sábado, 4 de junho de 2016

EXPERIÊNCIAS DE ESTRANHAMENTO


Experiências de estranhamento

Depois de 40 anos do lançamento de A erva do diabo, primeiro livro de Carlos Castaneda – e após um década de sua morte – se mantêm as controvérsias sobre realidade e ficção em sua obra


julho de 2008
Ulisses Capozzoli

DESERTO DE SONORA, na divisa entre México e Estados Unidos

Há 40 anos, um livro publicado pela editora da Universidade da Califórnia relatando pesquisas antropológicas de um estudante da instituição, dividiu opiniões e desdobrou-se para outros campos como psicologia, psiquiatria, filosofia e literatura, ainda hoje causando impacto no que aprendemos a reconhecer como realidade. The teachings of don Juan (Os ensinamentos de d. Juan) foi publicado em algumas traduções – incluindo a brasileira – como A erva do diabo, o que pode ter contribuído para aumentar as vendas numa época em que uma diversidade de drogas literalmente fazia a cabeça de muita gente. Mas certamente a escolha do título teve seu preço e contribuiu para multiplicar controvérsias sobre o conteúdo da obra.

O autor do livro, o antropólogo Carlos Castaneda, pode ser brasileiro – falava português com acento inconfundível para um pretenso dissimulador – ainda que tenha omitido este dado em pouquíssimas entrevistas, quando também se recusou a ser fotografado. Esse comportamento – á primeira vista bizarro, levando em conta e que se espera de um autor que entra nas listas de sucesso – é parte inseparável do conteúdo de seus livros. Na seqüência desse primeiro vieram outros 11 volumes, até a morte de Castaneda há 10 anos – em 27 de abril de 1998. Nessa coletânea ele relata os ensinamentos que diz ter obtido de um velho índio yaqui que havia encontrado pela primeira vez em fins de junho de 1961, na fronteira entre o Arizona, nos Estados Unidos, e Sonora, no México. Castaneda fazia pesquisas de campo com plantas medicinais.

The teachings of don Juan foi recebido com certo entusiasmo pelo antropólogo Edward Holland Spicer (1906-1983), da Universidade do Arizona, reconhecido como o maior especialista na história e cultura dos yaquis de Sonora e do deserto que se estende a sudoeste, avançando em direção a Sierra Madre Ocidental, próximo à costa do Pacífico. Spicer publicou seu artigo na American Anthropologist, porta-voz da American Anthropological Association.

Spicer diz que os relatos não estabelecem relação significativa entre o que ele conhece dos yaquis e d. Juan – que Castaneda aponta como seu mentor. Mas elogia o livro e faz, pela primeira vez, a consideração que ainda hoje divide opiniões: o antropólogo, de fato, passou por todas as experiências que reproduz ou é um escritor de extraordinário talento, capaz de criar um universo repleto de histórias fantásticas?

CARLOS CASTANEDA: 1935-1998
ESTÉTICA LITERÁRIA
Apenas dois meses depois do artigo de Spicer, a quase sempre corrosiva New York Review of Bookspublicou um artigo do especialista inglês em antropologia cultural Edmund Ronald Leach (1910-1989), professor da Universidade de Cambridge. Na avaliação de Leach, o que Castaneda viveu foi apenas “uma experiência pessoal incomum”. Ainda que tenha se rendido às considerações filosóficas atribuídas a d. Juan, Leach considera o livro mais um trabalho literário que científico, ou, mais especificamente, “menos de etnografia e mais de estética literária”.

Entre Spicer e Leach, Walter Rochs- Goldschmidt – professor-emérito da Universidade da Califórnia e ex-presidente da American Anthropological Association – defende uma terceira posição. Segundo Gold-schmidt, que escreve o prefácio do primeiro livro, os relatos de Castaneda (com a consciência alterada pelo uso de plantas alucinógenas – peiote, datura e cogumelos coletados no deserto ou em Sierra Madre) – “não são uma simples narrativa de experiências alucinógenas”. Para ele, “as sutis manifestações de d. Juan conduzem o viajante, enquanto suas interpretações dão significado ao fato e nós, por intermédio do aprendiz de feiticeiro, temos a oportunidade de experimentar”.

Como antropólogo, Goldschmidt defende o funcionalismo comparativo, idéia de que uma comparação entre culturas leva em conta funções universais de costumes e instituições, em busca de sistemas sociais, em vez de expressões próprias e específicas de cada uma dessas instâncias. Assim, para ele, conseqüentemente “o mundo tem definições diversas em diversos lugares”. Goldschmidt argumenta que isso não significa apenas que os povos tenham costumes e deuses diferentes e esperem destinos diversos após a morte. O que ocorre, sustenta, é que “os mundos dos povos diferentes têm diferentes formas e os próprios pressupostos metafísicos variam: o espaço não se conforma com a geometria euclidiana, o tempo não constitui um fluxo contínuo de sentido único, as causas não se conformam com a lógica aristotélica, o homem não se diferencia do não-homem, nem a vida da morte, como no nosso mundo”.
Goldschmidt defende ainda que “conhecemos alguma coisa da forma desses outros mundos pela lógica dos idiomas nativos e pelos mitos e cerimônias, conforme registrados pelos antropólogos”. E ele considera que “d. Juan nos mostrou vislumbres do mundo de um feiticeiro yaqui e, como o vemos sob influência de substâncias alucinógenas, o captamos com uma realidade totalmente diversa daquelas outras fontes”. Nisso, considera, está a principal virtude do trabalho de Castaneda: afirmar com razão que “este mundo [exposto por d. Juan] com todas as diferenças de percepção, tem sua lógica interna”. Para ele, Castaneda procurou fornecer explicações dessa lógica desde o interior desse estranho mundo.
PARA O ANTROPÓLOGO Walter R. Goldschmidt, as descrições do uso de plantas como o peiote (foto), nos dá, por meio da vivência do aprendiz de feiticeiro, a oportunidade de acessar as realidades de outras culturas
LIMITAÇÕES CULTURAIS
O fato de Castaneda não ter tido sucesso completo nesse empreendimento, na interpretação de Gold-schmidt deve-se a uma limitação que nossa cultura e nossa língua impõem sobre a percepção, e não a uma limitação pessoal do pesquisador/autor. Ainda assim, considera, “em seus esforços, ele [Castaneda] funde o mundo de um feiticeiro yaqui com o nosso, o mundo da realidade não-convencional com o mundo da realidade convencional”.

Na visão de Goldschmidt, “a importância primordial de penetrar mundos que não sejam os nossos – e conseqüentemente da própria antropologia – está no fato de que essa experiência nos leva a compreender que o nosso próprio mundo é um complexo cultural”. Experimentando outros mundos, compara, “vemos o nosso como ele é e assim também podemos ver, de relance, como deve ser o mundo verdadeiro, aquele situado entre o nosso próprio complexo cultural e aqueles outros mundos; daí a alegoria, como a própria etnografia”.
Para Goldschmidt, a sabedoria e poesia de d. Juan e a habilidade e poesia de Castaneda “fornecem uma visão de nós mesmos e da realidade e, como em todas as boas alegorias, o que se vê está com o expectador e dispensa interpretação”. O antropólogo considera ainda que temos uma dívida para com Castaneda, “por sua paciência, coragem e perspicácia ao procurar e enfrentar os desafios de seu duplo aprendizado, e por nos relatar os detalhes de suas experiências”. Isso lhe confere, avalia, “a habilidade essencial da boa etnografia – a capacidade de ingressar num mundo estranho”.
ILUSTRAÇÃO Piedra hongo, de origem maia, encontrada em El Salvador (300 a.C.- 200 d.C.): uso de plantas para alteração dos estados da consciência remonta à Antiguidade
EXPOSIÇÃO DIDÁTICA
No 30º aniversário do lançamento de A erva do diabo e às vésperas de sua morte, Carlos Castaneda se ocupou de preparar um resumo para facilitar a compreensão do que expõe como os fundamentos do aprendizado sob tutela de seu mentor. De acordo com suas palavras, “a descrição irredutível do que fiz em campo seria dizer que o índio yaqui feiticeiro, d. Juan Matus, me introduziu à cognição dos xamãs do México antigo”. Por cognição ele conceitua um conjunto de processos envolvidos com a percepção do cotidiano, o que inclui memória, experiência, consciência e utilização de qualquer sintaxe, como recurso de conexão lógica.

Castaneda revela que justamente a idéia de cognição, num primeiro momento, foi seu maior obstáculo, pois, “como homem ocidental e erudito participava da idéia de que só existe cognição como um grupo de processos gerais”. Acrescenta, no entanto, que para seu mentor existe tanto a cognição do homem moderno como a dos xamãs do México antigo, sendo cada um deles mundos completos de vida cotidiana e intrinsecamente diferentes. Nesse contexto, revela que, a partir de um momento, que não consegue identificar precisamente, sua tarefa “mudou de mera coleta de dados antropológicos para a internalização de novos processos cognitivos”.
Como parte desses processos cognitivos, Castaneda relata que foi levado a aceitar a idéia de que é fundamental, para os seres humanos, compreender que o único fato que realmente importa é o que d. Juan chamou de “encontro com o infinito”. E isso ainda que seu próprio mentor tivesse dificuldades para reduzir essa expressão a algo mais inteligível. Ainda assim, como parte de seu aprendizado, ele diz ter aceitado o fato de que “somos seres a caminho da morte”, mesmo que isso não tenha qualquer relação com o conceito mórbido com que a morte é interpretada na cultura ocidental. Se vamos morrer – e essa é a única certeza de que dispomos – conclui Castaneda sob a lógica da cognição que incorporava, “a verdadeira luta do homem não é a disputa com seus semelhantes, mas com o infinito, o que não chega a ser luta, mas aquiescência”. Devemos voluntariamente nos submeter ao infinito “porque nossas vidas terminam exatamente onde se originaram: no infinito”, considera.

Carlos Castaneda mostra ainda que a maior parte dos processos que registrou em uma dúzia de livros, relatando cada etapa de seu aprendizado, esteve relacionada ao “intercâmbio natural de minha personalidade, de um ser socializado sob o impacto de novas racionalizações” e que, após certo tempo, suas resistências foram minadas.

O alicerce da cognição para os xamãs, segundo Castaneda, é o “fato energético”, o que significa que, para eles [os xamãs] “cada nuance do cosmos é uma expressão de energia”. Eles concebem que “o cosmos inteiro é composto de forças gêmeas que são, ao mesmo tempo, opostas e complementares: a energia animada e inanimada”. A energia inanimada, nesta concepção, não tem consciência. Castaneda define consciência como “condição vibratória da energia animada”. A condição essencial da energia animada – orgânica ou inorgânica – segundo a linhagem de xamãs de seu mentor “é transformar a energia do universo como um todo em dados sensoriais”. No caso dos seres orgânicos, “esses dados sensoriais são transformados em um sistema de interpretação no qual a energia como um todo é classificada e há uma resposta designada para cada classificação, qualquer uma que possa ser”. Em contrapartida, para os seres inorgânicos, “os dados sensoriais devem ser interpretados por eles mesmos em qualquer que seja a forma incompreensível na qual possam fazê-lo”.
OVO DE LUZ
Castaneda sustenta em suas descrições que os seres humanos são percebidos pelos xamãs da linhagem de seu mentor como “conglomerados de campos de energia com a aparência de bolas luminosas”, e cada uma delas está “individualmente conectada a uma massa energética de proporções inconcebíveis que existe no universo, chamada mar escuro de consciência”. Um ponto específico, na altura das omoplatas, destaca-se nesse ovo luminoso, descreve Castaneda, e esse é o ponto de aglutinação. Segundo ele, o deslocamento desse ponto por onde os seres humanos recebem energia cósmica é o responsável pela alteração do padrão de consciência.

Outra categoria que emerge neste contexto, no quadro de ensinamentos que recebeu de seu mentor, é o intento, algo que ele define como equivalente a inteligência. Assim, a conclusão que integra o mundo cognitivo do seu sistema de aprendizado é a de um “universo de suprema inteligência”. Ainda neste caso, Castaneda esclarece que xamãs da linhagem de seu mentor, d. Juan Matus, “consideram consciência como o ato de estar deliberadamente consciente de todas as possibilidades perceptivas do homem e não apenas das possibilidades perceptivas ditadas por qualquer determinada cultura, cujo papel parece ser o de restringir a capacidade perceptiva de seus membros”.

Ao longo dos últimos 40 anos em que a obra de Castaneda foi publicada – ele assegura que a publicação é parte de suas tarefas para se tornar um homem de conhecimento, e não uma forma de exposição pessoal, daí o contato restrito com a imprensa e a recusa em ser fotografado –, as mais diferentes personalidades se envolveram com ela de diferentes formas. O cineasta italiano Federico Fellini foi uma delas, como registra em Block-Notes di um Regista.

No capítulo “Viaggio a Tulun” Fellini, interessado num filme sobre Castaneda, relata em detalhes o encontro/desencontro que teve com o personagem que buscou e expressa sua convicção de que nele há algo mais além da habilidade literária destacada por Spicer e Leach.
EGOCENTRISMO INFANTIL
Ao longo de sua vida Castaneda concedeu raríssimas entrevistas – uma delas à revista americana Time, outra à Psycolo-gy Today e, em 1975, falou à revistaVeja, edição 356, por meio de um estudante brasileiro, então bolsista na Universidade da Califórnia, Luiz André Kossobudzki. Num diálogo com perguntas e respostas publicadas nas tradicionais páginas amarelas da revista, Castaneda explicou sua postura reservada e as razões para se comportar dessa maneira. Disse que atribuir importância a si próprio torna a pessoa tão imatura quanto uma criança: “O ser incompleto nasce da incessante procura por reconhecimento social.”

SIERRA MADRE OCIDENTAL, perto da costa do Pacífico, parte da região ocupada pelos yaquis etnia de d. Juan

Nessa entrevista procurou definir uma série de outros conceitos herméticos em seus escritos e condena enfaticamente o uso de drogas, alegando que a administração de psicotrópicos, no início de seu aprendizado foi parte de um método e nada mais que isso. Castaneda assegurou, ainda, que uma pessoa considerada psicótica na realidade em que vivemos, no universo dos xamãs a que pertence seu mentor seria apenas alguém que “interrompeu a corrente do bom senso [elos que nos prenderiam a esta realidade] e não conseguiu encontrar o caminho de volta”. Para sair da realidade a que estamos confinados, segundo Castaneda, é necessário contar com a ajuda de um guia. Sem esse auxílio “eu não seria capaz de encontrar o caminho de volta a esta realidade”, ressaltou.

Castaneda se referiu ainda a uma capacidade de utilizar os sonhos como exercício de domínio e controle da própria vontade no percurso de se tornar um homem de conhecimento, aprendizado descrito em Porta para o infinito – quarto de seus 12 livros. Para Castaneda, a arte de sonhar exige “o mesmo domínio da vontade para sair e voltar da realidade ordinária”. Ele declara: “Com d. Juan aprendi a deixar de ser criança profissional e me tornei um guerreiro. Ficar sentado, esperando que me dessem tudo, ou sonhando acordado com a glória de minha auto-importância, não me trouxe nada. Tive de ir procurar coragem e disciplina”.
CONCEITOS-CHAVE
Não se sabe ao certo a nacionalidade do antropólogo Carlos Castaneda, morto em abril de 1998. Ele narra as experiências vividas no encontro com seu mentor, o índio yaqui d. Juan, com quem teria se encontrado pela primeira vez em 1961, na fronteira entre os desertos do Arizona, nos Estados Unidos, e Sonora, no México. Ainda hoje são cercados de mistério, os experimentos feitos com plantas alucinógenas daquela região os quais contribuíram para discussões sobre alteração de estado de consciência, diferenças culturais e estética literária.

Em sua vida deu raras entrevistas, sendo uma delas à revista Veja, em 1975. Na ocasião, explicou sua postura reservada. Disse que atribuir importância a si mesmo torna a pessoa tão imatura quanto uma criança: “o ser incompleto nasce da incessante procura por reconhecimento social”, declarou.

Castaneda acreditava no potencial e na capacidade humana de, por exemplo, utilizar os sonhos como exercício de domínio e controle da própria vontade no percurso de se tornar um “homem de conhecimento”.
PARA CONHECER MAIS
Plants of the gods: origins of hallucinogenic use. Richard Evans Schultes e Albert Hofmann. McGraw-Hill, 192 págs. 1979

Xamanismo, colonialismo e o homem selvagem. Michael Taussig. Paz e Terra, 480 págs. 1993

Carlos Castaneda – Ombres et lumières. Daniel C. Noel. Éditions Albin Michel, 255 págs. 1981

Block-notes di um regista. Federico Fellini. Longanesi & C, 200 págs. 1988

Sonhos lúcidos. Florinda Donner. Nova Era, 302 págs. 1993

Fonte:http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/experiencias_de_estranhamento.html


quinta-feira, 12 de maio de 2016

VINHO DOS SONHOS,SEMENTES DOS DEUSES,E A FUMAÇA DE PACIFICO ENDING - PARTE 1

Vinho dos Sonhos, Semente dos Deuses, e a Fumaça de Pacifico Ending - Parte 1

Você movido por um tosco moralismo, por favor, poupe seu latim, poupe o seu tempo e poupe minha paciência e pare de ler agora.
Quem nunca ouviu falar dos Unguentos de Vôos das Bruxas? Que bruxo não conhece os poderes da Belladona?
Todo feitiço e ritual, bem como divinação, deve ser feito com um estado de consciência alterado, do contrario não passa de uma representação teatral do que deveria ser magia. Você pode fazer isso com meditação e outros métodos (recomendo A Contagem Regressiva do Cristal)...mas há atalhos, formas mais rápidas, poderosas e muito mais intensas.

E como eu disse, não me venha com papos moralistas. Falar que "bruxos não fazem isso" é, não só negar todas as praticas do xamanismo do qual muito da bruxaria moderna se baseia, como está reduzindo a bruxaria ao que apenasvocê acredita.
Alias, aproveitando a deixa, nunca diga "bruxas não fazem isso..." ou "bruxos são...", pois limita e nega toda a pluralidade da bruxaria. Só porque você acredita e pratica em algo que todos os outros devam concordam contigo.

Já faz um bom tempo desde que o namorado (agora ex) da minha melhor amiga me falou de suas idas a um 'ritual xamã' e suas ótimas experiencias lá.
Até o momento eu achava que o chá que ele havia tomado era algum produzido por cogumelos.
Eles terminaram, continuamos amigos, mas só de um bom tempo depois que eu finalmente fui com ele ao tal ritual xamã.

O tal ritual era na Igreja do Santo Daimo, comungando a Ayahuasca.
Não é meu objetivo aqui falar das crenças do grupo, e muito menos julgar a carimbada figura do Gideon dos Lakotas.
Vou apenas me focar na experiencia com o Vinho das Almas.

Mas deixo o alerta. Não da pra fingir que tudo está bem e tudo está perfeito. Posso não concordar com as crenças daIgreja do Daimo, mas sei que lá é um lugar confiável. Você não precisa se converter à nada para comungar, não precisa se filiar a religião alguma, mas você precisa saber que está em lugar seguro, com pessoas de confiança.
Recentemente estourou um escândalo onde o "líder" ((?) ou seja lá como o chamemos) de um grupo de bruxaria tradicional em São Paulo usada de substancias alucinógenas em seus rituais e abusava das mulheres do grupo enquanto estavam sobre efeito alterado.

Ayahuasca


Os métodos de preparo variam conforme a tradição de cada local e da ocasião em que o consumo se dá. De qualquer maneira, o processo é longo e leva quase um dia para o preparo. As diversas beberagens geralmente contêm talos socados do cipó caapi (Banisteriopsis caapi) mais as folhas da chacrona (Psichotria viridis). Essa mistura é importante o DMT (N,N-dimetiltriptamina - presente nas folhas da chacrona) é destruído pelo organismo por meio da enzima monoaminaoxidase (MAO). No entanto, o caapi possui uma substância capaz de bloquear os efeitos da MAO: a harmalina. Desse modo, o DMT tem sua ação enteógena intensificada e prolongada.

Riscos à saúde 


Pode haver sensação de medo e perda do controle, levando a reações de pânico. O consumo do chá pode desencadear quadros psicóticos permanentes em pessoas predispostas a essas doenças ou desencadear novas crises em indivíduos portadores de doenças psiquiátricas (transtorno bipolar, esquizofrenia).

Eu não consideraria o Vinho das Almas como uma droga. Não entorpece, não causa qualquer padrão de dependência, abuso, overdose ou síndrome de abstinência, e, principalmente, não foi observado o surgimento de qualquer tipo de distúrbio mental posteriormente ao uso da ayahuasca

Para um consumo letal você teria que ingerir 7,5 litros do Vinho - sendo que nos ritos você consome apenas alguns ml's

Não vou descrever aqui a receita para a produção do mesmo, por não vez razão para tal. Encontre um grupo. É o melhor, acredite. 

Experimentação e experiencia 


Não vou me ater ao que eu vi e senti, pois em primeiro lugar, não importa o quão bom em descrição eu seja, vocês nunca poderiam conceber com uma intensidade aceitável tudo que eu vi/ouvi/senti. Em segundo lugar, a experiencia sé conta se for com você. Alem do mais, se quiser ter uma ideia, pesquise no Google, tenho certeza que encontrará inúmeras descrições detalhadas.

Bem, tenho duas noticias ruins quanto à experimentação, bem, três na verdade:

A primeira é o sabor, a Ayahuasca não tem um sabor muito agradável, é amargo, mas nada que não possa 
aguentar - na verdade me lembrou um pouco o sabor do guaraná.

A segunda coisa é que nem sempre as doses dão efeito. Poise, na minha primeira vez foram comungadas 4 cálices (doses), e eu só senti efeitos no terceiro e quarto cálices, ou seja, só fiquei mais de um hora de ritual sem sentir efeito algum.
Em outras ocasiões (noites) comunguei 6 cálices e não senti absolutamente nada, em outras, com apenas um cálice tive experiencias extremamente intensas.
Os efeitos e a eficácia do Vinho se dá por uma infinidade de fatores.
Algumas ações são tomadas indicadas para aumentar suas chances de sucesso. Três dias antes de comungar eu entro em jejum de carne, álcool e sexo (incluso masturbação). Jejum total de 5 horas antes de comungar (nos lugares que eu fui sempre havia um ceia depois do ritual, então não se preocupem, vocês não ficaram a noite inteira com fome).
Como o Zórdic me disse uma vez, quanto mais acostumado seu corpo está à "expulsar poluentes", menos chances você da Ayahuasca ter efeito completo. Ou seja, se você bebe muito, usa muitas drogas, fuma...mais difícil para o Vinho das Almas agir pois seu corpo está acostumado a lidar com substancias estranhas.
E claro, a maneira que o Vinho foi preparado, sua concentração e a idade dele são de extrema importância para definir a eficácia do mesmo.

O que já nos leva à terceira coisa: a "limpeza".
É assim que chamaram os efeitos intensos que a Ayahuasca causariam no meu corpo.
Ânsia de vomito, diarreia, suadeira, uma vontade louca de urinar a todo momento... maneiras que a erva usa para "limpar" o meu corpo de tudo de ruim que ele vinha acumulando.
Dai mais uma vez é reafirmada a importância do jejum antes de comungar. Carne, gorduras e químicos dos produtos industrializados, álcool, tabaco e outras drogas saem nessa limpeza.
Há muitos relatos de pessoas que largaram seus vícios (todo tipo de vicio) quando começaram a comungar com certa frequência.
Quanto mais "besteiras" você tiver no corpo, mais intensa será sua "limpeza", mais mal você se sentirá.

O Trabalho


Não tem grandes mistérios.
Na maioria das vezes em que eu comunguei o rito se dava com musicas e mantras.
Um chácara isolada, filtros dos sonhos em todos os lugares, um altar bem eclético com estatuetas de diferentes crenças, luz de velas e colchões nos extremos do local. Mulheres de um lado, homens do outro. Tomávamos as doses e as musicas começavam a tocar e você ouvia em meio a penumbra.
Parece simples, mas é extremamente poderoso.
O hinário muda de acordo com o "tema" daquela noite. Nas noites que eu participei os temas foram, "O lado feminino de Deus" no primeiro, "Animais de Poder" no segundo e "Nascimento de Krishna" no terceiro.
As letras e os ritmos conduzem sua mente à uma meditação pessoal e muito intensa. Você pode deitar e apenas ouvir, como pode pegar um instrumento (há tambores, chocalhos e muitos instrumentos) para tocar e se deixar levar, ou mesmo sair para sentir a natureza que está à sua volta. Fiz os três e todos foram de uma intensidade inacreditáveis.

Claro, existem outros métodos os quais eu não tive a chance de experimentar. Tudo dependerá do grupo com o qual comungará

Cachimbo


Nos grupos que frequentei o uso do Cachimbo Sagrado era bem intenso.
Segundo a crença, o tabaco teria sido dado ao homem por um elemental. Pitar o cachimbo seria a maneira deles de se conectar com esse elemental
No cachimbo - que será devidamente consagrado depois de um ritual iniciatório (onde você serpa iniciado na "pratica" do cachimbo) - só se coloca tabaco puro. Nada de nicotina e nada de produtos químicos (isso seria uma ofensa ao seu cachimbo e ao elemental ao qual ele foi consagrado). Então se você quer dar um sabor ao seu fumo você acrescenta outras ervas naturais, como canela, louro e afins... que dão um sabor especial à fumaça e - nós bruxos bem sabemos - contribui magicamente para o ato.

Aqui vemos como a pratica casa com a nossa. Nós também consagramos nossos instrumentos e o tratamos com respeito, da mesma maneira é com o cachimbo.

Eu não cheguei a ser iniciado, mas comecei fumar cachimbo depois de comungar com a Ayahuasca algumas vezes. Aparentemente o Vinho das Almas tem seu poder intensificado quando usado em conjunto com o cachimbo. E mesmo informalmente, era comum que os membros mais antigos se reunissem para fumar juntos, em um circulo de conversas e fumaças, onde contavam suas experiencias depois do ritual.

No ritual de iniciação você e seu cachimbo são apresentados ao elemental e ele te "testa". Faz um tempo que não comungo, mas pretendo sim voltar a fazê-lo e ser iniciado no cachimbo.

Outras Ervas Sagradas


Neste post eu pretendia falar dos três, Ayahuasca, Argyreia Nervosa e o famosos Chá de Cogumelos. Mas percebi que o post ficaria ENORME se eu falasse dos três, então dividi cada um em uma postagem.
Aguardem, na segunda parte falarei do meu favorito, e cuja experiencia foi centenas de vezes mais intensa e demorada que as minhas três experiencias com a Ayahuasca juntas!: As sementes de Argyreia Nervosa.

Fonte:http://bruxariahipster.blogspot.com.br/2014/03/vinho-dos-sonhos-semente-dos-deuses-e.html

terça-feira, 19 de abril de 2016

AYAHUASCA : MUDAR DE VIDA EM MODO PSICODÉLICO

Ayahuasca: Mudar de vida em modo psicodélico

Por Olfa Masmoudi
outubro 21, 2014

A linha entre o que consideramos uma droga psicadélica e aquilo a que podemos chamar medicina ancestral para entrar em transe, é muito fina. Quando contei à minha família o que ia fazer, tanto eles como eu pensávamos que se tratava de uma trip intensa, da família do LSD, mas natural. Uma droga de hippies chic, arrebatada às tribos peruanas, para satisfazer a necessidade de êxtase místico da nossa sociedade moderna ocidental. Estava redondamente enganada. O que vivi, fruto do meu encontro com a ayahuasca foi, sem exagero, a experiência mais enriquecedora que tive na vida. Foi tipo fazer reset ao meu sistema como ser vivo neste planeta.
Com a ayahuasca morres um bocadinho, ou seja, é uma morte pequenina. Como me explicou o xamã, tens de matar as sombras que não te deixam crescer, vais ao encontro do mais temeroso e obscuro que tens cá dentro. Também lhe chamam “liana da morte”. Essa obscuridade é o teu inconsciente, é um tête-à-tête com o mais profundo do teu ser. A experiência é dura, como uma luta de gladiadores em território fantástico e desconhecido, onde o limite é a morte. Só um gladiador sobrevive, e como não podes ficar pelo caminho, o teu consciente nalgum momento há-de ver a luz. Só que essa luz não é a luz ao final do túnel, é mais a luz de quem abre pela primeira vez os olhos, como quando sais da escuridão do ventre materno. O teu inconsciente matou-te. Com a ayahuasca perdes sempre a batalha, mas só para nascer mais forte, mais vivo, e mais conectado com a vida. A esta batalha chama-se “trabalho”. E mais que um trabalho, é um périplo algo parecido aos 12 trabalhos do Hércules. A viagem do herói que quer provar aos deuses que tem valor. Esse é o tipo de trabalho que a ayahuasca te põe à frente. Mas não te preocupes que a recompensa é inversamente grata. Experimentas a sensação de semi-deus.
A ayahuasca faz parte das plantas mestras professoras (nas quais também se inclui o peyote). É uma mestra professora conhecida como “avózinha”, porque assim como uma avó, é firme e dura, mas fá-lo com amor e só quer o teu bem.
A ayahuasca é uma beberagem psicadélica utilizada em rituais. Os xamãs, os curandeiros e os mestres ayahuasqueiros das etnias do Amazonas usam-na há mais de cinco mil anos, como forma de alcançar a expansão da consciência. A ayahuasca é oquid da cura e da vida espiritual na bacia do Amazonas.
Pode chamar-se huasca, purga ou daime, e é a mistura de duas ou mais substâncias farmacologicamente activas: a liana da ayahuasca (Banisteriopsis caapi) e a Chacrona (Psychotria viridis), que por sua vez são esmagadas e cozidas durante 16 horas. Estes dois elementos juntos activam a diemetriltriptamina (DMT) no cérebro. A DMT não tem actividade quando a tomas oralmente, a não ser que venha acompanhada de um inibidor de MAO (monoaminooxidasa), como é o caso da ayahuasca.
A DMT é um alcalóide triptamínico, e a responsável pelos sonhos na fase REM (rapid eye movement), quando entramos no inconsciente. Também está a cargo dos sonhos lúcidos. Diz-se que o corpo só liberta DMT quando nasce e quando morre. Esta teoria popularizou a sua versão sintética, mas que não tem comparação com a ayahuasca.
Há dois tempos importantes nesta experiência. O tempo eminente e tangível, ou seja, o momento em que a tomas e as oito horas que seguem, (o tal morrer e nascer ao mesmo tempo). E o tempo seguinte, o trabalho de todos os dias depois de tomá-la. Antes de contar a minha história quis que passasse um tempo, só para ver como flui e transita tudo o que senti nesse dia.
A nossa educação ocidental ensina-nos que o processo de conhecimento se faz através do verbo e da escrita, mas quando embarcas numa viagem com a ayahuasca o primeiro passo a dar é libertar-se dessas bitolas, e estar pronto para o que der e vier, seja lá o que isso for. Tudo faz parte de um processo que começa antes da noite da cerimónia, e continua indefinidamente no tempo. A lição começa antes com as mudanças na alimentação. Há muita gente que não faz a dieta, que a transforma, que foi mal informada, ou que já tomou tantas vezes a ayahuasca que decidiu inventar uma nova. Cada um sabe de si e vive a experiência como lhe apetecer, mas quando é a tua primeira vez, e vais fazê-lo com um xamã - de confiança - é melhor seguires o plano, se quiseres evitar um mau bocado. Alguns vão pedir-te que faças a dieta prévia durante um mês, outros uma semana, mas todos com o mesmo objectivo: purificar o teu organismo para que o golpe físico seja o menos violento possível. De certa maneira é uma purga e por isso, quanto mais contaminado estiveres, maior vai ser o abanão. A dieta é basicamente esta: nada de carnes vermelhas (e dois dias antes é melhor não comer qualquer tipo de carne), nada de alimentos processados nem irritantes, tipo picante e café (esta foi quase missão impossível), nada de álcool nem drogas recreativas ou farmacêuticas, nada de lácteos, nada de sexo, e muito descanso nos três dias que antecedem o “trabalho”. Deves manter esta dieta nos três dias seguintes, vais ver que recuperas melhor e tens melhores resultados. Pela parte que me toca, segui-a ao pé da letra, e na hora H o meu corpo curtiu.
Aqui começa a primeira grande mudança. Todos os que tomam a ayahuasca têm um objectivo, e quando entendem que não vai ser uma experiência recreativa as intenções variam entre: descobrir o caminho do presente, abrir novas portas, ultrapassar traumas, superar dependências, transformar modus operandis ou ter uma experiência espiritual, entre outras coisas. Acho que não é importante catalogar todas as causas, mas sim entender o que é transversal a todas elas: a mudança de hábitos, (seja catalisador ou efeito colateral). O psicólogo William James, fundador da psicologia funcional e defensor das terapias alternativas feitas com curandeiros, foi o primeiro a falar sobre este tema. Devemos-lhe a teoria dos 21 dias necessários para mudar um hábito, que é o tempo que cérebro precisa para assimilá-lo. Mas os novos estudos realizados pela Universidade do Sul da Califórnia dizem outra coisa. Os hábitos formam-se a partir de uma necessidade e são o fruto de uma aprendizagem de associação, que dura entre 15 e 254 dias. Se queremos mudanças de verdade, é melhor manter a zenitude, porque é preciso tempo para assimilar todas as “revelações”. Quando mergulhamos neste tema, em todas as suas facetas, começam a surgir as primeiras perguntas. Eu própria me interrogo: Será que a ayahuasca é um atalho da meditação e da psicanálise? Será que não tenho paciência para nenhuma das duas?
No ultimo quarto de século os ocidentais norte-americanos e europeus começaram a peregrinar à América do Sul. Queriam experimentar a ayahuasca, no Perú. William Burroughs visitou a América do Sul em 1950 para provar o yagé. Foi o primeiro turista da ayahuasca. Burroughs contou a sua experiência ao seu amigo Allen Ginsberg, e dessa troca de relatos nasceu o icónico livro: Cartas do Yage.
A razão fundamental do hype da ayahuasca é evidente para quem já sentiu os seus efeitos. Sim, é uma experiência psicadélica brutal, mas é muito mais que isso. É transcendental. Em Setembro de 2014 aconteceu o Congresso Internacional de ayahuasca en Ibiza, com fóruns académicos, legais, e interlocutores tanto científicos como xamânicos. É preciso estar atento à globalização da ayahuasca, à vulgarização da cosmogonia amazónica e à ilusão de uma poção mágica que vem resolver os nossos problemas. Já apareceram os primeiros xamãs impostores, e com eles algumas mistelas mal preparadas que são, evidentemente, perigosas.
Tenho medo que a ayahuasca (que ainda está num limbo legal) se converta na Disneylândia da experiência psicadélica. Mas qualquer intenção desonesta para com a planta tem o seu preço. Porque a ayahuasca, à sua maneira, mata-te. Na cerimónia apercebi-me deste frenesim. Mais de metade eram principiantes, e a média de idades rondava os 29 anos. Mas há esperança. A de que todos entremos numa consciência universal, em comunhão com todos os seres vivos.
Dizem que tens de estar preparado e saber mesmo bem quais são as tuas intenções. Mas também dizem que o chamamento mais forte é o da planta , quando é ela que te vem buscar. Comigo foi assim. Desde o início do ano, e sem dar por isso, fui encontrado pessoas, que por uma razão ou por outra me falavam no assunto. Uma grande amiga até passou umas semanas num retiro ayahuasquero, no Perú. Não liguei nenhuma a estes sinais. Também porque achava, no meu modo cartesiano e céptico de pensar, que estas propriedades transcendentais da planta eram exageradas. Tinha encontrado a minha espiritualidade há uns anos. Acreditava nas “forças cósmicas do universo”. Andava à procura de experiências suaves: conectar-me com a Terra através da natureza, viver o aqui e o agora, meditar como forma de alcançar o equilíbrio entre o corpo e a mente. E já está. A minha visão da espiritualidade estava longe da dos meus interlocutores ayahuasqueiros. Mas havia algo que me cativava. Ou era a sua forma de falar, ou a sua forma de ser perante a vida, eram diferentes dos outros. Era quase hipnótico. Aos bocadinhos, e sem querer, cada vez estava mais perto da ayahuasca. A curiosidade superava o meu pensamento racional e foi aí que começaram as perguntas. Estava pronta, já sabia quais eram as minhas intenções. E para mim não havia tempo nem maneira de ir por outro lado, murmurava a minha intuição. Estava decidida, mas havia um problema. A ayahuasca fora do Amazonas não tem estatuto legal e a DMT é considerada uma droga, por isso tomá-la em ambiente seguro era missão quase impossível. Ir a um ritual de ayahuasca não é como ir comprar erva ao dealer que vive na tua rua. Enquanto vivia num mix de impaciência e medo dessas sensações tão fortes de que todos me falavam, tive um sonho muito revelador. No meu sonho, o meu avô que acabava de morrer veio despedir-se de mim. Tivemos uma bonita conversa. Despediu-se com um sorriso e disse-me : “Querida Olfa, não tenhas medo, a aya está à tua espera”. E como uma nuvem, esfumou-se. Acordei, o cosmos estava alinhado, e eu mais pronta que nunca. Pouco tempo depois recebi um convite para a cerimónia. Aceitei sem pestanejar.
Cheguei com duas amigas, num sábado à noite, a um templo que fica no meio de um bosque, em Huixquilucan. Choviam canivetes e cheirava a madeira húmida. O nosso xamã vive uma metade do ano no México e a outra no Perú, mas é brasileiro, e o seu nome é Ichiro. Fiquei a saber por várias fontes que é um dos melhores xamãs do México, seja lá o que isso for. Preparámos as nossas mantas, sacos cama, almofadas, lenços de papel, água, um balde, e mais mantas. O meu primeiro reflexo foi localizar a casa de banho, movida pela terrível ideia da purga aka expelir cenas por todos os orifícios do teu corpo.
O xamã preparou o altar, com os seus utensílios e tudo, e leu o protocolo da cerimónia: como e quando pedir outra dose (se sentimos que o “trabalho” ainda não começou) ou manter o silêncio e não incomodar o próximo (visto que é uma experiência introspectiva e pessoal muito forte). Depois houve uma breve apresentação do grupo e cada um falou das suas intenções. O Ichiro acendeu umas velas ao centro do círculo e invocou o avô fogo. Em seguida, e um de cada vez, íamos tomando a “poção”. Não havia volta atrás. Olhei fixamente para os olhos tranquilos do Ichiro, peguei no copo (pouco maior que um copo de shot), repeti internamente as minhas intenções e pedi à “avózinha” que me ensinasse, mas com amor. Dois tragos, e siga. Tem uma consistência espessa e sabe a alcaçuz com tamarindo velho. Quando todos terminámos o Ichiro começou com os ícaros (canções rituais que invocam os espíritos de Pachamama). Progressivamente, cada um dos meus companheiros começou a entrar noutra dimensão. Eu continuava sóbria e pude observar a sua transformação silenciosa. Ao ritmo de diferentes instrumentos via como as suas almas se manifestavam. “Que inveja”, pensei. Continuava sóbria, e portanto decidi repetir a dose. Também queria viver essa experiência mística de fusão com o universo, queria ver Deus, queria entender tudo, queria comover-me com a minha insignificância. Mas estava longe, tão longe. A segunda dose foi um horror, nem sombra do sabor adocicado e bom da primeira vez. Depois de mim vieram mais duas pessoas para um segundo round. Senti-me menos sozinha.
A cerimónia seguia ao ritmo dos ícaros, intercalados com alguns vómitos. Outra vez, um por um, todos começaram a vomitar. E eu? Lúcida e sóbria. Comecei a duvidar dos elogios mágicos que todos faziam à ayahuasca. Não quis ser um destes seres humanos magnânimos que põe em causa os atributos da medicina vegetal, mas não pude evitar. Eu vinha viver uma coisa e essa coisa não estava a acontecer. Estava a cerimónia já bastante avançada quando decidi, pela terceira vez, levar a beberagem à boca. As alminhas da segunda vez também vieram. O sabor era asqueroso. Voltei ao meu lugar e de repente começou.
Senti que alguma coisa alheia se apoderava de mim. Uma visita obscura acompanhada de formas geométricas. A obscuridade que senti nesse momento foi a mais potente de toda a minha vida. Não era negro. Era uma cor pastosa. Uns demónios trepavam as paredes dessa obscuridade que me rodeava. Aos poucos senti a sua energia depositar-se nos meus ombros, e numa expiração profunda abri os olhos. Uma parte importante do controle da tua experiência faz-se através da respiração, porque a respiração é o que te conecta com a vida, e com ela vais manobrando o teu “trabalho”. Escapei brevemente dessa sensação demoníaca, mas as minhas pálpebras não tinham força e voltei ao abismo. Fui invadida por uma angústia, um desespero e uma impotência imensos. Como numa paranóia. Voltei a respirar e a abrir os olhos. À minha volta as pessoas vomitavam, viam Deus, alguns em grande exaltação saltavam todas as regras do protocolo, gritavam, tocavam uns nos outros. Concentrei-me neles, continuei a respirar e a sensação de obscuridade desapareceu. Deve ter durado uns 10 minutos. “Esta é a minha grande lição? Não pode ser só isto…”, pensei eu, atónita e desiludida.
Mas sim, foi só isso. Voltei a estar lúcida. Via o que se passava à minha volta. Um rapaz sentiu-se tão bem que decidiu, voluntariamente, fazer xixi nas calças. Eu observava o mundo ao meu redor, enquanto o xamã tentava, através dos seus cânticos, acalmar e guiar aquela malta. Nesse momento pensei em meter uma quarta dose. Mas só de imaginá-lo tinha vontade de vomitar as entranhas. O xamã aproximava-se de cada um de nós, um por um, para nos “limpar”. Por esta altura já deviam ter passado umas duas horas. Resignei-me e pensei: “Devo ser dessas pessoas a quem isto não bate na primeira vez”. De repente, olhei para o lado e vi que a minha amiga estava tão sóbria como eu. O xamã surpreendido ofereceu-lhe um quarto shot. Um a ela e outro a mim. Disse-nos que tínhamos batido o record do Guiness e todos se riram iluminados pelas forças cósmicas do universo.
Tomei o quarto. Um suspiro cósmico e lá estava eu, cara a cara com Deus. Finalmente. Nada se compara com esta experiência. O universo e eu fomos um só. Eu era o universo, eu era tu, era um “e” intemporal e um “u” interrogativo e infinito. Fui presente, passado e futuro. Senti a energia do meu corpo libertar-se, nó por nó, à volta da minha coluna vertebral. Ri, diverti-me, brinquei com a minha alma, vivi dimensões olfactivas, perdi a noção do tempo e do espaço, porque eu era tempo e espaço. Nunca me diverti tanto, nunca me aliviei tanto, nunca fui tão esplendorosamente feliz. Ria sozinha. Ria com os meus companheiros de viagem. Ria com essas criaturas fluorescentes com quem falava enquanto demorava mil anos a vestir uma camisola. Chorei todas as penas do mundo, e por fim, o Santo Graal: vomitei. Vomitar em ayahuasca é do mais bonito que pode haver, porque não é um vomito físico. Estás a vomitar algo interno, tipo um rancor que guardavas desde os 15 anos. Podes vomitar um desgosto, uma perda, ou vomitar o teu ego que não te deixa avançar. Frente a frente comigo abracei-me e cresci, fui uma divindade e descobri o caminho que me levou a todas as minhas intenções. Morri ao contrário, renasci. Dizem que antes de morrer tens direito a uma retrospectiva de toda a tua vida, e que esse seria o efeito da DMT quando se expulsa do teu organismo. Deve ser verdade. Matei-me conscientemente para reencarnar na pessoa que quero ser. A decisão agora é minha.
A ayahuasca deu-me uma lição de humildade, de ser apenas e só um símio microscópico no esquema universal. Ver os “meus próprios demónios” com a lucidez e a capacidade energética que te dá a ayahuasca pode ser uma benção, se souberes como enfrentá-lo. Foi nascer outra vez. Já não sou a mesma. Não digo que já não seja ateia ou céptica, mas tenho outra percepção da realidade. É como ver extraterrestres. Provavelmente não te vão passar cartão, e é difícil explicar uma coisa que a psique humana não conhece, mas quem viveu sabe. Estamos unidos num entendimento diferente do universo. É maravilhoso levar as capacidades do teu cérebro ao limite. Gostava de voltar a tomar ayahuasca, mas não sei quando. A recuperação é dura. Assim como vem, vai-se num piscar de olhos. É uma abdução alienígena. Mas embora voltes da viagem exausto (porque correste uma maratona espiritual), fisicamente estás novo em folha, pronto para um triatlo.
Talvez a ayahuasca não seja para toda a gente. Tens de estar disposto a atravessar uma poderosa e longa experiência espiritual, e para isso é preciso muita coragem. Mas quando vais sem medos, há coisas não voltam a ser as mesmas. A experiência psicadélica faz parte de uma mudança real, duradoura. Talvez seja mesmo um atalho da meditação ou da psicanálise, com o bónus de ser algo muito mais amoroso e potente. Algo que estavas longe de imaginar.
A minha inteligência existencial é mais forte. Fui tempo e espaço, morri, renasci, chorei, perdoei, amei e agradeci. Sinto que posso tomar as rédeas da minha vida, sem preocupações, sem rancores, sem ego. Simplesmente viver, da forma mais pura e colorida que conseguir. Não tenho medo da morte. O que tenho é muita vontade de viver. Viva o hype da ayahuasca, e obrigada por esta morte pequenina que me ensinou tanto sobre viver.
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Fonte:http://www.vice.com/pt/read/ayahuasca-mudar-de-vida-em-modo-psicadelico

PLANTAS DE PODER - O ÊXTASE XAMÂNICO - LÉO ARTESE


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PLANTAS DE PODER

Por Léo Artese


Das plantas se obtém os princípios ativos empregados nos medicamentos. Deus nos deu uma completa fármácia natural.

DEUS DISSE:

"Eis que vos dou toda a erva que dá semente sobre a Terra e todas as árvores frutíferas, contendo em sí mesmas a sua semente, para que vos sirva de alimento"

Genesis 1,29

Das plantas se obtém os princípios ativos empregados nos medicamentos. Deus nos uma completa fármácia natural. Umas alimentam, outras nos perfumam, outras nos purificam, nos calmam, nos dão prazer, etc. Porém, algumas plantas transportam a mente humana a regiões de maravilhas espirituais, alterando a nossa consciência, levando-nos ao Mundo Profundo, reconectando-nos com os nossos ancestrais.
A pergunta que os vegetalistas mais encontram é a seguinte:
- Para que é necessário tomar uma substância para encontrar a Deus ? Essa cansativa pergunta pode ser respondida por respostas cansativas, tais como :
O que seria do vermelho, se todos gostassem do azul ?
A casa do Meu Pai tem muitas moradas...
Todos os caminhos nos levam a Deus.... e por aí vai..
Quero começar tirando os rótulos: alucinógeno, drogas...
jagube.jpgO uso de Plantas Sagradas vem fazendo parte da experiência humana há milênios. Não podem nunca serem confundidas com drogas que causam a dependência e colocam em risco a saúde de quem as usa. A Planta é criação de Deus, a droga é uma criação humana.
As Plantas de Poder são ingeridas em rituais. Obedecem a preceito mágico-religiosos e proporcionam cura, autoconhecimento, expansão da consciência.
Com as obras de Castañeda, abriu-se uma porta para a observação do uso de plantas de poder, para a expansão da consciência, mas há sinais de sua utilização em Escrituras Sagradas. Sabe-se por exemplo que os sacerdotes védicos se utilizavam do Soma para entrar em contato com o Reino Celestial, que o Rei Salomão era mestre no conhecimento de algumas plantas de poder. Os druidas tomavam uma poção que lhes conferia força e coragem, mas, foi entre os primitivos, os indígenas que se têm um relato mais preciso de sua utilização.
Conhecidas atualmente como plantas enteógenas ( entheos = Deus dentro ) são também reconhecidas como; Plantas Mestres, Plantas Professoras, Plantas de Conhecimento, Plantas de Poder, Plantas Sagradas.
As plantas de Poder, em suas diferentes espécies, participaram e participam de cerimônias rituais em todos os continentes. Com o advento das obras de Castañeda, abriu-se uma porta para a observação do uso de plantas para expansão da consciência, porém há sinais de sua utilização em muitas escrituras sagradas.
rainha.jpgAtualmente, existem comunidades religiosas que se utilizam de Plantas de Poder, como sacramento de seus rituais tais como; a Igreja Nativa Americana que se utiliza do Peiote ( Don Juan ) ; o Catimbó, da Jurema; a Ganja entre os Rastafaris, O Santo Daime, a União Vegetal, e a Barquinha, da bebida Sacramental conhecida no Peru como Ayauasca, e nas matas brasileiras com os nomes; iagé, nixi honi xuma, caapi.
As Plantas de Poder aumentam a percepção, a acuidade visual e auditiva, e transportam o praticante para outras camadas vibracionais ou dimensões. A experiência é individual, algumas pessoas tem visões, outras canalizam mensagens, fazem regressões, recebem insights, recebem soluções para seus problemas com maior claridade, percebem as causas de suas doenças, recebem cura, se conectam a arquétipos, aos mitos, aos medos, traumas, símbolos que estão no inconsciente coletivo, visualizam entidades, viajam astralmente, etc..
O uso ritualístico de Plantas de Poder, proporciona, sem dúvida, uma experiência místico-religiosa de beleza incomparável, proporcionando o samadhi, o êxtase, o nirvana, o encontro com o Eu Superior, o transe.
Gostaría de ressaltar uma pequena preocupação com relação ao uso de cogumelos e plantas sagradas, sabemos que estas plantas foram utilizadas por nossos ancestrais. Nós civilizados, que temos uma alimentação cheia de aditivos quimicos, onde reina, por exemplo, esse mundo dos refrigerantes, pricipalmente as "colas",sei que nossos organismos não são puros e contaminados por corantes, conservantes, agrotóxicos e etc... Será que os nossos ancestrais suportavam melhor estas plantas pois seus organismos eram mais puros e naturais?
É óbvio que se observamos uma dieta, a experiência torna-se mais plena. E isso acontece na medicina também. Nos pós-operatório os médicos já vão recomendando uma certa dieta, na recuperação dos pacientes também há dietas. Porém, cada organismo é um. Eu conheço casos de pessoas que comem carne antes de irem para o trabalho espiritual. Assim como se você briga, discute, fica externando raiva de alguém, sua experiência muda. Alguns trabalhos no Perú exigem uma dieta de 7 dias, outros, antes de tomarem enteógenos passam por "purgas".
Outro fator : O uso de plantas sagradas tende a fazer com que as pessoas passem a querer consumir produtos mais saudáveis. Quanto aos químicos, conheço muitos casos, nestes anos todos em que tive a graça de conhecer "as Plantas Sagradas", de pessoas que largaram dependências químicas, vícios de álcool, etc. Lembrando que as Plantas possuem um poder depurativo, ou sejam elas provocam limpeza, quando acham algo a ser limpado. Tanto no corpo, como na mente, nas emoções e no espírito.
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Alerta - A busca pelas Plantas de Poder pode ser perigosa. Não são todos os que dizem conhece-las, que as conhecem realmente. As Plantas de Poder só trazem resultados benéficos, se utilizadas dentro de um fundamento espiritual. Consagradas em rituais e preparadas de forma correta.

O texto abaixo é de Terence Mackenna foi um dos mais importantes e divertido estudioso de plantas enteógenas e visionário da América :

“A história humana tem sido uma corrida de quinze mil anos, desde o equilíbrio no berço africano até a apoteose de desilusão, desvalorização e morte em massa no século XX. Agora estamos no limiar do vôo estelar, das tecnologias de realidade virtual e de um xamanismo renascido que anuncia o abandono do corpo do macaco e do grupo tribal que sempre foram nosso contexto.
A era da imaginação está surgindo. As plantas xamânicas e os mundos que elas revelam são mundos dos quais imaginamos que viemos há muito, mundos de luz, poder e beleza que, de um modo ou de outro, estão por trás das visões escatológicas de todas as grandes religiões do mundo. Podemos reivindicar esse legado pródigo assim que pudermos refazer nossa linguagem e a nós mesmos.
Refazer nossa linguagem significa rejeitar a auto-imagem que herdamos da cultura dominadora - a imagem de uma criatura culpada pelo pecado, e portanto merecendo a exclusão do paraíso. O paraíso é nosso direito por nascença, e pode ser reivindicado por qualquer um de nós.
A natureza não é nossa inimiga, para ser estuprada e conquistada. A natureza somos nós, para ser investigada e tratada com carinho. O xamanismo sempre soube disso, e sempre, em suas expressões mais autênticas, ensinou que o caminho requer aliado. Esses aliados são as plantas alucinógenas e as misteriosas entidades mestras, luminosas e transcendentais, que residem na dimensão próxima, dimensão de beleza e compreensão extática que negamos até quase ser tarde demais.
Agora podemos nos dirigir para uma nova visão de nós mesmos e de nosso papel na natureza. Somos a espécie adaptável a tudo, somos os pensadores, os fazedores, os solucionadores de problemas

Trecho extraído do livro do meu querido amigo, o antropólogo Edward McRae: "Guiado Pela Lua ". - Ed. Brasiliense :

"O uso de psicoativos para variados fins, mas principalmente na busca da cura e contato com o divino, ocorre historicamente em muitas regiões do mundo. Os textos sagrados da Índia e os poemas épicos de Homero, na Grécia, trazem relatos sobre o uso de plantas e outras substâncias naturais para provocar alterações de consciência. Até em regiões tão ermas quanto a Sibéria usou-se cogumelos para fins xamânicos.
Entretanto, é nas Américas que se concentra o maior número dessas substâncias, e onde até hoje mais freqüentemente se faz uso delas. Seu emprego nesta região do mundo está ligado mais a fins sagrados, na recreacionais, para validar ou retificar a cultura, e não como uma maneira de temporariamente escapar dela. É possível que a maioria das tribos indígenas da região da bacia do Amazonas e do Orenoco use preparados feitos de uma ou mais plantas psicoativas em funções centrais da sua vida religiosa e cultural.
De todas as plantas, a que tem seu uso mais difundido é a Banisteriopsis, cujas variedades, caapi, quitenses e inebrians são utilizadas no preparo da ayahuasca. As receitas dessa bebida variam, e os diversos grupos adicionam a ela diferentes ervas, dependendo de suas tradições e dos fins a que ela se destina. Geralmente incluem a Diploterys Cabrerana, a Psychotria Carthaginensis ou mais comumente, a Psychotria viridis, que se crê eficientes em reforçar e sustentar as visões provocadas."

Comentários do médico francês Jacques Mabit, estudioso da ayahuasca, fundador Takiwasi - Centro de Reabilitação de Toxicômanos e de Investigação de Medicinas Tradicionais, em Tarapoto - Peru :

"O vocabulário "alucinação", amplamente utilizado, possui um claro sentido depreciativo que prejudica a questão a debater. Parece-nos mais apropriado em tal debate falar de "visão" e de "ver" para designar as percepções mentais experimentadas em uma sessão de Ayahuasca, cobrindo assim não sómente a imaginação mental, principal, mas também as percepções atribuídas aos outros sentidos. Não se qualifica de alucinação uma visão que conduza a uma ação eficiente ou operatória permitindo ao sujeito dominar melhor o seu universo interior. O "ver" não é experimentado como uma compreensão de ordem intelectual, mas como um entendimento imediato, global e instantâneo que mobiliza todos os sentidos e funções. A visão se manifesta do mesmo modo que um insight.
O mundo visionário das plantas oferece ampliar o panorama mental do sujeirto ocidental e em lugar da uniformização triste, linear e monótona de sua excessiva mentalização racional, outorgar-lhe uma abordagem renovada da vida em todas a sua amplitude, descobrindo-lhe realidades múltiplas ou múltiplos olhares sobre a realidade, com maior integração de seu corpo e de seu coração, de sua materialidade e sua afetividade "

Comentários do Padrinho Alex Polari de Alverga, Diretor de Comunicação do CEFLURIS - Santo Daime, fundador da Comunidade Céu da Montanha em Mauá -RJ:

"Algumas teorias especulam que, na aurora dos tempos, as plantas divinatórias foram o fruto proibido que influiu decisivamente na passagem da semiconsciência biológica para a consciência humana, trazendo com ela a faca de dois gumes do livre-arbítrio. Ajustou-se assim o espírito à matéria e consumou-se a queda do espírito na carne.
Estamos no crepúsculo desse mesmo tempo e não é a toa que a relação entre mente, consciência e espírito, trazida a baila pelo uso de plantas de poder, esteja hoje tão presente em nossa civilização, confundida pela desinformação e pelo preconceito com uma das questões mais inquietantes dessa nova civilização : as drogas.
Pessoalmente acho positivo o fato das plantas de poder não serem uma unanimidade. Se assim fosse, talvez não houvesse plantas para todos, e a ciência se apropriaria desse conhecimento, do mesmo jeito que quer fazer hoje com a acupuntura e outras práticas naturais."

Fonte:http://www.xamanismo.com.br/Poder/SubPoder1189634475