebrais, esse estímulo elétrico parecia ser agradável, pois as cobaias passavam a repetir, cada vez com mais freqüência, as visitas a esse canto especial das gaiolas. Além disso, a tendência era ficarem ali mais tempo, perpetuando o estímulo. A partir daí, alguns cientistas começaram a suspeitar da existência do que chamariam centros de prazer, espalhados pelo sistema nervoso dos quais o mais sensível seria o hipotálamo, na base do cérebro. Certamente, em sua viagem, as drogas devem fazer escalas mais demoradas nessas regiões.
Tal como as cobaias da experiência americana os usuários de drogas também tendem a diminuir os intervalos entre as aplicações dessas substâncias. "É o fenômeno da tolerância: são necessárias quantidades cada vez maiores da substância para que ela produza o mesmíssimo efeito no organismo", define Elisaldo Carlini; professor de Psicofarmacologia na Escola Paulista de Medicina. Ele é, com certeza, uma das maiores autoridades brasileiras no estudo das drogas. Aos 61 anos, já publicou 189 trabalhos sobre o assunto.
Se as drogas, de fato, atuam principalmente nos tais centros de prazer e saciedade do sistema nervoso—uma teoria que ainda provoca controvérsia nos meios científicos—, a passagem delas por aí é traiçoeira. Isso porque, se logo no início despertam alguma sensação agradável para a pessoa, em seguida passam a fazer chantagem: o organismo passa a implorar sua presença. É o que se chama dependência: se antes alguém tomava a droga para sentir determinado efeito, depois é obrigado a tomá-la para seu corpo continuar funcionando direito — o "barato", como dizem os dependentes, já nem importa mais. Um organismo viciado em heroína, por exemplo, precisa da substância tanto quanto qualquer pessoa precisa de alimento. Interromper o consumo da droga é sofrer flagelos piores do que estar faminto, o que já faz, na maioria das vezes, qualquer um desistir da idéia de abandonar o vício. E, no caso, assim como se morre por inanição, insistir na interrupção do uso da heroína, sem acompanhamento médico, costuma ser fatal.

"O tormento físico relacionado ao abandono de qualquer droga é o que os especialistas conhecem por síndrome de abstinência. A da heroína só perde para a do álcool", revela Carlini. O fenômeno acontece, mais uma vez, porque as drogas desregulam o sistema nervoso. Por exemplo, as moléculas dos chamados narcóticos — produtos derivados do ópio, como a heroina — são extremamente parecidas com as de uma família de substâncias que os neurônios fabricam para controlar a dor física e moderar emoções como o medo e a angústia. Assim, além de servirem de anestésico, os narcóticos diminuem a ansiedade e induzem o sono. Mas o uso contínuo das substâncias opiáceas leva o cérebro a poupar suas energias, deixando de produzir os neurotransmissores com moléculas similares às das drogas.O álcool pode agir de maneira semelhante. "Mas para criar tamanha dependência é preciso que uma pessoa beba, com freqüência, tremendas quantidades de bebidas alcoólicas", diz Carlini, que absolve a ingestão cautelosa. 

"Doses moderadas de uísque, especificamente, podem até combater a hipertensão", exemplifica. O álcool é um depressor do funcionamento do sistema nervoso. O mais curioso, porém, é que ele parece agir em etapas, ao chegar ao cérebro. A primeira região a ser deprimida é aquela do comportamento voluntário, na superfície da víscera cinzenta, responsável por decisões do tipo "o que devo e o que não devo fazer". Ou seja, em um só golpe, o álcool derruba a autocensura. Depois de alguns goles, a pessoa passa a liberar pensamentos e emoções que estavam, de alguma maneira, bloqueados—pode, assim, falar mal da sogra, cair na gargalhada, soltar o choro, mostrar o cansaço do dia e adormecer em público.
O próximo passo do álcool no sistema nervoso é ir para as áreas encarregadas da concentração e da coordenação motora. Da mesma forma que a bebida alcoólica, os remédios barbitúricos, criados a partir de 1903, deprimem o sistema nervoso. No entanto, se o cérebro passa a trabalhar em marcha lenta, o fígado fiscal, depois de quebrar as moléculas dessas substâncias, funciona como se tivesse recebido uma injeção de ânimo. Por isso, outros remédios costumam deixar de fazer efeito quando associados ao uso de calmantes — afinal, mal entram na circulação sangüínea, são arrasados pelas células hepáticas. Estas, por sua vez — na trama complexa da mistura de drogas —, são disputadas pelas moléculas de álcool e de barbitúricos, quando ambas chegam na mesma hora ao organismo. Essa briga pode ser fatal para quem engoliu os dois tipos: sem dar conta do recado, o fígado libera a passagem das drogas, que uma vez unidas no cérebro podem provocar a morte. Esse excesso é a overdose, que ao contrário do que muitos imaginam, não é um jeito suave de morrer.
A primeira área do cérebro a entregar o jogo é a que controla a respiração. Resultado: a pessoa morre por asfixia. Pior, graças a um mecanismo de defesa, sempre que falta oxigênio para o organismo, a pessoa fica em estado de alerta. Ou seja, quem morre por ingestão de calmante, em vez de se desligar da vida dormindo, provavelmente fica consciente da enrascada em que se meteu. "Algumas misturas são mais perigosas do que outras", aponta o psiquiatra Marcos da Costa Leite, do Hospital das Clínicas, em São Paulo, que se dedica a casos de alcoolismo. "Existem também vários mitos", adverte. "O álcool não potencializa o efeito da cocaína, por exemplo.” Segundo o médico, o pó branco da família dos estimulantes não costuma ser metabolizado no fígado. "O único perigo é a pessoa alcoolizada perder a noção do que faz e usar mais cocaína do que o tolerável pelo organismo", pondera. 

"Aliás, esse tipo de observação é válido para qualquer mistura de drogas."Normalmente, quando um neurônio libera uma microdose de neurotransmissores, para alcançar os neurônios vizinhos, essas substâncias são reabsorvidas. É justamente essa reabsorção que a cocaína impede, ao ser injetada ou inalada na forma de pó. Ou seja, todas as mensagens que transitam no cérebro, enquanto dura o efeito da droga, ficam reverberando — daí o jeito agitado e confuso do usuário. A linha cruzada de várias informações, depois de certo tempo ou conforme a quantidade da droga no organismo, provoca panes — as convulsões do cérebro, geralmente fatais. Na realidade, as anfetaminas — drogas estimulantes, vendidas em farmácia, mediante autorização médica — podem levar ao mesmo efeito, por um caminho diferente: em vez de as mensagens se repetirem, do ponto de vista químico, elas começam a passar mais depressa.
Os alucinógenos, como o LSD, são drogas peculiares, porque não costumam matar quem as consome. As moléculas de LSD enviam mensagens falsas, especialmente na área do cérebro que se encarrega de compreender aquilo que os olhos registram. Com isso, durante a viagem da substância pelo sistema nervoso, a pessoa passeia por cenários imaginários. "Existem teorias de que a droga danifica os neurônios, mas não estão muito claras", conta o psiquiatra Leite. A maconha, outra alucinógena, também provoca controvérsias. Das mais de 400 substâncias que a compõem, só uma minoria foi isolada. Daí a dificuldade dos cientistas em afirmar que o chamado THC, um dos seus componentes, é de fato o responsável pelo relaxamento muscular e pela perda de noção de tempo, por exemplo. A maconha provoca ainda a liberação de adrenalina, o hormônio que acelera os batimentos cardíacos. O coração então chega a bater cerca de 160 vezes por minuto, quando o normal seria entre 80 e 100. Só para se ter idéia, durante um orgasmo, o músculo cardíaco pode atingir 180 batidas por minuto. Experiências mostram que ninguém morre de overdose dessa droga, cujos efeitos maléficos seriam os mesmos do cigarro de tabaco — o qual provoca dependência, síndrome de abstinência e uma série de males, como câncer de pulmão, embora não seja comercializado por traficantes nem seus usuários perseguidos pela polícia.
  
...e o que acontece quando seu consumo pára bruscamente

Síndrome de abstinência

álcool insônia, irritabilidade, tremores, distúrbios neurológicos que podem levar à morte
cocaína sono, cansaço, depressão, diminuição do apetite
tabaco ansiedade, dor de cabeça, aumento do apetite
maconha em alguns casos, insônia
heroína diarréias e vômitos fortes, provocando morte por desidrataçãoanfetaminas depressão
sedativos ansiedade e, nos casos graves, convulsões

Quando o homem vira pó

Há 5 000 anos, os povos andinos têm o hábito de mascar uma espécie de chiclete, feito com folhas de coca e cal -- substância que libera o princípio ativo da folha, a cocaína. Levada para a Europa pelos conquistadores espanhóis, a coca logo ganhou espaço nos salões nobres. Só em 1857, químicos alemães conseguiram isolar a cocaína. O pó branco, então, foi encarado como um santo remédio para uma série de males -- de dor de dente a resfriado -- e, nessa época, era vendida livremente em farmácias e cafés. Sigmund Freud (1856-1939), um de seus fiéis consumidores, achava que a substância podia tratar casos de depressão. Outro ilustre fã da cocaína era o escritor inglês Conan Doyle (1859-1930). Em um de seus romances policiais, deixou claro que sua famosa criação, o detetive Sherlock Holmes, não conseguia viver sem a droga, que guardava em um “elegante estojo de marroquim”.

Paz em tempo de guerras

Em 1943, Albert Hoffman, um respeitado químico suíço, achou que tinha enlouquecido, ao sintetizar substâncias derivadas do ácido lisérgico. Ele só queria encontrar um remédio para a esquizofrenia e acabou tendo alucinações de toda espécie -- o cientista havia sintetizado o LSD, droga que conquistaria a maioria dos jovens, vinte anos mais tarde. Nos anos 60, enquanto pela primeira vez a televisão mostrava imagens de uma guerra, transmitindo o horror do Vietnã, a juventude protestava contra a violência, num movimento cujo ponto alto foi o histórico Festival de Woodstock. Na verdade, em nenhum canto do planeta havia muita tranqüilidade: no Brasil, por exemplo, explodia o regime militar. Não foi à toa, assim, que duas drogas da moda, naquela década, eram a maconha e a heroína, capazes de apagar da mente um mundo cheio de problemas. O LSD, no entanto, foi a droga mais marcante da época, em parte por influência do americano Thimoty Leary, um ex-professor de psicologia na respeitada Universidade Harvard. Para Leary, a droga celebrava uma nova religião, cujas palavras-chave eram paz e amor.

A erva dos assassinos

Pode-se dizer que as plantas do Grupo Cannabis -- onde se destacam a maconha, o haxixe e o cânhamo -- têm uma tradição secular: elas são mencionadas nos mais antigos textos sagrados hindus, como ervas mágicas, capazes de afastar o perigo de catástrofes e a ira dos inimigos. Não faltam crenças semelhantes na descrição de diversos rituais religiosos primitivos.
No início do século XI a.C., o conquistador ismaelista Hassam ibn Sabbah, por exemplo, fundou uma seita em que a Cannabis era o símbolo divino. Mas, quando não se ocupavam com o espírito, refugiados numa fortaleza entre o Mar Cáspio e o planalto persa, os participantes da seita alimentavam a matéria assaltando caravanas de mercadores -- estes chamavam os bandidos de fumadores de haxixe, cuja expressão em árabe é haschaschne, de que derivou a palavra assassino. Mil anos depois, as invasões árabes na África levaram a erva para esse continente; que chamavam suas folhas de makonia, foram provavelmente seus introdutores nas Américas.

O ópio do povo

Para os antigos sumérios, a papoula e a alegria eram sinônimos -- ao menos, recebiam o mesmo símbolo, nas tábuas de argila inscritas há cerca de 5 000 anos. Há quem suponha, só por isso, que os habitantes da Suméria foram os primeiros consumidores de ópio, narcótico extraído da flor, capaz de proporcionar sensação de bem-estar. Os ocidentais, porém, só viriam a conhecer essa droga por volta do ano 327 a.C, quando os exércitos de Alexandre, o Grande (356 a.C.-323 a.C.) retornaram à Macedônia, depois de terem atravessado a Ásia Menor. A partir daí, o ópio se transformou numa coqueluche entre os europeus. Foram eles, aliás, que introduziram essa mania na China, no final do século XVII.Os chineses, até então, só usavam o ópio como medicamento. Para evitar a disseminação do vício, o imperador Yong-tcheng proibiu a importação da droga. Mas ela continuou entrando no país pelas mãos de contrabandistas ingleses, que trocavam o produto por prata ou ouro. No dia 7 de junho de 1839, ao apreenderem mais de 20 000 caixas da droga, as autoridades chinesas lançaram 1360 toneladas de ópio ao mar. Diante disso, o governo britânico declarou-lhes guerra, em nome da liberdade de comércio. Derrotada, a China teve de entregar Hong Kong aos ingleses, além de abrir seus portos ao comércio europeu. Estima-se que, no final do século XIX, existiam cerca de 120 milhões de toxicômanos nesse país.

Fonte:http://super.abril.com.br/saude/drogas-viagem-pelo-corpo-humano-440187.shtml


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

EQM - EXPERIÊNCIAS DE QUASE MORTE



EQM - Experiências de quase-morte



“Experiências de quase-morte” são mais vívidas que as da vida real…
“É algo que realmente permanece na mente das pessoas como um traço claro e é ainda mais claro do que uma memória real“, disse Vanessa Charland-Verville, neuropsicóloga do Grupo de Ciência de Coma da Universidade de Liège, na Bélgica. Vanessa e a sua equipe, detalhou o estudo online na revista PLoS ONE.
O aspecto da experiência de quase-morte que pode ser objetivamente testado, validado e estudado no contexto de ser ou não real, é na verdade um componente fora do corpo.
[100 - página 186] Dr. Sam Parnia
        O termo experiência de Quase-Morte (EQM) refere-se a um conjunto de sensações freqüentemente associadas a situações de morte iminente que podem ocorrer em ...
  • doentes terminais,
  • pacientes morituros
  • e sobreviventes da morte clínica.
[100 - página 7]        A EQM, juntamente com os relatos de ... 
        Creio que a EQM não seja simplesmente um vislumbre do que ocorre após_a_morte_física, mas uma oportunidade divina, um chamamento de DEUS para uma correção de rota, ou seja, uma chance oferecida para alguns de reflexão sobre as suas vidas, sobre o que realizaram ou deixaram de fazer, o que estava programado na sua caminhada terrena.
  • A recapitulação da vida; 
  • o encontro com o Ser de luz; 
  • os ensinamentos; 
  • as modificações fisiológicas e psicológicas experimentadas pelas pessoas reforçam esta hipótese. 
  • Além do conhecimento que adquiriram, num período curto do tempo terreno, as pessoas que passam por uma EQM voltam com as suas energias recarregadas, com um novo sentido da vida, para aplicar melhor as potencialidades divinas de que são possuidoras. 
        A maneira como enfrentam as mudanças, no exercício do livre arbítrio, norteará todo o progresso de readaptação à nova vida.

(Artigo: Espírito e EQM)
        Graças ao fantástico progresso do conhecimento médico e das técnicas de ressuscitação, cada vez mais um número maior de pessoas vem sobrevivendo a situações clínicas graves, muitas vezes diagnosticadas como morte clínica. Os relatos que uma grande parte dessas pessoas fazem daquilo que viram, ouviram e sentiram durante aqueles instantes em que eram consideradas “quase mortas” e recebiam atendimento médico, apresenta uma nova visâo da morte e da própria vida. Elas falam da certeza de terem vívenciado uma realidade em outro plano da existência, sendo que a maioria descreve...
  • experiências extraordinárias de paz e plenitude,
  • recapitulações de suas vidas,
  • encontros com seres de luz carregados de compaixào, amor e compreensao.
[102 - página 91] - José Roberto Pereira Santos
        A dificuldade com informações anteriores sobre experiências de quase-morte foi que, embora tenham sido descritas por muitas pessoas que de fato estiveram próximas da morte, o potencial completo da experiências de quase-morte não foi compreendido pelos cientistas, os quais a enxergaram como apenas mais um outro estado mental, que poderia ser facilmente explicado por nossa corrente compreensão científica do funcionamento do cérebro.
        Foram precisos o conhecimento, a compreensão e a sensibilidade do Dr. Sam Parnia para ver o potencial completo da experiência de quase-morte (EQM) e a contribuição que ela poderia dar ao nosso entendimento da morte e de seu processo. Ele também percebeu o problema crucial enfrentado atualmente pela neurociência: a_natureza_da_consciência. Sua profunda contribuição foi a de que nossa melhor compreensão sobre a morte pode ser alcançada ao estudar apenas experiências de quase-morte que ocorreram durante uma parada cardíaca, quando o coração pára e após 11 segundos a consciência e a atividade elétrica cerebral cessam, então nenhuma área de função cerebral permanece para manter a consciência. Até os sistemas mais básicos de manutenção da vida são destruídos; reflexos de respiração, freqüência cardíaca e cerebrais estão completamente ausentes — um estado equivalente à morteclínica. O Dr. Parnia percebeu que esse estado, que permanece reversível por cerca de 30 minutos, é o modelo mais próximo de que a ciência dispõe do processo da morte, e fornece um brecha excepcional de compreensão para aquilo que experimentamos como o fim da
 vida.
        Uma das características mais interessantes da experiência de quase-morte, durante uma parada cardíaca, é que, na recuperação, os pacientes algumas vezes relatam ter deixado_seus_corpos e assistirem ao processo de ressuscitação. Embora muitos pesquisadores tenham contestado a veracidade disso, alguns trabalhos sugeriram que muitas dessas narrativas descrevem com precisão o que de fato ocorreu. Essa evidência anedótica sugere que enquanto o funcionamento do cérebro estava ausente, o paciente não apenas teve experiências como também foi capaz de se lembrar delas, mesmo na ausência dos processos cerebrais. Essa é uma possibilidade surpreendente.
        Para a ciência, a pergunta mais importante é: será que a experiência de quase-morte ocorre e a consciência se mantêm quando todas as funções cerebrais estão ausentes — algo que a neurociência atual considera impossível —, ou será que a experiência de quase-morte acontece tanto antes quanto depois da parada cardíaca, embora seja interpretada por quem a expermenta como acontecendo durante a inconsciência?

        As recentes descobertas são tão alarmantes quanto intrigantes, e podem conter a chave para a descoberta do que acontece não apenas quando morremos, mas também para a questão mais ampla da natureza do ser.
Dr. Peter Fenwick, bacharel em Medicina e Cirurgia, membro do Royal College ofPsychiatrists, consultor neuropsiquiátrico e neurofisiológico do Instituto de Psiquiatria de Londres.
Neuropsiquiatra e neurofisiologista do King"s College Hospital em Londres, amplamente conhecido como autoridade in ternacional sobre a mente e o cérebro.
Autor do livro The Trutb in the Light, um exame crítico de mais de 300 casos de experiência de quase-morte, selecionados entre aproximadamente três mil.
Gostaria de ressaltar que este não é um livro apenas a respeito das experiências de quase-morte. Na verdade, minha área de interesse é o estudo objetivo da mente humana, do cérebro e da consciência durante a morte clínica e “real”. Uma vez que as origens desse estudo se baseiam na descoberta dessas experiências, há invariavelmente muitas referências a tais experiências no livro. No entanto, ele objetiva ir além desse assunto e estudar as “experiências reais de morte”, que é um termo mais correto para designar o que estamos pesquisando atualmente. 
Sam Parnia
8 de novembro de 2007

Dr. Sam Parnia é um dos maiores especialista do mundo no estudo científico da morte, do estado da mente humana, do cérebro e das experiências de quase-morte. Divide seu tempo entre os hospitais do Reino Unido e a Cornell University, em Nova York, onde é membro da Unidade de Cuidado Pulmonar. É fundador do Grupo de Investigação da Consciência, na Universidade de Southampton, e presidente daHorizon Research Foundation. Também conduz um estudo científico inovador, em parceria com inúmeros centros médicos do Reino Unido, dos Estados Unidos e do Canadá, que objetiva descobrir, através da ciência, o que acontece quando morremos.
        O Dr. Peter Fenwick e eu recebemos o auxílio em 2004 de Ken Searpoint, um brilhante especialista em ressuscitação do Hospital Hammersmith em Londres. Um ano antes, enquanto ainda na Universidade de Southampton, nós havíamos formado o Grupo de Pesquisa em Consciência com os especialistas Setephen Holgate e Robert Peveler (Psiquiatria). Hoje em dia, nossa rede de relações inclui nomes como:
  • Bruce Greyson (Psiquiatria) da Universidade de Virginia, nos EUA,
  • Dr. Mano Beauregard (Neurociência), da Universidade de Montreal, no Canadá,
  • Roland Beisteiner (Neurociência, Universidade de Viena),
  • Douglas Chamberlain (Cardiologia e Medicina de Ressuscitação),
  • Jan Holden (Conselheiro), da Universidade do Texas, EUA,
  • o Dr. Penny Sartori (Enfermagem de Cuidados), no Morriston Hospital, Reino Unido,
  • e Saiu Lovett (Enfermagem de Cuidados), do Stevenage Hospital, no Reino Unido, bem como as seguintes pessoas que trabalham no campo de ressuscitação no Reino Unido:
    • Niki Fallowfield, do Southampton General Hospital,
    • Susan Jones, do Addenbrookes Hospital/ Universidade de Cambridge,
    • Celia Warlow, do Northampton General Hospital,
    • Leanne Smythe e Paula McLean, do St. George’s Hospital, Universidade de Londres,
    • Paul Wills e Laura Wilkins, St. Peter’s Hospital,
    • Russell Metcalfe Smith, Mayday Hospital, Londres,
    • Hayley Killingback, Royal Bournemouth Hospital,
    • e Sue Collins, do Bedford Hospital.  
Tenho de enfatizar que, embora as coisas pareçam bastante promissoras, tanto em termos de colaboração quanto de estudo, que continuam a se expandir, nós estamos bem no começo do processo e não no final.
[100 - página 211] - Dr. Sam Parnia        Em seu livro o Dr. Sam Parnia analisa as teorias propostas para explicar as causa das EQMs:
  • Teoria do cérebro: Alucinações
    • O papel do oxigênio
    • O papel do dióxido de carbono
    • O papel das drogas
    • O papel dos receptores e químicos do cérebro
  • Teorias psicológicas
    • Despersonalização
    • Dissociação
  • Teorias transcendentais
        E conclui que nenhuma das teorias tinha sido testada cientificamente, e uma abordagem totalmente nova era necessária.


Livro:



"Minha experiência de quase morte mostrou que a morte não é o fim da consciência e que a exis tência humana continua no além-túmulo.
E, mais importante ainda, ela se perpetua sob o olhar de um Deus que nos ama e que se importa com cada um de nós. »
Ético, defensor da lógica científica e neurocirurgião há mais de 25 anos, o Dr. Eben Alexander viu sua vida virar do avesso quando passou por uma experiência que ele mesmo considerava impossível.

Vítima de uma meningite bacteriana grave, ficou em coma por sete dias. Enquanto os médicos tentavam controlar a doença, algo extraordinário aconteceu.
Eben embarcou numa jornada por um mundo completamente estranho. Sem consciência da própria identidade, foi mergulhando cada vez mais fundo nessa realidade difusa, onde conheceu seres celestiais e fez descobertas transformadoras sobre a existência da vida após a morte e a profunda relação que todos nós temos com Deus.
Quando os médicos já pensavam em suspender seu tratamento, o inesperado aconteceu: seus olhos se abriram. Ele estava de volta. Mas nunca mais sena o mesmo.
Aquela experiência o levou a questionar tudo em que acreditava até então. Afinal, como neurocirurgião, ele sabia que o que vivenciou não poderia ter sido uma mera fantasia produzida por seu cérebro, que estava praticamente destruído.
Analisando as evidências à luz dos conhecimentos científicos, o Dr. Eben decidiu compartilhar essa incrível história para mostrar que ciência e espiritualidade podem - e devem - andar juntas.
Narrado com o fascínio de um paciente que visitou o outro lado e com a objetividade de um médico que tenta comprovar a veracidade de sua experiência, este é um livro emocionante sobre a cura física e espiritual e a vida que se esconde nas diversas dimensões do Universo.
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          "Durante o coma, não é que meu cérebro trabalhasse de forma inadequada – ele simplesmente não trabalhava. Hoje, acredito que isso tenha sido responsável pela profundidade e intensidade da experiência de quase morte (EQM)que vivi nesse período. Muitas das histórias de EQM aconteceram com pessoas que ficaram com o coração parado por algum tempo. Nesses casos, o neocórtex está temporariamente inativo, mas em geral não tão danificado, o que faz com que o fluxo de sangue oxigenado seja restaurado por meio da ressuscitação cardiopulmonar ou da reativação da função
cardíaca em torno de quatro minutos. Mas no meu caso o neocórtex estava fora de área. Eu estava conhecendo uma dimensão da consciência que existia completamente à parte das limitações de meu cérebro físico.
          As estruturas mais primitivas do meu cérebro continuaram a funcionar o tempo todo. Mas a região do meu cérebro que os neurologistas dizem ser responsável pela minha parte humana havia sumido. Eu podia ver isso nas imagens, nos números do laboratório, nos exames neurológicos – em todos os dados recolhidos aquela semana no hospital. Então eu logo comecei a perceber que a minha experiência de quase morte era tecnicamente quase impecável, e talvez um dos casos mais convincentes na história moderna do fenômeno. O que mais importava no meu caso não era o que tinha acontecido comigo pessoalmente, mas a impossibilidade de afirmar – a partir do ponto de vista médico – que tudo não passava de fantasia.
          Descrever uma EQM é um desafio, mas fazê-lo diante de uma comunidade médica que se recusa a acreditar que ela é possível torna a tarefa ainda mais árdua. Pela minha trajetória na neurociência e por minha própria experiência de quase morte, eu tinha agora uma oportunidadeúnica de tornar o assunto mais convincente".
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  • Teria sido a minha experiência uma simples programação do meu tronco encefálico para aplacar a dor e o sofrimento terminais – talvez um ato remanescente das estratégias de “morte de mentira” que os mamíferos inferiores costumam usar? Descarto essa hipótese logo de cara. Não há chance de que a minha experiência, com seus níveis visuais e auditivos tão sofisticados e seu alto grau de significados, tenha sido um mero produto da parte reptiliana do meu cérebro.
  • Terá sido, então, uma evocação distorcida de lembranças vindas das partes mais profundas do meu sistema límbico, a região do cérebro responsável pelas emoções? Novamente, não! Sem o funcionamento do neocórtex, o sistema límbico não poderia produzir visões com a clareza e a lógica que vivenciei.
  • Poderia a minha experiência ter sido um tipo de visão psicodélica produzida por alguns dos (muitos) medicamentos que tomei? Mas as drogas só atuam com receptores no neocórtex. E com o neocórtex fora de ação, não havia local no cérebro onde essas drogas pudessem atuar.
  • E que dizer da intrusão do estado REM? Este é o nome de uma síndrome (relacionada ao movimento rápido dos olhos do sono REM, a fase em que acontecem os sonhos) na qual os neurotransmissores naturais, como a serotonina, interagem com receptores no neocórtex. Desculpe mais uma vez. A intrusão do sono REM necessita do funcionamento do neocórtex para acontecer e, no meu caso, ele estava em pane.
  • Então havia o fenômeno hipotético conhecido como “liberação de DMT”. Nesta situação, a glândula pineal, reagindo à pressão de uma ameaça concreta ao cérebro, produz uma substância chamada DMT (ou N,Ndimetiltriptamina). A DMT é estruturalmente similar à serotonina e pode provocar uma experiência psicodélica muito intensa. Não tive nenhuma experiência com a DMT, mas já ouvi dizer que ela pode produzir um efeito psicodélico dos mais potentes – talvez até com implicações genuínas para o nosso entendimento do que a consciência e a realidade verdadeiramente são.

    Entretanto a porção do cérebro que a DMT atinge é o neocórtex, que, no meu caso, não poderia ser afetado simplesmente porque estava “ausente”. Portanto, em termos de “explicação” para o que houve comigo, a “liberação de DMT” não é muito provável, assim como as outras principais hipóteses que poderiam justificar minha experiência, e pela mesma razão elementar. Os alucinógenos afetam o neocórtex, e o meu neocórtex não estava disponível.
  • A última hipótese que cogitei foi a do “fenômeno de reinicialização”. Isso explicaria minha experiência como uma reunião de lembranças e pensamentos desarticulados que sobraram antes de o meu neocórtex apagar completamente. À semelhança de um computador reiniciando e salvando o que pode depois de uma queda do sistema ou falta de energia, meu cérebro teria recolhido minhas lembranças da melhor maneira que pôde. Isso é até possível de ocorrer na reinicialização do córtex depois de uma prolongada paralisação do sistema. No entanto, parece uma explicação improvável, em razão da complexidade e da interatividade das minhas elaboradas recordações.
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Hipóteses neurocientíficas que levei em conta para explicar minha experiência

Ao analisar minhas recordações com vários outros neurocirurgiões e cientistas, aventei diversas hipóteses que poderiam justificar minhas lembranças. Mas, indo direto ao ponto, nenhuma delas foi capaz de explicar a rica, intensa e complexa interatividade das minhas experiências com o Portal e com o Núcleo (a “ultrarrealidade”). Essas hipóteses incluíram:
1. Uma programação primitiva do tronco encefálico para aliviar a dor e o sofrimento terminal (um “argumento evolutivo” – talvez um resquício das estratégias de “morte de mentira” de mamíferos inferiores?). Isso não explica a natureza intensa e interativa das minhas recordações.
2. A evocação distorcida de lembranças vindas das partes mais profundas do sistema_límbico (por exemplo, a amígdala lateral), que são recobertas por tecido cerebral suficiente para deixá-las relativamente protegidas da inflamação das meninges, que acontece sobretudo na superfície do cérebro. Isso não explica a natureza intensa e demasiado interativa das minhas lembranças.
3. Bloqueio endógeno de transmissão glutamatérgica com a excitotoxicidade, imitando o anestésico alucinógeno cetamina (hipótese algumas vezes utilizada para explicar a EQM de maneira geral). Eu mesmo testemunhei os efeitos da cetamina usada como um anestésico no início da minha carreira como neurocirurgião na faculdade de medicina de Harvard. O estado alucinatório que essa droga produzia era caótico e desagradável, e sem nenhuma semelhança com a minha experiência no coma.
4. Liberação de grandes quantidades de N, N-dimetiltriptamina (DMT) pela glândula_pineal ou em alguma outra parte do cérebro. A DMT, um agonista natural de serotonina (que age especificamente sobre receptores 5-HT1A, 5HT2A e 5HT2C), provoca alucinações intensas e um estado onírico. Tive experiências pessoais com drogas agonistas e antagonistas de serotonina, como o LSD e a mescalina, na minha juventude nos anos 1970. Nunca usei DMT, mas vi pacientes sob o efeito dessa substância. O ultrarrealismo que vivenciei requereria um neocórtex visual e auditivo bastante intacto para gerar as experiências audiovisuais ricas que eu tive durante o coma. Mas o coma devido à meningite bacteriana danificou gravemente o meu neocórtex, que é onde toda a serotonina vinda do núcleo da rafe, no tronco encefálico (ou a DMT), teria tido efeitos sobre a experiência visual e auditiva. Com meu córtex apagado, a DMT não teria um local no cérebro onde atuar. Assim, essa hipótese fracassou com base na incompatibilidade entre a riqueza de detalhes da minha experiência audiovisual e a ausência de um córtex sobre o qual a DMT pudesse atuar.
5. A preservação de regiões corticais isoladas poderia explicar algumas das minhas experiências, mas isso era muito improvável devidoà gravidade da minha meningite e à sua resistência ao tratamento durante uma semana. Eu tinha mais de 27.000 glóbulos brancos periféricos por mm³, dos quais 31% de neutrófilos imaturos com granulações tóxicas; mais de 4.300 glóbulos brancos por mm3, 1,0 mg/dl de glicose, e 1.340 mg/dl de proteína no líquido cefalorraquidiano; comprometimento difuso da meninge com anormalidades associadas no cérebro, segundo a tomografia computadorizada, e, por fim, alterações graves da função do córtex e da mobilidade extraocular, segundo exames neurológicos, indicativos de danos no tronco encefálico.
6. Para explicar a “ultrarrealidade” da experiência, também sondei esta hipótese: seria possível que redes de neurônios inibitórios pudessem ter sido predominantemente afetadas, proporcionando altos níveis de atividade entre redes neuronais excitatórias para produzir o aparente “ultrarrealismo” da minha experiência? Espera-se que a meningite cause distúrbios prioritariamente no córtex superficial, deixando as camadas mais profundas parcialmente ativas. A unidade computacional do neocórtex é a “coluna funcional” de seis camadas, cada uma com diâmetro lateral de 0,2-0,3mm. Existe um número significativo de conexões laterais entre colunas imediatamente adjacentes que trazem sinais modulatórios sobretudo de regiões subcorticais (o tálamo, núcleos da base e tronco encefálico). Cada coluna funcional tem um componente na superfície (camadas 1-3), de forma que a meningite perturba a função de cada coluna ao danificar as camadas da superfície do córtex. A distribuição anatômica das células inibitórias e excitatórias, bastante equilibrada ao longo das seis camadas, inviabiliza essa hipótese. A meningite difusa sobre a superfície do cérebro incapacita o neocórtex por completo devido a essa arquitetura colunar. Mesmo assim, uma destruição completa seria desnecessária para que houvesse um comprometimento funcional total. Dado o curso prolongado (por sete dias) do meu comprometimento neurológico e a gravidade da infecção, é improvável que mesmo as camadas mais profundas do córtex ainda estivessem funcionando.
7. O tálamo, os núcleos da base e o tronco encefálico são estruturas cerebrais mais profundas (“regiões subcorticais”) que alguns colegas postulam que poderiam ter contribuído para a origem de tais experiências hiperreais. Na verdade, nenhuma dessas estruturas poderia desempenhar qualquer um desses papéis sem que ao menos algumas regiões do neocórtex estivessem intactas. Todos nós concordamos, no final, que essas estruturas subcorticais, por si sós, não poderiam dar conta das computações neurais intensas que uma riquíssima experiência interativa teria exigido.
8. Cogitei o “fenômeno de reinicialização”, uma evocação aleatória de memórias dispersas devido a lembranças antigas do neocórtex danificado, que pode ocorrer no retorno do córtex à consciência depois de uma falha prolongada no sistema, como na meningite difusa que sofri. Principalmente devido à sofisticação das minhas recordações, isso parece muito improvável.
9. Uma geração extraordinária de memória por meio de vias visuais evolutivamente antigas no mesencéfalo, usada predominantemente nos pássaros e identificada muito raramente em seres humanos. Isto pode ser demonstrado em humanos que são corticalmente cegos, devido a um dano no córtex occipital. Mas não explica a ultrarrealidade que vivenciei, além de não contemplar o entrosamento audiovisual das minhas experiências.
          Apesar de esse fenômeno ser tão antigo quanto a humanidade, o termo “experiência de quase morte” só se tornou amplamente conhecido há poucos anos. Nos anos 1960, foram desenvolvidas novas técnicas que permitiram aos médicos ressuscitar pacientes que sofreram parada cardíaca. Pessoas que em outros tempos teriam morrido podiam agora ser trazidas de volta à vida. Sem saber, esses médicos estavam, por meio de seus esforços de resgate, produzindo uma espécie de viajantes extraterrenos: pessoas que enxergaram o que se esconde além do véu e voltaram para contar a história. Hoje elas já são milhões.
          Atualmente, está em curso o mega estudo AWARE (sigla inglesa para "consciência durante ressuscitação"), liderado pelo Dr. Sam Parnia (um dos maiores especialistas do mundo no estudo científico da morte, do estado da mente humana, do cérebro e das experiências de quase-morte), e coordenado pela Universidade de Southampton, na Grã-Bretanha, que começou em 25 hospitais na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, desde setembro de 2008. Este estudo tinha como objetivo, inicialmente, examinar experiências de quase-morte em 1500 pacientes, sobreviventes de ataque cardíaco, durante 3 anos. Contudo, a duração do estudo e o número de hospitais que participam dele foram ampliados, inclusive com a inclusão de hospitais no Brasil e em outras partes do mundo. Nele, os especialistas estão verificando se as pessoas que tiveram suspenso o seu batimento cardíaco ou atividade cerebral podem ter experiências de se ver fora do próprio corpo. Para testar a "visão de cima", os pesquisadores vão instalar prateleiras especiais em áreas de atendimento de emergência dos hospitais. Elas contêm fotografias que só podem ser vistas de cima.


Raymond A. Moody Jr., M.D.
O QUE ACONTECE
QUANDO UMA PESSOA MORRE?


Uma pesquisa séria e impressionante do fenômeno da sobrevivência à morte física.
Dramáticas experiências reais de pessoas declaradas clinicamente "mortas"!
Relatos tão semelhantes, tão reais, tão esmagadoramente positivos, que poderão mudar a visão da humanidade sobre a vida, a morte e a sobrevivência eterna do espírito.
O Dr. Raymond Moody conduziu um estudo envolvendo mais de uma centena de indivíduos que experimentaram a morte clínica e reviveram. Os relatos de suas experiências são espantosamente semelhantes em seus detalhes e fornecem uma prova incontestável da sobrevivência do espírito humano depois da morte. Este livro vem confirmar o que nós temos pensado durante dois mil anos: que existe vida depois da morte!
        A pesquisa, como a que o Dr. Moody nos apresenta no seu livro, é que nos esclarecerá muitas questões e confirmará o que nos tem sido ensinado há dois mil anos: que há_vida_depois_da_morte. Embora o Dr. Moody não pretenda ter estudado a própria morte, fica evidente, pelas suas descobertas, que o paciente moribundo continua a ter informação consciente do seu ambiente depois de ter sido declarado clinicamente morto. Isso coincide em muito com a minha própria pesquisa, que utilizou relatos de pacientes que morreram e vieram de volta, totalmente contra nossas expectativas e muitas vezes para surpresa de alguns médicos bem conhecidos, altamente especializados e certamente competentes.
        Todos esses pacientes experimentaram o ato de flutuar para fora de seus corpos físicos, associado com uma grande sensação de paz e totalidade. Muitos estavam cônscios de outra pessoa que os ajudava em sua transição para outro plano de existência. A maioria foi saudada por pessoas amadas que tinham morrido antes, ou por alguma figura religiosa que tinha sido significativa durante suas vidas e que coincidia, naturalmente, com suas próprias crenças religiosas. Foi esclarecedor ler o livro do Dr. Moody no momento em que me preparo para pôr no papel os resultados de minha própria pesquisa.
        O Dr. Moody deve estar preparado para um bocado de críticas, vindas principalmente de duas áreas.
  • Haverá membros do clero que ficarão perturbados por quem quer que ouse pesquisar uma área supostamente tabu. Alguns representantes de uma seita religiosa já expressaram seu descontentamento diante de estudos como este. Um sacerdote referiu-se a “vender barato a graça". Outros sentem simplesmente que a questão da vida depois da morte deve permanecer uma questão de fé cega, não posta em dúvida por ninguém.
  • O segundo grupo de pessoas do qual o Dr. Moody pode esperar que reajam ao seu livro com preocupação são os cientistas e os médicos que encaram estudos deste tipo como algo “não-científico”.
        Penso que alcançamos uma era de transição em nossa sociedade. É preciso ter a coragem de abrir novas portas e admitir que nossos instrumentos científicos atuais são inadequados para muitas dessas novas investigações. Penso que este livro abrirá essas novas portas para pessoas capazes de manter a mente aberta, e que lhes dará esperanças e coragem de avaliar novas áreas de pesquisa. Elas saberão que este relato do Dr. Moody é verdadeiro, e que foi escrito por um investigador autêntico e honesto. É também corroborado pela minha própria pesquisa e pelos resultados de outros que pensam com seriedade: cientistas, eruditos e membros do clero que têm tido a coragem de investigar este novo campo de pesquisa na esperança de ajudar aqueles que precisam saber mais do que acreditar. (Ver: Fé raciocinada)
Recomendo este livro a qualquer um que tenha a mente aberta, e congratulo o Dr. Moody pela coragem de publicar seus resultados.

Elisabeth Kubler-Ross, doutora em medicina.
Flossmoor, Illinois.

[101 - Prefácio]
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        Autoridade mundialmente reconhecida no estudo de experiências de quase-morte – autor de A vida além da vida e A Luz que vem do Além, publicadas no Brasil pela Butterfly Editora – é psicólogo e leciona na Universidade de Nevada, Las Vegas, onde ocupa a Bigelow Chair of Consciousness Studies.
        Raymond A. Moody Jr. É também o autor de Light beyond e Reflections on life after life. Nessas obras, prossegue seus estudos e experiências pioneiras sobre a vida_depois_da_morte do corpo físico.
        Em A vida depois da vida – livro lançado nos Estados Unidos no ano de 1975, que já superou a casa dos treze milhões de exemplares – as pesquisas de Moody se complementam em considerações que se aprofundam, num fascinante estudo que amplia os horizontes da humanidade. Seu trabalho pioneiro foi marcante: hoje, inúmeras faculdades de medicina norte-americanas promovem cursos sobre os aspectos espirituais da morte.
        No prefácio de A vida depois da vida, Melvin Morse, M.D., declara: “Quando o livro do doutor Moody foi publicado pela primeira vez, os cientistas médicos riram e descartaram as experiências de quase-morte, rotulando-as como alucinações. Vinte e nove anos depois, a ciência está agora do lado do doutor Moody. Eu não conheço um único pesquisador científico importante que não tenha chegado a conclusões similares. Foram feitas três principais revisões dasexperiências de quase-morte na literatura científica dos últimos onze anos, e todas concordam com as descobertas iniciais do doutor Moody”.
Os primeiros estudos científicos
        O estudo científico das EQM, ou Síndrome de Lázaro como alguns nomeiam, tem seu primeiro relato científico em 1892 por Hein na Suiça, mas só começou a vincular na esfera científica a partir de 1975 pelos estudos deRaymond Moody quando também foi cunhado o termo EQM (Reflections on Life After Life. St. Simon's Island, GA: Mockingbird Books, 1977), mas relatos deste fatos existem em praticamente todas as culturas e desde de remotas épocas.
        E como é criada toda essa vivência? Várias hipóteses trata sobre o assunto: produtos de imaginação construído com fatos já vividos pelas pessoas, reflexos de crenças e características 
culturais, ressurgimento de memória do próprio nascimento, resultado de hipoxia (baixos níveis de oxigênio) ou hipercapnia (altos níveis de gás carbônico) ou intoxicação por drogas (remédios, anestésicos, metabólitos) ou ainda neurotrasmissores (opióides, glutamato, quetamina) agindo em receptores NMDA; todas alterando ou por alteração do sistema límbico (sistema envolvido com emoções e memória) ou estruturas do lobo temporal específicas (como amigdala ou hipocampo, por exemplo), lobo frontal (envolvido com comportamento) ou tálamo (circuito neural de conecção de informações).
        Vários destes estudos tentando associar anatomicamente ou retrospectivamente fatos passados (traumas psíquicos, traumas físicos, tipo de nascimento, sensações vivenciadas por pilotos de caça), condições patológicas (epilepsia de lobo temporal, doenças psiquiátricas) ou mesmo experiências controladas (como a estimulação de áreas cerebrais) sempre acabaram reproduzindo apenas algumas sensações, produzindo sensações que não são compatíveis com aEQM ou descartando completamente algumas hipóteses.
        Mas questões como o relato de fatos que ocorreram, detalhados física e temporalmente, bem como relato de fatos futuros que se confirmam, ou mais enfaticamente o relato de Sabom (1998) de uma EQM em uma mulher com diagnóstico de morte cerebral que descreveu com detalhes toda a cirurgia, levam a questão a possibilidade de uma consciência exterior ao corpo, um modelo mente/cérebro que foge do questionamento neurocientífico por preconceitos entre religião e ciência, mas que se mostra plausível para justificar certos fenômenos e como tantos outros, que foram confirmados ou descartados, devem ser levados em consideração em nome de uma ciência que busca a explicação mais verossímil da realidade. Bruce Greyson, renomado pesquisador do assunto, coloca que apenas as investigações de experiências extraordinárias que trouxeram a mudança da física newtoniana para a física moderna que vemos hoje
       Foi somente em meados dos anos 1970 que os estudos sobre a mente humana, durante o processo da morte, começaram a entrar nos círculos científicos. Antes disso, era considerado apenas um assunto religioso e filosófico, O interesse da comunidade científica havia começado quando Ray Moody, um médico americano e palestrante universitário aposentado em filosofia, publicou seu livro Life After Life, em 1975. Neste trabalho, Moody tinha coletado cerca de 150 depoimentos de sobreviventes às experiências de quase-morte. Notavelmente, ele descobriu que todos eles descreviam experiências semelhantes. Essas incluíam:
        Nessa hora, as pessoas estavam inconscientes. As experiências tinham provocado um efeito positivo em suas vidas, deixando-as mais respeitosas, religiosas e com menos medo da morte. Moody cunhou isto de “experiências de quase-morte”.
        No início do livro, Moody tinha fornecido uma experiência “ideal” ou “completa” da morte, “modelo teorético”, baseado nas características das EQM. Ele enfatizou que isso não era a experiência particular de uma pessoa, mas sim um modelo ou composição de características comumente encontradas nas EQMs:
        “Um homem está morrendo e, 
enquanto alcança o grande ponto de aflição fisica,...
  • ele ouve de seu médico que está morto.
  • Ele começa a ouvir um barulho desconfortável, um zumbido bem alto, e ao mesmo tempo sente-se movimentar-se rapidamente através de um longo corredor escuro.
  • Depois disso, ele se encontra fisicamente liberto de seu próprio corpo, mas ainda no ambiente flsico, e vê seu corpo à distância, como se fosse um espectador.
  • Ele assiste à tentativa de ressuscitação a partir de seu ponto de vista completamente incomum, e num estado de sublevação emocional.
  • Depois de um tempo, ele se centra em si mesmo e se torna mais confortável nesta condição estranha.
  • Nota que ainda possui um corpo, mas de natureza muito diferente, e com muitos poderes diferentes de seu corpo flsico deixado para trás.
  • Logo, outras coisas começam a acontecer.
  • Outros se aproximam para encontrá­lo e ajudá-lo.
  • Ele vê os espíritos dos parentes e amigos que já morreram, e um espírito muito caloroso e amável que ele nunca havia encontrado antes — um ser de luz — aparece diante dele. O ser lhe pergunta alguma coisa, não verbalmente, para fazê-lo avaliar sua vida e o auxilia mostrando-lhe uma visão panorâmica, sumarizada, dos grandes eventos dela.
  • Em algum momento, ele se vê cada vez mais próximo de uma espécie de barreira, ou fronteira, aparentemente representando o limite entre a vida terrestre e a próxima vida.
  • Ainda assim, percebe que deve voltar à Terra, que a hora de sua morte ainda não chegou.
  • Neste ponto, ele resiste, porque está tomado pelas experiências do pós-vida e não deseja voltar.
  • Está extasiado pelos sentimentos de alegria, de amor e de paz.
  • A despeito de sua atitude, no entanto, de alguma forma ele se reúne a seu corpo flsico e revive.
        Mais tarde, ele tenta contar aos outros, mas tem problemas ao fazê-lo. Em primeiro lugar, não consegue encontrar palavras terrestres para expressar aquilo que viu e que sentiu. Ele também acha que os outros ao redor zombam dele, então pára de contar. Ainda assim, a experiência afeta profundamente sua vida, especialmente suas visões da morte e seu relacionamento com a vida.”
        Moody também observou que muitas pessoas que tiveram uma EQM não passaram por todos os eventos descritos acima. Elas podem ter se lembrado de apenas um deles, de alguns talvez. Também o lugar onde os eventos acontecem variou — alguém pode ter tido uma experiência fora de seu corpo fisico no começo de sua EQM, por exemplo, enquanto outras pessoas podem ter visto a luz brilhante no início e ter uma experiência fora do corpo no fim.
        Alguns fatos devem ser estabelecidos com a finalidade de colocar o restante da minha exposição sobre a experiência de morrer em uma perspectiva correta:
  • Apesar da notável semelhança entre os vários relatos, não há dois deles exatamente iguais (embora alguns cheguem a ser praticamente idênticos).
  • Não encontrei nenhuma pessoa que relatasse cada um dos componentes individuais da experiência “completa” - descritos acima. Muitos relatam a maioria deles (isto é, oito ou mais em cerca de quinze), e alguns chegam a incluir até doze elementos.
  • Não há nenhum dos elementos da experiência composta que tenha sido narrado por todas as pessoas, que tenha aparecido em todos os relatos. Não obstante, alguns desses elementos chegam bem perto de serem universais.
  • Não há em meu modelo abstrato nenhum componente que tenha aparecido apenas em um único relato. Cada um dos elementos apareceu em várias e diferentes histórias.
  • A ordem na qual uma pessoa que está morrendo passa por esses vários estágios delineados rapidamente acima pode variar da ordem dada no meu “modelo teorético”. Para dar um exemplo, várias pessoas relataram ter visto o “ser de luz” antes de deixar seus corpos físicos, ou ao mesmo tempo, e não, como no modelo, algum tempo depois. Contudo, a ordem em que os estágios ocorrem no modelo é uma ordem bastante típica, e grandes variações não são comuns.
  • O quão longe a pessoa que está morrendo chega na experiência hipotética completa depende de se a pessoa realmente passou pela morte clínica aparente ou não, e, se sim, por quanto tempo ficou neste estado. No geral, pessoas que estiveram “mortas” parecem relatar experiências mais completas e detalhadas do que as que apenas estiveram próximas da morte, e as que estiveram “mortas” por mais tempo vão mais fundo do que as que estiveram “mortas” por um tempo menor.
  • Conversei com algumas pessoas que foram declaradas mortas, ressuscitadas, e que ao voltar não relataram nenhum desses elementos comuns. De fato, disseram que não se lembravam de absolutamente nada a respeito de suas “mortes”. Bastante curioso também, conversei com várias pessoas que foram consideradas clinicamente mortas em ocasiões diversas com intervalo de anos, e que relataram não experimentar nada em uma dessas ocasiões, mas que tinham tido experiências bem complexas em outras.
  • Deve-se destacar que estou escrevendo principalmente sobre relatos, narrativas ou lembranças de outras pessoas que me foram transmitidos verbalmente durante entrevistas. Assim, quando observo que um dado elemento da experiência “completa”, abstrata, não ocorreu em dado relato, isso não significa que necessariamente não tenha ocorrido com a pessoa em questão. Significa apenas que a pessoa não me disse que ocorreu, ou que não se pode depreender do relato que a pessoa o tivesse indubitavelmente experimentado.
[101 - página 29] - Dr. Raymond A. Moody Jr.
Estatísticas
  • Pesquisa da Gallup feita nos Estados Unidos em 1982 mostrou que as experiências de quase-morte ocorreram em aproximadamente oito milhões de pessoas, ou 4% da população.
  • A religião e a cultura não afetam as EQMs.
  • A personalidade não afeta as EQMs.
  • As EQMs também ocorrem com crianças (Alguns pesquisadores e comentaristas tinham discutido que os adultos podem ter imaginado as EQMs baseando-se em visões pessoais culturais e religiosas, mas as crianças nos estudos eram com freqüência jovens demais para formarem uma opinião em relação ao pós-vida, ou mesmo da morte propriamente dita).
  • A fteqüência de EQM, em determinada pesquisa, era em torno de 6% (4 de 63) de sobreviventes de parada cardíaca, se não incluirmos as duas pessoas que tiveram características de uma EQM, mas que obti­veram pontuação muito baixa na escala Greyson, e cerca de 10% (6 de 63), se as incluíssemos.
  • Curiosamente, os níveis de oxigênio eram maiores em pacientes com EQM do que naqueles sem, mas tínhamos de ser bastante cuidadosos ao interpretar isso, já que tínhamos uma amostra de pessoas com EQM muito menor do que sem. Realmente precisávamos de números mais significativos, mas embora pequenos, nossa amostra não parecia confirmar a hipótese de que EQMs estavam sendo causadas por uma falta de oxigênio no cérebro.
  • Dr. Pim Van Lommel, um cardiologista da Holanda fez um estudo sobre as EQMs durante paradas cardíacas. Acompanhou 344 sobreviventes de paradas de dez hosptais durante o período de dois anos e 41, ou 12%, haviam relatado uma EQM. Descobriu que a ocorrência de EQMs não era associada com a duração da parada cardíaca, com a inconsciência, medicação ou medo da morte.
  • O pesquisador americano Bruce Greyson acompanhou 1.595 pessoas admitidas no hospital com problemas no coração, durante 30 meses. Dessas, 7%, ou aproximadamente 110 pessoas, sofreram uma parada cardíaca, e 10%, umaEQM.
  • Um outro estudo completado por Janet Schwaninger, uma enfermeira cardíaca que tinha trabalhado nos EUA. Nele, 23% de sobreviventes cardíacos tiveram uma EQM.
  • Enfermeira do País de Gales, Penny Sartori, publicou um livro em que descreve situações em comum pelas quais pessoas que quase morreram disseram ter passado. Nos últimos dez anos, Penny Sartori entrevistou 300 pacientesinternados em unidades de terapia intensiva e conseguiu 15 depoimentos completos. Os relatos estão no livro Experiências de Quase-Morte em Pacientes Internados em Terapia Intensiva - Um Estudo Clínico de Cinco Anos (em tradução livre).http://ultimosegundo.ig.com.br/bbc/2008/06/20/livro_descreve_experiencias_de_quase_morte_1378843.html
Dr. Melvin Morse: "As crianças dizem ver familiares mortos"
        Melvin Morse é médico pela Universidade George Washington, em Washington, DC (EUA), com especialização em Pediatria. Atualmente mora na região metropolitana de Washington, mas até o final de 2006 morou em Seattle, onde mantinha sua clínica particular e lecionava na Universidade de Washington. Suas áreas de pesquisa incluem leucemia e tumores cerebrais, tendo fundado o Centro de Cuidados Pediátricos Transitórios, uma clínica para crianças expostas à cocaína na fase pré-natal. Em 2005 fundou uma clínica para diagnóstico e tratamento de autismo. Vinte anos atrás foi o primeiro pesquisador a estudar casos de Experiência de Quase-Morte (EQM) em crianças. É autor de vários livros, dentre eles os best-sellers:
  • Mais Próximo da Luz (traduzido para 19 línguas em 38 países),
  • Transformados pela Luz,
  • Visões de Despedida
  • e Onde Mora Deus,
  • e artigos científicos que têm dado origem a muitos documentários e entrevistas na mídia. 
        No Medinesp, onde se apresentou com as palestras Onde Deus mora: áreas do cérebro com interface biológica com um universo interconectado e Experiência de Quase-Morte, ele concedeu a seguinte entrevista à Folha Espírita:
  • ...
  • FE : Há diferenças entre EQMs vivenciadas por crianças e adultos?
    Morse: As crianças apresentam um ponto de vista mais puro e bem simples sobre o que acontece com elas quando passam pela Experiência de Quase-Morte. Elas dizem coisas engraçadas como eu vi o sol e ele tinha uma cara feliz. Elas contam coisas simples e puras, exatamente como vivenciaram, sem a necessidade de fantasiar ou adicionar componentes religiosos ou culturais e vêem figuras como Jesus, relatando que Ele é muito bom. Podemos dizer também que as experiências têm uma mesma base, como o relato da saída do corpo, a entrada no túnel e a visão da luz. Na essência, as experiências são basicamente as mesmas.
  • ...
  • FE : O cérebropoderia armazenar essas memórias? Como?
    Morse: O maior problema para entender as EQMs é o fato de um cérebro de uma pessoa em coma, perto da morte, poder ter alguma memória ou até mesmo vivenciar uma experiência como essa. Talvez, durante a EQM, a memória possa ser armazenada em algum_lugar_fora_do_cérebro. Parece ser um conceito chocante e ainda toda evidência científica relacionada à EQM nos aponta que essas memórias são processadas pelo cérebro, recuperadas e usadas para o entendimento. O cérebro usa o lobo temporal direito para processar a memória. Se você ler qualquer texto de Biologia, verá que essa é a finalidade dessa área do cérebro. É fascinante, pois o lobo temporal direito também é o responsável por processar experiências espirituais como as EQMs. Então memória e experiências espirituais estão interconectadas e isso faz sentido porque torna todo o processo único e individual, do ponto de vista espiritual e da memória, considerando quem nós somos, o que lembramos de nossas vidas e também nossa personalidade, nossos sonhos, esperanças e aspirações. Posso assegurar que a memória e a espiritualidade estão relacionadas, e as evidências nos mostram que talvez essa específica área do cérebro possa transcender a matéria para algo maior.
  • ...
  • FE : Quais estudos estão sendo conduzidos por sua equipe em relação aos assuntos espirituais?
    Morse: No momento, uma pesquisa está sendo realizada concomitantemente na Universidade de Virgínia e na Universidade do Arizona por minha equipe para comprovar se realmente conseguimos nos comunicar com os mortos, se há comprovações científicas ou se simplesmente são hipóteses.
  • ...
        O cérebro usa o lobo_temporal_direito para processar a memória.
  • Se você ler qualquer texto de Biologia, verá que essa é a finalidade dessa área do cérebro.
  • é fascinante, pois o lobo temporal direito também é o responsável por processar experiências espirituais como as EQMs. Então memória e experiências espirituais estão interconectadas e isso faz sentido porque torna todo o processo único e individual. (Melvin Morse)
        Emmanuel_Swedenborg, considerado um dos precursores do Espiritismo, relatou sua experiência fora do corpo, explicando como passou pelos primeiros eventos da morte. "Fui levado a um estado de insensibilidade quanto aos sentidos corporais, quase a um estado de morte. Porém, a vida interior, com o pensamento, permaneceu íntegra e, com isso, percebi e retive na memória as coisas que ocorreram aos que são ressuscitados dos mortos”. Ele se encontra com anjos que desejam saber dele se está preparado para morrer. Os anjos ou espíritos conversam uns com os outros, diz o pensador sueco. A fala desses anjos é escutada naturalmente por ele, mas não é ouvida pelos que estão à sua volta. A razão é que a fala do anjo flui diretamente para o pensamento. Swedenborg descreve também a “luz do Senhor” que permeia o além, uma luz de brancura inefável que ele próprio viu de relance. É uma luz de verdade e compreensão

 ESCALAS DE PESQUISA USADAS PARA CLASSIFICAR EQMs

        Em 1980 Kenneth Ring, um psicólogo americano, elaborou uma escala de entrevista de dez pontos que permitiu que experiências fossem medidas e padronizadas. Ele nomeou sua escala de pesquisa de “O índice de Peso da Experiência de Núcleo”.
        Tendo examinado vários casos de experiências de quase-morte, Ring concluiu que havia uma “experiência de núcleo”, que se desdobrava de uma maneira característica. Os estágios que ele descreveu eram:
  • uma experiência de paz, bem-estar e ausência de dor;
  • uma sensação de desligamento do corpo fisico, progredindo para uma experiência fora dele;
  • entrar numa escuridão, um túnel com uma memória panorâmica e um efeito predominantemente positivo;
  • uma luz branca, calorosa e atraente;
  • entrar na luz, encontrando pessoas ou figuras.
        Em 1983, Bruce Greyson, um psiquiatra que atualmente é catedrático da Universidade da Virgínia, criticou a escala de Ring por ser baseada em dez pontos arbitrários e desenvolveu outras medidas, a partir de entrevistas com 74 pessoas que haviam tido EQM. Ele então coletou as 16 características mais freqüentes e desenvolveu um questionário de 16 pontos, “A Escala Greyson”:
  • Experiência de um estado alterado de tempo
  • Experiência de processos de pensamento acelerados
  • Restrospectiva de vida
  • Sensação de compreensão instantânea (Muitos também descreveram como a comunicação se fez através de formas não-verbais, quase como por telepatia.)
  • Sentimento de paz
  • Sentimento de alegria
  • Sentimento de ser único no cosmos
  • Ver/sentir-se cercado por uma luz (Para muitas pessoas, a luz no final do túnel começou bem fraca depois foi crescendo em intensidade. Geralmente era braca mas não machucava os olhos. Era descrita como "agradável" e “acolhedora”, e conduzia o indivíduo para dentro dela. Com freqüência os deixava com uma sensação calorosa de serem amados. Aqueles que encontraram essa luz freqüentemente descreveram passar por uma forte transformação e experienciar uma a mudança de mente. Geralmente, as pessoas sentiram que ficaram menos materialistas, mais gentis com os outros, mais dispostas a servir, prontas a ajudar, com menos medo da morte e mais religiosas. Em alguns casos, os familiares também notaram a diferença. Alguns, que eram ateus, desenvolveram uma fé extremamente forte em Deus. O efeito na maioria dos casos se prolongou por décadas)
  • Ter sensações vívidas
  • Percepção extra-sensorial
  • Experienciar visões
  • Experiência de estar fora do corpo (Passível ao teste objetivo. Todos os outros, como ver parentes mortos ou um túnel, ou uma luz brilhante, e entrar num outro mundo, são muito pessoais, mas o componente de fora do corpo é a parte onde as pessoas descrevem o que os outros falam e fazem, portanto pode ser testado e verificado cientificamente)
  • Experiência de estar num ambiente "de outro mundo"
  • Experiência de ver um ser mítico (Alguns também encontraram um “ser de luz”, tanto ao final do túnel como quando andavam por ele. O ser emanava amor compaixão e calor, e fazia com que as pessoas se sentissem amadas e acolhidas. Com freqüência fazia o papel de um educado gentilmente levando a pessoa através de uma retrospectiva da sua vida, na qual se podia tanto ver o que ela tinha feito, e entendido quais erros cometeu. O objetivo parecia ser educá-la guiá-la, embora aquilo tudo talvez causasse um certo desconforto por causa do que fez aos outros, como uma maneira de compreender por que suas ações tinham sido errôneas)
  • Experiência de ver figuras/pessoas já falecidas (Assim como ver um ser de luz, as pessoas descreveram a visão de parentes já falecidos durante suas EQMs, geralmente os pais, embora em alguns casos fosse um outro familiar. Algumas descreveram ver amigos, ou até mesmo gente que nunca conheceram. Algumas vezes o parente ou conhecido as acolhia, dava-lhes as boas-vindas, e, em muitos casos, parecia os estar esperando, e, em outras vezes, pedia-lhes para voltar, já que não era sua hora de morrer)
  • Experiência de estar numa fronteira, num limite, e de um ponto sem volta
        Embora não conseguisse comentar a validade das informações, obviamente as EQMs foram muito reais para aqueles que passaram por elas. Nenhuma experiência foi igual à outra, mas no último instante o processo de morte realmente pareceu ser uma experiência agradável para a grande maioria, e pareceu se desenrolar de forma bastante característica.
  • Muito embora em diversos casos os acontecimentos críticos ou as doenças sérias levaram a experiências desagradáveis, ou mesmo dolorosas, durante as EQMs parecia haver um ponto em que cada dor ou trauma foi substituído por sensações prazerosas e de paz.
  • Para muitos, isso então levou à visão de um túnel, geralmente muito rápida, até uma luz bem brilhante no fim. Algumas pessoas experienciaram ver a luz no início de todo o processo, enquanto outras não viram luz alguma. Em muitos casos as pessoas acharam dificil encontrar palavras para descrever adequadamente a beleza da luz e as sensações que ela proporcionava. Aqueles que a descreveram geralmente a chamaram de muito “calorosa”, “agradável”, e uma luz “gloriosa”, que não chegava a machucar seus olhos, mas, em vez disso, os atraía para dentro dela.
  • Muitos também descreveram a sensação de separação de seus corpos e serem capazes de "ver” eventos de cima enquanto “flutuavam” dentro e fora deles. Isso foi muitas vezes descrito como se estivessem mudando de pele, ou trocando de roupa, e então deixando-as para trás. Outro dado muito interessante é que as pessoas descreveram o “ser" como a parte que estava em cima, em vez do corpo que ficou lá embaixo. (Ver: Perispírito)
  • Ao longo das experiências, as pessoas descreveram consistentemente serem capazes de pensar clara e lucidamente, com processos de pensamento bem-estruturados com clara formação de memória e razão. Essencialmente, durante as EQMs, as pessoas apresentavam a mesma consciência e personalidade que possuíam antes da experiência, embora esta as tenha feito mudar consideravelmente.
  • Algumas pessoas experienciaram ver principalmente parentes já falecidos, amigos ou até mesmo completos estranhos. Era quase como se estas pessoas viessem cumprimentá-las e ajudá-las durante o processo. Algumas vezes, viram outras esferas de luz, algumas mais brilhantes e maiores do que outras. Muitas também sentiram que eram todas iguais.
  • Algumas viram um "ser de luz”, cheio de amor, compaixão e bondade e que seus olhos eram “perfeitos”. Esse ser algumas vezes fez o papel de um educador, que, com gentileza e compaixão, cuidou da pessoa e a guiou através da experiência e em alguns casos numa rápida_avaliação_de_sua_vida. A característica principal durante todo o processo foi uma sensação de amor e benevolência. O amor emanante do "ser de luz" era muito mais intenso e profundo do que o proveniente de todas as outras pessoas que eles encontravam durante a experiência. Algumas pessoas identificaram o "ser de luz" como “Deus”, enquanto outras o descreveram como uma figura religiosa como Jesus, e outras simplesmente se referiam a ele apenas como um “ser de luz.”
  • Durante a experiência, a comunicação se fazia através da “mente" e não da forma verbal. Durante suas interações com o ser de luz, algumas pessoas descreveram ver uma avaliação de suas vidas. Elas muitas vezes se encontravam experienciando e passando outra vez pelos mesmos eventos, e se sentiam completamente “transparentes” a respeito de suas ações, palavras e intenções. Tudo o que haviam pensado, sentido ou experienciado estava completa e claramente visível a elas, como também ao ser de luz. Algumas descreveram ser capazes de sentir dor ou amargura pelo que tinham causado aos outros. Dessa forma, decidiam não mais machucar os outros, tanto por palavras quanto por ações. Começavam a enxergar a vida como uma oportunidade para serem uma fonte de bondade aos outros.
  • Após a EQM, elas descreviam uma grande transformação da personalidade. Isso foi particularmente o caso daquelas que encontraram o ser de luz. Elas descreveram que haviam perdido o medo de morrer tornarando-se menosmaterialistas e mais altruístas. Muitas pessoas se engajaram em atividades nas quais poderiam ajudar os outros.
  • Finalmente, embora possuindo uma temática religiosa, as EQMs não pareciam relacionadas diretamente com as tradicionais visões religiosas do pós-vida. Uma luz brilhante e acolhedora, um túnel e um ser de luz não são descrições comuns do pós-vida em muitas religiões. No entanto, parecia haver um ponto interessante a respeito do papel da experiência individual de uma pessoa em interpretar uma EQM: as pessoas geralmente pareciam interpretar suas EQMscom base em seus próprios processos de pensamento. Então, por exemplo, um cristão que viu um ser de luz o identificaria com Jesus, enquanto outra pessoa, com uma fé diferente, o descreveria como uma figura religiosa de acordo com sua crença pessoal. Enquanto outros ainda o interpretavam como o próprio Deus e alguns o chamavam apenas de “ser iluminado.” A despeito das diferentes terminologias, entretanto, as pessoas pareciam descrever o mesmo conceito.
        Como as pessoas conseguiam se lembrar de detalhes de forma tão clara quando estavam sob morte clínica durante 30 a 45 minutos? Como os processos de pensamento, a formação da memória e da razão podiam estar ocorrendo na hora em que não havia, ou houvesse muito pouca, função cerebral?
Estudos das EQMs em pessoas congenitamente cegas
Houve relatos informais de indivíduos congenitamente cegos que nunca viram nada, mas quando passaram por algum tipo de doença séria, admitiram terem se visto saindo de seus corpos e capazes de ver algo pela primeira vez na vida. Eles disseram ser capazes de reconhecer cores e imagens de que outrora apenas ouviram falar.
[100 - página 54] - Dr. Sam Parnia
        A Dra. Elizabeth Kübler-Roos, citada pela Dra. Marlene Nobre (1), observou que no curso de uma EQM ...
  • as pessoas deficientes sentiam-se completas,
  • as mutiladas apresentavam seus membros intactos,
  • as que estavam em cadeira de rodas podiam dançar e mover-se de um lado para outro sem esforço algum
  • e as pessoas cegas podiam ver.
[102 - páginas 100] - José Roberto Pereira Santos (Médico com especialidade em Clínica Médica, Reumatologia e Medicina Intensiva)
(1) - NOBRE, Marlene Rossi Severino Nobre. Nossa Vida no Além. 2ª edição. Editora FE, 1998.
        Muitas das pessoas que me escreveram também aceitaram meu pedido de conceder uma entrevista no hospital, para que eu pudesse estudar seus casos em detalhes. Durante esse tempo, fiquei ainda mais fascinado e atordoado com os mistérios das experiências de quase-morte, e com o profundo efeito que tiveram para as pessoas que as viveram. Muitas das que conheci, ou que me enviaram informações, haviam sido transformadas para melhor, e realizaram feitos extraordinariamente humanos depois da experiência. (Ver: Iluminação_do_íntimo)
     Ficou bastante claro que havia uma ligação em comum entre as experiências. Estas informações pareciam confirmar a descrição original do Dr. Moody de que estar perto da morte era uma experiência bastante “agradável” para a maioria. Certamente as pessoas que me haviam escrito descreveram sensações prazerosas de paz, luzes brancas e brilhantes, a visão de um túnel, a visão de parentes falecidos, a entrada em um universo paralelo, em um ponto sem volta e o ftashback_rápido_de_suas_vidas, bem como a separaçao de seus corpos e acontecimentos vistos de cima. E muito importante para vários deles, que agora haviam perdido o medo da morte, e tinham sido positivamente transformados, tirando inspiração de suas experiências para continuarem a viver e realizar trabalhos humanitários. Aprendi muito com essas pessoas que foram capazes de compartilhar suas experiências comigo.
[100 - página 73] - Dr. Sam Parnia
Experiências negativas de quase-morte
        Curiosamente, nos relatórios dos anos 1980, começaram a aparecer informações de outras pessoas que haviam tido experiências negativas de quase-morte. Essas pessoas freqüentemente descreviam:
  • vácuos assustadores,
  • demônios,
  • criaturas-zumbi,
  • torturas
  • e outras experiências desagradáveis.
        Não era muito claro, no entanto, se essas eram experiências que haviam ocorrido devido à proximidade com a morte, ou se eram devido ao fato de a pessoa estar passando por alguma doença séria, como o excesso de dióxido de carbono no sangue, que eu sabia que poderia dar vazão a esse tipo de acontecimento negativo.

[100 - página 31] - Dr. Sam Parnia


EXPERIÊNCIA DE SUICIDAS

        No posfácio de sua obra ínicial(1) Moody Jr. revelou que as EQM associadas à tentativa de suicídio foram uniformemente desagradáveis.
        As pessoas relatam que os conflitos dos quais quiseram escapar tentando o suicídio ainda estavam presentes depois que elas “morriam" mas com complicações adicionais. No seu estado fora do corpo não eram capazes de fazer nada, com relação aos seus problemas, e ainda tinham que ver as conseqüências infelizes que resultaram de seus atos.
        Segundo Atwater(2), contrariando o senso comum, a maioria dos enredos de EQM de suicidas são positivos ou, no mínimo, ilustrativos da importância da vida e do viver, Os sobreviventes de quase morte das tentativas de suicídio, freqüentemente retornam com o mesmo sentido de missão relatado por qualquer outro experiente do fenômeno. Em geral, essa missão é a de dizer aos outros suicidas em potencial que o suicídio não resolve nada.
        Os experientes sempre retornam com um sentimento de que o suicídio não é solução para nada, um sentimento que os deixa bastante renovados, e utilizam seus episódios como fonte de coragem, força e inspiração.
        Alguns enredos de suicidas são tão negativos que são transformadores, se utilizados como catalisadores para ajudar a pessoa a fazer a mudança. Tais mudanças podem vir de um despertar interior ou do medo de que o que foi vivenciado possa ser, de fato, precursor do seu destino final se algo não for feito logo.
        Há relatos de experientes que tentaram novamente o suicídio para reviver os fenômenos celestiais que sabiam existir após a morte.
[102 - páginas 104] - José Roberto Pereira Santos (Médico com especialidade em Clínica Médica, Reumatologia e Medicina Intensiva)
(1) - MOODY Jr., Raymond. Vida depois da Vida. 16ª edição. Editora Nórdica, 1991.
(2) - ATWATER, P.M.H. Muito Além da Luz. Editora Nova Era, 1998
  • Após um trauma significativo para o cérebro, tal como ocorre com um machucado na cabeça, um ataque ou uma mudança no oxigênio sangüíneo, no dióxido de carbono e na glicose, há normalmente um período de perda de memória antes e depois do trauma. Isso dura um tempo variável, indo de alguns minutos a dias ou até semanas, e ocorre devido a um desequilíbrio na biologia normal requerida para o funcionamento do cérebro. A extensão da perda de memória depende da seriedade do trauma.
  • Nos casos de experiência de quase-morte houve perda de memória dos eventos ocorridos depois do trauma (um machucado na cabeça), bem como dos eventos ocorridos durante a doença. Entretanto, a despeito disso, houve lembrança “total” da EQM.
[100 - página 81] - Dr. Sam Parnia

O que acontece ao cérebro durante a parada cardíaca?
  • Para o cérebro, o efeito da parada cardíaca, e por conseguinte do fluxo de sangue para o resto do corpo, é completamente catastrófico. Tendo estudado os processos que ocorrem no cérebro e estando familiarizado com o modo como as células respondem, pude ver que para as células cerebrais, a perda de fluxo sangüíneo seria comparada a um desastre em massa que se abateria sobre uma grande cidade com milhões de habitantes que, momentos antes, trabalhavam em perfeita harmonia. Pensei no pânico que dominaria as pessoas que lá viviam. A partir daí, tudo seria uma questão de sobrevivência. Talvez as células cerebrais tentem também sobreviver, preservar a vida do cérebro.
  • As células cerebrais são completamente dependentes, para sua sobrevivência, do fluxo de oxigênio e nutrientes pela via sangüínea. Quando isso para, elas começam a sofrer danos imediatamente. Os estoques de oxigênio do cérebro e da consciência são perdidos em questão de 20 segundos, tempo em que a glicose e os altos índices de energia armazernados também se vão. Portanto, em alguns segundos de parada cardíaca, as células cerebrais se viram para outras fontes especiais de energia, chamadas ATP, para se manterem vivas. Entretanto, devido a um alto grau de necessidade de energia, essa armazenagem é usada muito rápida e intensamente, geralmente em cinco minutos, e então as células são deixadas sem nenhuma fonte de energia e começam a morrer. Diferente dos humanos, que em um acidente podem viver dias sem água ou comida, as células cerebrais precisam de alimento quase imediatamente.
  • O choque da falta de oxigênio para o cérebro, que geralmente leva apenas entre 10 e 20 segundos, faz com que as células liberem um transmissor químico chamado glutamina, o qual normalmente possui a função de estimular outras células. Há, portanto, uma grande liberação desse composto químico por todo o cérebro, que conseqüentemente se torna “extremamente excitado”. Isso torna-se danoso às células e é primeiramente chamado de “excitotoxicidade”. Ocorre por causa do volume excessivo de glutamina, que faz com que as células inchem excessivamente, danificando a membrana que envolve a estrutura, acarretando o vazamento dos conteúdos da célula. Ao mesmo tempo, a membrana que envolve as células também fica danificada devido a outro mecanismo, já que a falta de oxigênio faz com que ela se parta em minúsculas partículas de gordura.
  • No entanto, a despeito de todo esse trabalho, as células cerebrais gradualmente são danificadas de forma irreversível e finalmente morrem. Pesquisas feitas por médicos mostraram que as células do cérebro começam a sofrer danos em questão de minutos da perda de fluxo sangüíneo, e, se ela não é restaurada em cerca de 15 a 20 minutos, a perda de células se torna extremamente extensa. Durante todo esse período, as células “gritam” ao liberarem certos compostos químicos e tentarem ativar alguns genes, antes de perderem suas funções completamente.
  • Inúmeros estudos demonstraram que imediatamente após uma parada cardíaca, a pressão sangüínea cai a níveis imensuráveis — na maioria dos estudos a menos de 15mmHg, um nível não-compatível com a vida*. O corpo possui receptores internos especiais de pressão sangüínea, e tão logo eles reconhecem a ausência de fluxo sangüíneo ou de pressão, procuram aumentar a pressão do sangue e seu fluxo para o cérebro, ao liberarem diversos hormônios, como a epinefrina, na corrente sangüínea. Estes são os mesmos hormônios liberados durante uma doença grave, mas, uma vez que a parada cardíaca é a mais séria das doenças, os níveis desses hormônios são correspondentemente muito maiores naquela hora. Uma parada cardíaca é de fato associada com os níveis mais altos de epinefrina jamais vistos — mil vezes mais alta do que a quantidade normal encontrada na corrente sangüínea. Assim como a epinefrina, os hormônios liberados incluem norepinefrina e vasopressina. Todos esses são incrivelmente poderosos no aumento da pressão sangüínea, tão potentes que, na verdade, foram desenvolvidos para propósitos médicos, e são agora dados a pacientes com níveis de pressão sangüínea muito baixos, ou que tiveram parada cardíaca. Esses hormônios causam às veias ao corpo um “apertamento”, e por isso levam o sangue até o cérebro. Eles também atuam no coração e procuram estimulá-lo a bater, mas, a menos que o coração já pulse, eles não têm quase efeito nenhum. Além desses hormônios, muitos outros são liberados, como a prolactina, endorfina —, a substância própria do corpo semelhante à morfina —, e lipotropina, todas com a função de melhorar os efeitos adversos da falta de pressão sangüínea.
  • A despeito de todos esses esforços pelo próprio corpo, no entanto, uma vez que o coração para, a respiração é suspensa e em alguns segundos as células cerebrais sofrem danos, param de funcionar e finalmente morrem, a menos que haja intervenção médica neste processo de reiniciar o coração.
        Como as pessoas com parada cardíaca poderiam ter pensamentos lúcidos, bem-estruturados com razão e lembranças? Isso parecia ser um verdadeiro paradoxo científico. Percebi que precisava estudar o que acontecia ao cérebro durante a parada cardíaca com mais detalhes.
[100 - página 112] - Dr. Sam Parnia
        Alguns pesquisadores acreditam que o lobo temporal direito é uma área do cérebro que nos permite perceber outras realidades e, talvez, até mesmo entrar nelas. Morse (*) denomina a área do lobo temporal direito como circuito do misticismo. Para ele, ali se dá a ocorrência da EQM, ou seja, é aonde interagem a mente, o corpo e o espírito.
        Wílder Penfield, neurocirurgião canadense, usou agulhas elétricas para tocar o lobo temporal direito, durante cirurgias e, com isto, produziu situações “fora do corpo” em seus pacientes(*).
        A maioria dos elementos das EQM pode, fisiologícamente, ser localizada no lobo temporal direito, com exceção da visâo da luz branca. Supõe-se que é ali que se originam as experiências fora do corpo, a recapitulaçào da vida, a visão de pessoas queridas já falecidas e a viagem por um túnel. A estimulaçào elétrica do lobo temporal direito do cérebro, acima do ouvido direito, mais especificamente no sulco de Sílvius, pode produzir visões místicas de música sublime, imagens de anjos e de parentes falecidos, e mesmo a vivência de retrospectivas panorâmicas da vida. A experiência da luz nâo tem origem conhecida no cérebro. Ela não pode ser ativada artificialmente, ela só é ativada no momento da morte ou durante algumas visões espirituais muito especiais.
        Para os cientistas, é um mistério o fato de o lobo temporal direito funcionar no momento da morte. Contudo, pesquisas sugerem que, na medida em que o cérebro está morrendo, partes do lobo temporal direito começam a funcionar adequadamente pela primeira vez. O fato de que isto processa memórias, dentro dos nossos bancos de memórias de longo prazo, demonstra que está funcionado muito bem.
[102 - páginas 119] - José Roberto Pereira Santos (Médico com especialidade em Clínica Médica, Reumatologia e Medicina Intensiva)
(*) - MORSE, Melvin e Paul Perry. Transformados pela Luz. Editora Nova Era, 1997.

O paradoxo

        Comecei a pensar nas implicações disso. Há alguma coisa que não se encaixa aqui, pensei. Temos um grupo de pessoas tão gravemente doente que chegou a atingir o ponto clínico de morte, mas ainda assim eles relatam ter processos de pensamento lúcidos e bem-estruturados, com argumentação e formação da memória daquela hora. Há também histórias confiáveis de pacientes que se lembram de acontecimentos detalhados, ocorridos durante a ressuscitação.
  • Como isso pode acontecer?
  • Como pode haver processos de pensamentos tão lúcidos quando o cérebro está, na melhor das hipóteses, desligado e, tanto quanto pudemos medir, não funcionando?
        Aquilo era particularmente intrigante. Normalmente pessoas que estão muito doentes desenvolvem um estado agudo de confusão, caracterizado por processos de pensamento desordenados com perda de memória. Isso é compreensível porque quando o delicado equilíbrio entre nutrientes, hormônios e outras substâncias ao redor do cérebro fica comprometido, então, é claro, não existe um trabalho adequado. A grande maioria das pessoas de nosso estudo possuía perda completa de memória durante o período da parada cardíaca, que é o que eu esperava, mas de 6 a 10% paradoxalmente pareciam ter processos de pensamento e consciência, em outras palavras, uma EQM. Muito embora eles também tivessem perdido as lembranças dos acontecimentos a respeito da doença, eles se lembraram da EQM muito claramente.
        ...Uma possibilidade era que talvez a consciência e os processos de pensamento não fossem medidos pela atividade elétrica das células cerebrais afinal. Talvez um mecanismo diferente estivesse envolvido. Embora isso, na época, parecesse completamente intuitivo, mais tarde descobri que alguns cientistas haviam começado a explorar a possibilidade de processos quânticos subatômicos medindo a consciência. (Ver: Consciência quântica)
[100 - página 119] - Dr. Sam Parnia

Experiências de Quase-Morte/ Experiências Fora do Corpo

        As experiências de quase morte (EQM) são relevantes para a presente discussão pois envolvem a experiência de alguma independência da mente_em_relação_ao_corpo_físico. Nas últimas décadas, as EQMs têm sido foco de um razoável número de investigações e debates.
        As EQMs surgem em situações de uma ameaça à vida, real ou imaginada, e envolvem, entre outras características, a percepção de estar fora do corpo físico, sentimentos de paz, vivenciar uma grande lucidez e clareza mental, encontro com pessoas já falecidas e/ou seres de luz, visão retrospectiva de toda ou partes da vida e o retorno ao corpo físico (Greyson, 2007). Muitos buscam explicar a EQM como sendo fruto exclusivamente de alucinações por alterações cerebrais num moribundo (hipóxia, uso de várias medicações...) ou como criações mentais baseadas nas crenças e mecanismos de defesa psicológicos dos pacientes. Entretanto, os proponentes destas teorias habitualmente não realizam pesquisas com EQM e não testaram as implicações empíricas de suas hipóteses. Embora a vivência das EQMs varie de pessoa para pessoa e entre as diversas culturas, parece haver um núcleo da experiência que se mantém relativamente inalterado entre as diversas culturas e pacientes (Athappilly et al., 2006; Greyson, 2007; Kelly et al., 2007). Do mesmo modo, a ocorrência e as características da EQM não se mostraram relacionadas com os níveis de oxigenação sangüínea ou com o número de medicações usadas pelos pacientes (Greyson, 2007; van Lommel et al., 2001; Parnia et al., 2001). Assim, não parece que a EQM possa ser explicada como sendo devida à expectativa dos pacientes, hipóxia ou polimedicação.
        Uma das características que mais chama a atenção na EQM é o funcionamento mental lúcido durante a EQM. Num paciente agonizante ou numa parada cardíaca, o cérebro, a princípio, deveria estar não funcionante ou com funcionamento bastante precário, como no estado confusional agudo (delirium). Pesquisas indicam que o EEG se torna isoelétrico (indicando ausência de atividade elétrica cerebral cortical) após 10 a 20 segundos de parada cardíaca. No entanto, muitos pacientes que tiveram EQMs durante paradas cardíacas referem que conseguiam pensar e ainda com maior clareza e lucidez do que em estado de vigília normal. Ou seja, estes dados sugerem que a consciência pode não ser necessariamente totalmente dependente do funcionamento cerebral (Parnia & Fenwick, 2002).
        Uma outra característica das EQMs que parece ser relevante como evidência de independência da consciência em relação ao cérebro e da possibilidade de sobrevivência postmortem são os relatos de descrições feitas pelo paciente, posteriormente confirmadas, de situações que ocorreram durante uma EQM e que o paciente não poderia ter percebido com seus sentidos normais, mesmo se estivesse desperto (Sabom, 1998; Stevenson & Greyson, 1979).
   
IMPORTANTE!
O QUE PODE SER OBJETIVAMENTE TESTADO, VALIDADO E ESTUDADO CIENTIFICAMENTE.

        O aspecto da experiência de quase-morte que pode ser objetivamente testado, validado e estudado no contexto de ser ou não real, é na verdade um componente fora do corpo. Isto é, porque as pessoas que afirmaram ter uma dessas experiências com freqüência disseram ter visto o que nós, médicos, estávamos fazendo durante o tempo quando em muitos casos eles não deveriam ter nenhuma função cerebral presente. O restante da experiência de quase-morte é algo bastante pessoal, e não temos maneiras de determinar se há uma realidade externa correspondente. Na verdade, determinar a realidade dela (e não do componente do fora do corpo) possui muitas das mesmas limitações enfrentadas pelos cientistas que estudam experiências religiosas. (Ver: Michael Sabom)
[100 - página 186] - Dr. Sam Parnia
(Este componente - elemento, estágio - da experiência de quase-morte pode ser o caminho mais curto para a ciência comprovar a sobrevivência da alma [0] )
        Até agora, não temos prova definitiva e concreta para nenhuma das teorias. Entretanto, como muitas milhares de pessoas, inclusive crianças pequenas, relataram uma mente e uma consciência plenamente em funcionamento, e foram capazes de testemunhar acontecimentos ocorrendo nos recintos, há a hipótese de que mente e consciência existam separadamente do cérebro e também durante e, ao menos, por algum tempo após_a_morte. Existem também várias histórias de médicos que ressuscitaram pacientes que lhes contaram os detalhes do que aconteceu durante suas paradas cardíacas.
[100 - página 225] - Dr. Sam Parnia


SERÁ QUE A MENTE E A 

CONSCIÊNCIA PODERIAM ESTAR SEPARADAS DO CÉREBRO?

        Agora, a pergunta que eu sempre me fiz é: o que nós faríamos se fosse descoberto que a mente e a consciência são separadas do cérebro? Isso obviamente teria grandes implicações para todos nós. Como poderíamos afirmar isso, e que efeito teria em nossas vidas?
        À medida que a ciência progride, novos modos de “ver" e medir o mundo ao nosso redor são desenvolvidos. Na virada do século XX, o uso de raios-X começou a revolucionar a prática da medicina. Pela primeira vez os médicos conseguiam ver dentro do corpo. Então, enquanto a ciência avançava, outros métodos foram criados, como o ultra-som, onde ondas de som passavam pelo corpo. Esse recurso ainda é comumente usado para escaneamento, particularmente do abdômen, e qualquer mãe pode ver seu bebê utilizando esta tecnologia. Mais recentemente, a ressonância magnética nos permitiu ver dentro do corpo com mais precisão. Infelizmente, no momento, não existem aparelhos disponíveis que nos permitirão ver e medir pensamentos e consciências. Entretanto, em vista do enorme progresso que aconteceu na medicina, e particularmente na medicina fisica, tenho certeza de que em breve tal equipamento será criado. Então talvez possamos facilmente descobrir a natureza_da_consciência e sua relação com o cérebro, mas agora precisamos utilizar meios indiretos para fazê-lo. Entretanto, sabemos com certeza que a mente e a consciência existem, e por isso deve ser receptivo o meio científico de se medi-las e estudá-las. é apenas uma questão de “quando” e nao "se".
[100 - página 227] - Dr. Sam Parnia

INEFABILIDADE

        A compreensão geral que temos da linguagem depende da existência de uma grande comunidade de experiências comuns da qual quase todos participamos. Esse fato cria uma grande dificuldade, que complica todas as discussões que se seguem. Os eventos vívencíados por aqueles que estiveram próximos da morte estão fora da nossa comunidade de experiências, por isso bem se poderia esperar que eles tivessem certas dificuldades lingüísticas ao expressar o que lhes sucedeu. Com efeito, é isso precisamente o que acontece. As pessoas em questão unanímemente caracterizam suas experiências como inefáveis, isto é, “ínexprimíveis".
        Muitas pessoas fizeram observações no sentido de que “não existem palavras para expressar o que estou tentando dizer” ou “não existem adjetivos e superlativos que descrevam isto”. Uma mulher colocou a questão em termos sucintos quando disse:
        “Bem, para mim é um verdadeiro problema tentar lhe contar isso, porque todas as palavras que conheço são tridimensíonais. Enquanto passava por isso, ficava pensando: ‘Ora, quando eu estudava geometria, eles sempre me diziam que só havia três dimensões, e eu sempre acatei isso. Mas eles estavam errados. Há mais'. E, naturalmente, o nosso mundo — aquele em que estamos vivendo agora — é tridimensional, mas o próximo certamente não. E é por esse motivo que é tão difícil lhe contar isso. Só posso lhe descrever com palavras que são tridimensionais. E o melhor que posso fazer, mas não é na verdade o bastante. Não posso mesmo lhe dar um quadro completo”.
[101 - página 31] - Dr. Raymond A. Moody Jr.

"O Corpo Espiritual"

        A grande maioria de meus informantes, entretanto, relata que se encontrou em outro corpo depois de liberta do físico. Aqui, contudo, entramos em uma área que é extremamente difícil de tratar. Esse “novo corpo” é um dos dois ou três aspectos das experiências de morte nos quais a inadequação da linguagem apresenta os maiores obstáculos. Quase todos os que me falaram desse “corpo” em dado momento ficavam frustrados e diziam: “Não dá para descrever”, ou qualquer outra observação com o mesmo efeito.
       Não obstante, relatos sobre esse corpo guardam uma forte semelhança um com o outro. Assim, embora diferentes pessoas usem diferentes palavras e façam diferentes analogias, esses vários modos de expressão parecem recair bastante sobre a mesma área. Os vários relatos estão também decididamente de acordo quanto às propriedades_e_características_gerais_do_novo_corpo. Assim, para adotar um termo que o designe e que reúna todas as propriedades razoavelmente bem, vou daqui por diante chamá-lo de “corpo espiritual”.
        As pessoas que estão morrendo tendem a se tornar conscientes de seus corpos espirituais em primeiro lugar através de suas limitações. Descobrem, quando estão fora de seus corpos_físicos, que, embora possam tentar desesperadamente contar aos outros sua condição, ninguém parece ouvilas. Isso pode ser ilustrado bastante bem com o seguinte trecho da história de uma mulher que sofreu uma parada respiratória e foi levada para a sala de emergências, onde a tentativa de ressurreição foi feita.
        “Vi que eles estavam tentando me ressuscitar. Era mesmo muito estranho. Eu não estava muito alto, era quase como se estivesse em um pedestal, mas não muito acima deles, só talvez vendo-os de cima. Tentei falar mas ninguém me ouvia, ninguém queria me ouvir.”
        Para complicar o fato de que está aparentemente inaudível para as pessoas em volta, a pessoa em um corpo espiritual logo descobre também que é invisível para os outros. O pessoal médico e outros reunidos em volta de seu corpo físico podem olhar diretamente para onde ela está, em seu corpo espiritual, sem dar o menor sinal de que a estão vendo. Esse corpo espiritual também carece de solidez; os objetos físicos do ambiente parecem mover-se através dele com toda a facilidade, e é incapaz de tocar qualquer pessoa ou objeto que tente apanhar...
        Além disso, apesar de não poder ser percebido pelas pessoas em corpos físicos, todos os que o experimentaram estão de acordo que o corpo espiritual é, contudo, algo, por mais impossível de descrever que seja. Há um acordo em que o corpo espiritual tem uma forma ou contorno (algumas vezes globular ou de uma nuvem amorfa, mas também, algumas vezes, essencialmente a mesma forma do corpo físico) e mesmo partes (projeções ou superfícies análogas a braços, pernas, cabeças, etc.). Mesmo quando se descreve a forma como sendo em geral arredondada na configuração, se diz com freqüência que tem extremidades, em definitivo um alto e um baixo, e mesmo as “partes" já mencionadas.
        Ouvi esse novo corpo ser descrito de muitas maneiras diferentes, mas pode se ver que é mais ou menos a mesma ideia que está sendo formulada em cada caso. Palavras e frases que têm sido usadas por vários informantes incluem "nevoeiro", "nuvem", "‘fumaça’’, “vapor”, “neblina”, “transparência”, “nuvem de cores”, “padrão ou feixe de energia”’ e outras, para expressar significados semelhantes.
[101 - página 47 e 50] - Dr. Raymond A. Moody Jr.

O Fantástico conta uma história do além!

         Um neurocirurgião americano nunca acreditou em vida_após_a_morte até passar por uma experiência dramática. Ele entrou em coma profundo, teve visões de uma espécie de paraíso, e voltou convencido de que existe vida do outro lado.
        O que existe depois que a vida acaba? Para o neurocirurgião Alexander Eben, a morte sempre significou o fim de tudo. Ele entende do assunto: foi professor da escola de medicina de Harvard, nos Estados Unidos, e há mais de 25 anos estuda o cérebro.
        Sempre tinha uma explicação científica para os relatos dos pacientes que voltavam do coma com histórias de jornadas fora do corpo para lugares desconhecidos. Até que ele próprio vivenciou uma delas. E agora afirma: existe vida após a morte.
        Era 10 de novembro de 2008. O doutor Alexander é levado às pressas para o hospital, com fortes dores de cabeça. Ao chegar lá, é imediatamente internado na UTI. Em poucas horas já estava em coma profundo.
        Ele havia contraído uma forma rara de meningite. Quando o doutor Alexander entrou no hospital os médicos disseram à família que a possibilidade dele sobreviver seria muito baixa. Ele ficou em coma profundo por sete dias. E foi durante esse período que o doutor Alexander afirma ter tido a experiência mais fantástica que um ser humano pode ter.
        "Na jornada que eu tive não existia corpo, apenas a minha consciência", diz o médico. Meu cérebro não funcionava. Eu não me lembrava de nada da minha vida pessoal, meus filhos, ou quem eu era.
        Ele escreveu um livro para relatar a sua experiência de quase morte. E conta que primeiro foi levado para um ambiente_escuro,_lamacento e sem seguida chegou a um lugar bonito e tranqüilo. Um vale extenso, muito verde, cheio de flores e repleto de borboleta, diz ele. Ele conta que viu também um espírito lindo, uma mulher com uma roupa simples e com asas. Ela me disse: ‘você vai ser amado para sempre, não há nada a temer, nós vamos cuidar de você’.
        Perguntamos ao doutor Alexander se ele viu Deus. Ele disse que sim: Deus estava em tudo ao meu redor, ele estava lá o tempo todo.
        Um pesquisador da Universidade Federal de Juiz de Fora participa do maior estudo mundial já feito sobre as experiências de quase morte.
        “Os estudos mostram que apenas 10%, uma em cada dez pessoas que tiveram uma ressuscitação bem sucedida relatam experiência de quase morte. Os pacientes que vivenciaram uma experiência de quase morte tendem a ter ao longo do tempo, por exemplo, ...
  • aumento da satisfação com a vida,
  • tendem a ter diminuição do medo da morte,
  • maior apreciação da espiritualidade,
  • maior apreciação da natureza”, afirma o professor de psiquiatria da Universidade de Juiz de Fora Alexander Moreira-Almeida.
        A morte é uma transição, não é o fim de tudo, resume o doutor Alexander [Eben]. Minha jornada serviu para me mostrar que a consciência nossa existe além do corpo, e ela é muito mais rica fora dele. Isso pode significar que a nossa alma, nosso espírito, seria eterno.
No Brasil, existem pacientes como o doutor Alexander: 
        Outro caso aconteceu com a mãe de Vera Tabach que passou três meses em coma. Ela voltou contando uma história incrível.
       “Ela confessou que nesse período de coma ela se viu como se fosse num quarto de hospital sempre numa cama com várias pessoas em volta de branco. Ela disse que tinha feito um acordo. Que eles tinham dado mais 20 anos para ela, que ela ia conseguir criar os filhos e depois ela ia embora. E a gente achava aquilo uma história, mas realmente aconteceu”, lembra a jornalista Vera Tabach.
       Dia 17 de outubro de 1974, quando ela foi para UTI. E voltou depois de um tempo. Quando passou 20 anos, em 1994, em abril, ela começou a se sentir mal. Às 05h, 18 de outubro de 1994, ela morreu.
       “Ela sempre dizia que na vida só não tinha jeito pra morte. E depois que ela voltou ela disse que até para morte tinha jeito” conta Vera Tabach.
       O doutor Alexander diz que por dois anos tentou achar uma explicação científica para o que aconteceu com ele e com esses outros pacientes. Queria saber se tudo podia ser uma ilusão produzida de alguma maneira pelo cérebro, conversei com colegas da área e cheguei à conclusão de que não há como que explicar. Não foi alucinação, não foi sonho.
       Mas nem todos concordam. O professor de neurociências da Universidade de Columbia, Dean Mobbs, diz que é difícil acreditar num desligamento completo do cérebro. E que mesmo no caso do doutor Alexander, outras áreas do cérebro podem ter permanecido ativas, provocando as sensações que ele descreve.
       O nosso cérebro é muito bom em transformar a realidade. Em um acidente, como um trauma na cabeça, os caminhos do cérebro podem ser danificados mas é possível que ele encontre outras maneiras de identificar os sinais que vêm de fora e criar uma nova experiência como a da quase morte, por exemplo.
       O uso de fortes analgésicos e a baixa oxigenação do cérebro durante estados de coma podem explicar que luzes e sons estranhos sejam percebidos pela mente.
       E a sensação de estar fora do corpo já foi induzida artificialmente em muitas pesquisas. Eu acho que essas experiências de quase morte na realidade são uma maneira do cérebro lidar com um trauma.
       A ciência ainda não tem respostas conclusivas sobre as experiências de quase morte[e os místicos têm respostas definitivas]
       “A grande discussão que existe hoje é:
  • a mente é um produto do cérebro, o cérebro produz a mente;
  • ou a mente é algo além do cérebro, mas que se relaciona com o cérebro”, questiona Alexander.
       Independentemente do que tem acontecido, diz a esposa do doutor Alexander, para ela, que ficou ao lado do leito do hospital esperando o marido voltar, o final foi feliz. Quando chegamos em casa e sentamos no sofá, não acreditei que ele estava junto comigo de novo
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O autor, no final do seu livro, mais precisamente entre as páginas 186 e 172, apresenta nada menos do que 9 (NOVE) explicações tradicionais que não poderiam explicar bem o que ele atravessou. LOGO o autor foi MUITO rigoroso em suas conclusões. A ciência ganhou, com este livro, alguns elementos fundamentais para a futura aceitação da vida após a morte: Legitimidade, acúmulo de evidências, debate epistêmico sobre o tema.
Colaboração de Eduardo Lima - eduardo_rlima@hotmail.com

        Atwater, uma das grande pesquisadoras da EQM, faz os seguintes questionamentos:
  • Já que sobreviventes das EQM sofrem mudanças tanto físicas quanto psicológicas, por causa de suas experiências, o que ensina sobre o poder verdadeiro das experiências subjetivas?
  • Será que temos de redefinir nossa própria subjetividade e seu valor, para dar continuidade a uma vida saudável?
  • E as mudanças estruturais que ocorrem no cérebro?
  • O que significa, e qual o seu alcance?
  • Se, parte de nós que passa por essa experiência “se separa” do corpo, seja em que nível for, não é uma indicação de que não somente temos uma alma, mas somos uma alma-residente numa forma manifesta de vida?
  • Se for verdade, o que mais é verdade?
  • Sobre a vida?
  • Sobre a morte?
  • Sobre a alma?
  • Sobre propósito e missão, sobre Origem e Criaçào?(1)
           
        A EQM, juntamente com os relatos de recordações_das_vidas_passadas_(TVP), os casos sugestivos de reencarnação, as comunicações mediúnicas através da psicofonia,  psicografia e da transcomunicaçào instrumental, vem abrir um novo campo de investigação para a comprovação da existência do Espírito e da sua imortalidade.
        Creio que a EQM não seja simplesmente um vislumbre do que ocorre após a morte física, mas uma oportunidade divina, um chamamento de DEUS para uma correção de rota, ou seja, uma chance oferecida para alguns, de reflexão sobre as suas vidas, sobre o que realizaram ou deixaram de fazer do que estava programado na sua caminhada terrena.
  • A recapitulação da vida,
  • o encontro com o Ser de Luz,
  • os ensinamentos,
  • as modificações flsíológicas e psicológicas experimentadas pelas pessoas reforçam esta hipótese.
        Além do conhecimento que adquiriram, num período curto do tempo terreno, as pessoas que passam por uma EQM voltam com suas energias recarregadas, com um novo sentido da vida, para aplicar melhor as potencialidades divinas de que são possuidoras. A maneira como enfrentam as mudanças, no exercício do livre_arbítrio, norteará todo o processo de readaptação à nova vida.
        Melvim Morse, médico e pesquisador norte-americano, no prefácio do livro Envolvido pela Luz (2) faz a seguinte observação: Sempre me impressionam as pessoas que mergulham na luz de Deus ao final da vida e retornam com uma mensagem simples e bela: “O amor é o mais importante... O amor tem de prevalecer... Nós criamos tudo que nos cerca com nossos pensamentos... Somos mandados aqui para vivermos plenamente, com abundância, para encontrarmos o fracasso e o sucesso, para usarmos o livre arbítrio a fim de expandir e glorificar nossas vidas".
[102 - páginas 124] - José Roberto Pereira Santos (Médico com especialidade em Clínica Médica, Reumatologia e Medicina Intensiva)
(1) - ATWATER, P.M.H. Muito Além da Luz. Editora Nova Era, 1998.
(2) - EADI, Betty J. Envlvido pela Luz: A Experiência do Limiar da Morte. 5ª edição. Editora Nova Era, 1997.Eu acho que as EQMs possuem a chave para a solução deste mistério. Ao estudá-las mais profundamente, seremos capazes de descobrir a verdadeira natureza da relação entre a mente e o cérebro e responder às perguntas mais intrigantes a respeito da existência num pós-vida. Então poderemos viver nossas vidas com um conhecimento mais abrangente sobre o que o destino nos reserva.
[100 - página 233] - Dr. Sam Parnia
A tela "Ascent of the Blessed" (1490) de Bosch

Discovery Channel - EQM (Experiência de Quase-Morte)
  

        Com base nos elementos descritos pelos pacientes que passaram por uma experiência de quase-morte (EQM):
  • Greyson, 2000, 2003;
  • Kübler-Ross, 1998, 2003;
  • Moody Jr., 1989, 1992;
  • Morse e Perry, 1997;
  • Parnia e Fenwick, 2002;
  • van Lommel, 2004;
  • van Lommel et al., 2001.
        Que sugerem transcendência, Elias (2001, 2002, 2003, 2006) desenvolveu uma intervenção terapêutica para pacientes graves e terminais denominada Relaxamento, Imagens Mentais e Espiritualidade (RIME) (Elias e Giglio, 2001a, 2001b, 2002a, 2002b) e, na continuidade do estudo, desenvolveu um programa de treinamento para profissionais de saúde sobre essa intervenção terapêutica (Elias, 2005; Elias et al., 2006a, 2006b, 2006c).
        Segundo van Lommel (2004), os eventos descritos e que constituem EQM são vivenciados e relatados não só por pessoas que foram dadas como clinicamente mortas por seus médicos, mas também por pacientes que estiveram em coma profundo, por pacientes em fase terminal e cujos relatos são chamados “visões no leito de morte” e por pessoas que passaram por situações de grande risco à vida, em que a morte parecia inevitável, e das quais saíram totalmente ilesas, como acidentes durante escaladas em montanhas ou acidentes de trânsito, os quais são comumente chamados de “medo da morte”.
        O desenvolvimento da intervenção RIME iniciou-se em 1998, quando Elias começou a trabalhar com crianças e adolescentes com câncer em fase terminal e observou sofrimento psicológico e espiritual importante nesses doentes; ao buscar um método para minimizar essa angústia, por sincronicidade, assistiu a um documentário sobre EQM (Moody Jr., 1992), observando que os indivíduos que haviam passado por essa experiência tinham minimizado o medo da morte. Assim, teve o insight de induzir a visualização dos elementos descritos por esses doentes que vivenciaram EQM a crianças e adolescentes que se encontravam na fase fora de possibilidades de cura, começando a delinear a intervenção RIME(Elias, 2003). Em 1999, foi aceita no programa de pós-graduação da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e trabalhou durante o mestrado com mulheres adultas com câncer em fase terminal.
        Nessa dissertação de mestrado (Elias, 2001, 2002, 2006; Elias e Giglio, 2001a, 2001b, 2002a, 2002b), estudou, qualitativamente, a eficácia de intervenção RIME e observou que foi possível re-significar a dor espiritual durante o processo de morrer das pacientes com câncer, ou seja, a aplicação da intervenção RIME proporcionou melhor qualidade de vida neste processo de morrer e morte mais serena para as pacientes terminais atendidas, re-significando a dor espiritual que é representada pelo medo da morte e do pós-morte, ideias e concepções negativas em relação à espiritualidade e ao sentido da vida, assim como culpas perante Deus.
        Em resumo, a intervenção RIME consiste na integração das técnicas de relaxamento mental e visualização de imagens mentais com os elementos que representam a questão da espiritualidade, com base nos relatos de EQM. A espiritualidade é compreendida como a relação do indivíduo com uma área mais transcendental de sua psique e as mudanças que resultam dessa meditação (Jung, 1986) e a vivência do amor incondicional (Charuri, 2001). A escolha dessas bases teóricas, que definem a questão da espiritualidade, reflete as afinidades conceituais e filosóficas desses autores e o nosso estudo anterior no mestrado.
        Na revisão da literatura sobre estudos relacionados a espiritualidade e morte, destacamos dois artigos. Barham (2003) relatou um estudo de caso sobre o controle dos sintomas, nas últimas 48 horas de vida, de uma paciente que escolheu a técnica budista para vivenciar o processo de morrer; o autor observou que os aspectos relacionados à espiritualidade, à serenidade, à paz e ao amor foram muito importantes para que ela se sentisse segura de que faria uma boa passagem para o mundo espiritual, segundo sua crença. Papathanassoglou e Patiraki (2003), em uma perspectiva hermenêutica e fenomenológica, estudaram a experiência vivida por indivíduos após a hospitalização em uma unidade de cuidado intensivos, com foco em seus sonhos.
        A finalidade da pesquisa foi explorar o sentido de ter estado criticamente doente. Os sonhos expressam a linguagem do inconsciente e, por meio deles, pode-se simbolicamente encontrar os significados para as vivências. Oito participantes contaram suas experiências em relação à doença crítica e relataram seus sonhos por meio de entrevistas semi-estruturadas. A doença crítica foi conceituada como uma fase que conduz a transformações no self, ao despertar da espiritualidade e ao crescimento pessoal. Segundo os autores, os enfermeiros devem estar preparados para ajudar os pacientes que vivenciam o processo descrito em uma unidade de cuidados intensivos.
        Em relação a estudos sobre intervenções para pacientes terminais que se relacionam com as técnicas utilizadas na intervenção RIME, as quais, em geral, são chamadas de terapias complementares ou alternativas, além do nosso estudo de mestrado (Elias, 2003; Elias e Giglio, 2001a, 2002a, 2002b), encontramos estudos que referiram promover qualidade de vida no processo de morrer utilizando musicoterapia (Hilliard, 2005), aplicando uma intervenção chamada terapia da dignidade, que consiste cuidar do paciente tendo como foco o seu nível de independência cognitiva e funcional e o controle dos sintomas físicos e psicológicos (Chochinov et al., 2004), utilizando hipnose (Douglas, 1999) e a aplicação de intervenções religiosas: orar e falar com um clérigo ou espiritualistas; meditação e imaginação dirigida (Millison e Dudley, 1992). Em relação à meditação e à imaginação dirigida, também encontramos o trabalho de Birnbaum e Birnbaum (2004) que descreveram uma intervenção terapêutica inovadora desenvolvida em um trabalho de grupo com sobreviventes de tentativa de suicídio e profissionais de saúde mental. A técnica compreende o relaxamento e a meditação concentrada, acrescida da meditação dirigida, na busca da sabedoria interior. Muitos participantes relataram uma experiência positiva importante, incluindo acesso a conhecimento interno, altamente relevante para eles neste momento de suas vidas. Essas introspecções foram experimentadas como provenientes de uma parte mais profunda do próprio self do paciente (fonte interna) ou de um guia espiritual ou presença espiritual (fonte externa). Os resultados indicaram que a meditação dirigida pode ser um recurso poderoso para terapeutas e seus pacientes, suicidas e outros doentes. Os autores dos estudos anteriormente relatados indicaram a necessidade de novas pesquisas, visto que os resultados ainda não podem ser considerados conclusivos.
        Os métodos dessas terapias assemelham-se à intervenção RIME, e a inovação por nós proposta refere-se à indução da visualização por meio dos elementos descritos pelos pacientes que passaram por uma EQM. Apesar da importância crescente que os profissionais de saúde têm dado à questão da assistência espiritual, o nosso trabalho é pioneiro no Brasil no que se refere ao treinamento de profissionais para o uso de intervenções que minimizem o sofrimento espiritual e sobre os resultados dessas intervenções.
        No Brasil, Silva (2005) alerta que o profissional que elabora os currículos dos cursos da área médica não pode ignorar essas práticas, cabendo algumas reflexões. A primeira é selecionar o que de bom a medicina alternativa oferece. A segunda é pensar como colocar esse contexto no aprendizado para que o estudante o conheça e adquira espírito crítico para uma seleção positiva a favor do doente. A terceira é reconhecer, humildemente, que a alternativa está atendendo mais eficazmente à relação médico-paciente que a alopatia, cabendo ao profissional de saúde recuperar esse recurso no atendimento à população e integrando-o ao uso adequado da tecnologia. Concluiu que o currículo dos cursos da área de saúde não pode ignorar a medicina alternativa.
        O Programa de Treinamento sobre a Intervenção RIME disponibilizou um curso para aplicação de uma terapia para pacientes terminais que se encaixa na modalidade complementar e alternativa, obedecendo às normas acadêmicas para o seu desenvolvimento e contribuindo, assim, para a inserção dessa modalidade de atendimento nos guias curriculares de graduação e pós-graduação.
“Existe um amor maior. Existe uma bondade maior. Existe um poder maior. A nossa mente está ligada com o Universo. Nós não somos uma parte isolada do Universo. Nós estamos juntos com todas as partes. Nós fazemos parte da mesma respiração – a grande respiração. A nossa pequena respiração pulmonar é apenas ilusória. O nosso movimento é apenas ilusório. O nosso real movimento é mental, espiritual. É até onde nós conseguimos ver do todo que nos cerca e do qual fazemos parte”
(Charuri, 2001).
  • Ana Catarina Araújo Elias - Psicóloga e doutora em Ciências Médicas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Professora de Pós-graduação e da Faculdade de Ciências Biomédicas do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp/Itu) e das
    Faculdades Integradas do Instituto Paulista de Ensino e Pesquisa (Ipep/ Campinas).
  • Joel Sales Giglio - Psiquiatra e professor-associado do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Analista junguiano e diretor de ensino da Associação Junguiana do Brasil (AJB).
  • Cibele Andrucioli de Mattos Pimenta - Enfermeira e professora titular da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP).
  • Linda Gentry El-Dash - Professora-associada do Departamento de Lingüística Aplicada do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp.
Endereço para correspondência: Ana Catarina Araújo Elias. Av. Jesuíno Marcondes Machado, 189 – 13090-732 –
Campinas, SP. Fones: (55 19) 3294-9184/9705-2579.
E-mail: anacatarinaelias@uol.com.br; acatarina@fcm.unicamp.br
Mais informações sobre RIME:


E-mail: anacatarinaelias@uol.com.br ou acatarina@fcm.unicamp.br

Currículo de Ana Catarina Tavares de Araújo Elias: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4717351J0

(Ver: Perispírito do enfermo)

Casos de EQM
Vídeos:
LINKs
Fonte:http://www.guia.heu.nom.br/eqm.htm