terça-feira, 19 de abril de 2016

AYAHUASCA : MUDAR DE VIDA EM MODO PSICODÉLICO

Ayahuasca: Mudar de vida em modo psicodélico

Por Olfa Masmoudi
outubro 21, 2014

A linha entre o que consideramos uma droga psicadélica e aquilo a que podemos chamar medicina ancestral para entrar em transe, é muito fina. Quando contei à minha família o que ia fazer, tanto eles como eu pensávamos que se tratava de uma trip intensa, da família do LSD, mas natural. Uma droga de hippies chic, arrebatada às tribos peruanas, para satisfazer a necessidade de êxtase místico da nossa sociedade moderna ocidental. Estava redondamente enganada. O que vivi, fruto do meu encontro com a ayahuasca foi, sem exagero, a experiência mais enriquecedora que tive na vida. Foi tipo fazer reset ao meu sistema como ser vivo neste planeta.
Com a ayahuasca morres um bocadinho, ou seja, é uma morte pequenina. Como me explicou o xamã, tens de matar as sombras que não te deixam crescer, vais ao encontro do mais temeroso e obscuro que tens cá dentro. Também lhe chamam “liana da morte”. Essa obscuridade é o teu inconsciente, é um tête-à-tête com o mais profundo do teu ser. A experiência é dura, como uma luta de gladiadores em território fantástico e desconhecido, onde o limite é a morte. Só um gladiador sobrevive, e como não podes ficar pelo caminho, o teu consciente nalgum momento há-de ver a luz. Só que essa luz não é a luz ao final do túnel, é mais a luz de quem abre pela primeira vez os olhos, como quando sais da escuridão do ventre materno. O teu inconsciente matou-te. Com a ayahuasca perdes sempre a batalha, mas só para nascer mais forte, mais vivo, e mais conectado com a vida. A esta batalha chama-se “trabalho”. E mais que um trabalho, é um périplo algo parecido aos 12 trabalhos do Hércules. A viagem do herói que quer provar aos deuses que tem valor. Esse é o tipo de trabalho que a ayahuasca te põe à frente. Mas não te preocupes que a recompensa é inversamente grata. Experimentas a sensação de semi-deus.
A ayahuasca faz parte das plantas mestras professoras (nas quais também se inclui o peyote). É uma mestra professora conhecida como “avózinha”, porque assim como uma avó, é firme e dura, mas fá-lo com amor e só quer o teu bem.
A ayahuasca é uma beberagem psicadélica utilizada em rituais. Os xamãs, os curandeiros e os mestres ayahuasqueiros das etnias do Amazonas usam-na há mais de cinco mil anos, como forma de alcançar a expansão da consciência. A ayahuasca é oquid da cura e da vida espiritual na bacia do Amazonas.
Pode chamar-se huasca, purga ou daime, e é a mistura de duas ou mais substâncias farmacologicamente activas: a liana da ayahuasca (Banisteriopsis caapi) e a Chacrona (Psychotria viridis), que por sua vez são esmagadas e cozidas durante 16 horas. Estes dois elementos juntos activam a diemetriltriptamina (DMT) no cérebro. A DMT não tem actividade quando a tomas oralmente, a não ser que venha acompanhada de um inibidor de MAO (monoaminooxidasa), como é o caso da ayahuasca.
A DMT é um alcalóide triptamínico, e a responsável pelos sonhos na fase REM (rapid eye movement), quando entramos no inconsciente. Também está a cargo dos sonhos lúcidos. Diz-se que o corpo só liberta DMT quando nasce e quando morre. Esta teoria popularizou a sua versão sintética, mas que não tem comparação com a ayahuasca.
Há dois tempos importantes nesta experiência. O tempo eminente e tangível, ou seja, o momento em que a tomas e as oito horas que seguem, (o tal morrer e nascer ao mesmo tempo). E o tempo seguinte, o trabalho de todos os dias depois de tomá-la. Antes de contar a minha história quis que passasse um tempo, só para ver como flui e transita tudo o que senti nesse dia.
A nossa educação ocidental ensina-nos que o processo de conhecimento se faz através do verbo e da escrita, mas quando embarcas numa viagem com a ayahuasca o primeiro passo a dar é libertar-se dessas bitolas, e estar pronto para o que der e vier, seja lá o que isso for. Tudo faz parte de um processo que começa antes da noite da cerimónia, e continua indefinidamente no tempo. A lição começa antes com as mudanças na alimentação. Há muita gente que não faz a dieta, que a transforma, que foi mal informada, ou que já tomou tantas vezes a ayahuasca que decidiu inventar uma nova. Cada um sabe de si e vive a experiência como lhe apetecer, mas quando é a tua primeira vez, e vais fazê-lo com um xamã - de confiança - é melhor seguires o plano, se quiseres evitar um mau bocado. Alguns vão pedir-te que faças a dieta prévia durante um mês, outros uma semana, mas todos com o mesmo objectivo: purificar o teu organismo para que o golpe físico seja o menos violento possível. De certa maneira é uma purga e por isso, quanto mais contaminado estiveres, maior vai ser o abanão. A dieta é basicamente esta: nada de carnes vermelhas (e dois dias antes é melhor não comer qualquer tipo de carne), nada de alimentos processados nem irritantes, tipo picante e café (esta foi quase missão impossível), nada de álcool nem drogas recreativas ou farmacêuticas, nada de lácteos, nada de sexo, e muito descanso nos três dias que antecedem o “trabalho”. Deves manter esta dieta nos três dias seguintes, vais ver que recuperas melhor e tens melhores resultados. Pela parte que me toca, segui-a ao pé da letra, e na hora H o meu corpo curtiu.
Aqui começa a primeira grande mudança. Todos os que tomam a ayahuasca têm um objectivo, e quando entendem que não vai ser uma experiência recreativa as intenções variam entre: descobrir o caminho do presente, abrir novas portas, ultrapassar traumas, superar dependências, transformar modus operandis ou ter uma experiência espiritual, entre outras coisas. Acho que não é importante catalogar todas as causas, mas sim entender o que é transversal a todas elas: a mudança de hábitos, (seja catalisador ou efeito colateral). O psicólogo William James, fundador da psicologia funcional e defensor das terapias alternativas feitas com curandeiros, foi o primeiro a falar sobre este tema. Devemos-lhe a teoria dos 21 dias necessários para mudar um hábito, que é o tempo que cérebro precisa para assimilá-lo. Mas os novos estudos realizados pela Universidade do Sul da Califórnia dizem outra coisa. Os hábitos formam-se a partir de uma necessidade e são o fruto de uma aprendizagem de associação, que dura entre 15 e 254 dias. Se queremos mudanças de verdade, é melhor manter a zenitude, porque é preciso tempo para assimilar todas as “revelações”. Quando mergulhamos neste tema, em todas as suas facetas, começam a surgir as primeiras perguntas. Eu própria me interrogo: Será que a ayahuasca é um atalho da meditação e da psicanálise? Será que não tenho paciência para nenhuma das duas?
No ultimo quarto de século os ocidentais norte-americanos e europeus começaram a peregrinar à América do Sul. Queriam experimentar a ayahuasca, no Perú. William Burroughs visitou a América do Sul em 1950 para provar o yagé. Foi o primeiro turista da ayahuasca. Burroughs contou a sua experiência ao seu amigo Allen Ginsberg, e dessa troca de relatos nasceu o icónico livro: Cartas do Yage.
A razão fundamental do hype da ayahuasca é evidente para quem já sentiu os seus efeitos. Sim, é uma experiência psicadélica brutal, mas é muito mais que isso. É transcendental. Em Setembro de 2014 aconteceu o Congresso Internacional de ayahuasca en Ibiza, com fóruns académicos, legais, e interlocutores tanto científicos como xamânicos. É preciso estar atento à globalização da ayahuasca, à vulgarização da cosmogonia amazónica e à ilusão de uma poção mágica que vem resolver os nossos problemas. Já apareceram os primeiros xamãs impostores, e com eles algumas mistelas mal preparadas que são, evidentemente, perigosas.
Tenho medo que a ayahuasca (que ainda está num limbo legal) se converta na Disneylândia da experiência psicadélica. Mas qualquer intenção desonesta para com a planta tem o seu preço. Porque a ayahuasca, à sua maneira, mata-te. Na cerimónia apercebi-me deste frenesim. Mais de metade eram principiantes, e a média de idades rondava os 29 anos. Mas há esperança. A de que todos entremos numa consciência universal, em comunhão com todos os seres vivos.
Dizem que tens de estar preparado e saber mesmo bem quais são as tuas intenções. Mas também dizem que o chamamento mais forte é o da planta , quando é ela que te vem buscar. Comigo foi assim. Desde o início do ano, e sem dar por isso, fui encontrado pessoas, que por uma razão ou por outra me falavam no assunto. Uma grande amiga até passou umas semanas num retiro ayahuasquero, no Perú. Não liguei nenhuma a estes sinais. Também porque achava, no meu modo cartesiano e céptico de pensar, que estas propriedades transcendentais da planta eram exageradas. Tinha encontrado a minha espiritualidade há uns anos. Acreditava nas “forças cósmicas do universo”. Andava à procura de experiências suaves: conectar-me com a Terra através da natureza, viver o aqui e o agora, meditar como forma de alcançar o equilíbrio entre o corpo e a mente. E já está. A minha visão da espiritualidade estava longe da dos meus interlocutores ayahuasqueiros. Mas havia algo que me cativava. Ou era a sua forma de falar, ou a sua forma de ser perante a vida, eram diferentes dos outros. Era quase hipnótico. Aos bocadinhos, e sem querer, cada vez estava mais perto da ayahuasca. A curiosidade superava o meu pensamento racional e foi aí que começaram as perguntas. Estava pronta, já sabia quais eram as minhas intenções. E para mim não havia tempo nem maneira de ir por outro lado, murmurava a minha intuição. Estava decidida, mas havia um problema. A ayahuasca fora do Amazonas não tem estatuto legal e a DMT é considerada uma droga, por isso tomá-la em ambiente seguro era missão quase impossível. Ir a um ritual de ayahuasca não é como ir comprar erva ao dealer que vive na tua rua. Enquanto vivia num mix de impaciência e medo dessas sensações tão fortes de que todos me falavam, tive um sonho muito revelador. No meu sonho, o meu avô que acabava de morrer veio despedir-se de mim. Tivemos uma bonita conversa. Despediu-se com um sorriso e disse-me : “Querida Olfa, não tenhas medo, a aya está à tua espera”. E como uma nuvem, esfumou-se. Acordei, o cosmos estava alinhado, e eu mais pronta que nunca. Pouco tempo depois recebi um convite para a cerimónia. Aceitei sem pestanejar.
Cheguei com duas amigas, num sábado à noite, a um templo que fica no meio de um bosque, em Huixquilucan. Choviam canivetes e cheirava a madeira húmida. O nosso xamã vive uma metade do ano no México e a outra no Perú, mas é brasileiro, e o seu nome é Ichiro. Fiquei a saber por várias fontes que é um dos melhores xamãs do México, seja lá o que isso for. Preparámos as nossas mantas, sacos cama, almofadas, lenços de papel, água, um balde, e mais mantas. O meu primeiro reflexo foi localizar a casa de banho, movida pela terrível ideia da purga aka expelir cenas por todos os orifícios do teu corpo.
O xamã preparou o altar, com os seus utensílios e tudo, e leu o protocolo da cerimónia: como e quando pedir outra dose (se sentimos que o “trabalho” ainda não começou) ou manter o silêncio e não incomodar o próximo (visto que é uma experiência introspectiva e pessoal muito forte). Depois houve uma breve apresentação do grupo e cada um falou das suas intenções. O Ichiro acendeu umas velas ao centro do círculo e invocou o avô fogo. Em seguida, e um de cada vez, íamos tomando a “poção”. Não havia volta atrás. Olhei fixamente para os olhos tranquilos do Ichiro, peguei no copo (pouco maior que um copo de shot), repeti internamente as minhas intenções e pedi à “avózinha” que me ensinasse, mas com amor. Dois tragos, e siga. Tem uma consistência espessa e sabe a alcaçuz com tamarindo velho. Quando todos terminámos o Ichiro começou com os ícaros (canções rituais que invocam os espíritos de Pachamama). Progressivamente, cada um dos meus companheiros começou a entrar noutra dimensão. Eu continuava sóbria e pude observar a sua transformação silenciosa. Ao ritmo de diferentes instrumentos via como as suas almas se manifestavam. “Que inveja”, pensei. Continuava sóbria, e portanto decidi repetir a dose. Também queria viver essa experiência mística de fusão com o universo, queria ver Deus, queria entender tudo, queria comover-me com a minha insignificância. Mas estava longe, tão longe. A segunda dose foi um horror, nem sombra do sabor adocicado e bom da primeira vez. Depois de mim vieram mais duas pessoas para um segundo round. Senti-me menos sozinha.
A cerimónia seguia ao ritmo dos ícaros, intercalados com alguns vómitos. Outra vez, um por um, todos começaram a vomitar. E eu? Lúcida e sóbria. Comecei a duvidar dos elogios mágicos que todos faziam à ayahuasca. Não quis ser um destes seres humanos magnânimos que põe em causa os atributos da medicina vegetal, mas não pude evitar. Eu vinha viver uma coisa e essa coisa não estava a acontecer. Estava a cerimónia já bastante avançada quando decidi, pela terceira vez, levar a beberagem à boca. As alminhas da segunda vez também vieram. O sabor era asqueroso. Voltei ao meu lugar e de repente começou.
Senti que alguma coisa alheia se apoderava de mim. Uma visita obscura acompanhada de formas geométricas. A obscuridade que senti nesse momento foi a mais potente de toda a minha vida. Não era negro. Era uma cor pastosa. Uns demónios trepavam as paredes dessa obscuridade que me rodeava. Aos poucos senti a sua energia depositar-se nos meus ombros, e numa expiração profunda abri os olhos. Uma parte importante do controle da tua experiência faz-se através da respiração, porque a respiração é o que te conecta com a vida, e com ela vais manobrando o teu “trabalho”. Escapei brevemente dessa sensação demoníaca, mas as minhas pálpebras não tinham força e voltei ao abismo. Fui invadida por uma angústia, um desespero e uma impotência imensos. Como numa paranóia. Voltei a respirar e a abrir os olhos. À minha volta as pessoas vomitavam, viam Deus, alguns em grande exaltação saltavam todas as regras do protocolo, gritavam, tocavam uns nos outros. Concentrei-me neles, continuei a respirar e a sensação de obscuridade desapareceu. Deve ter durado uns 10 minutos. “Esta é a minha grande lição? Não pode ser só isto…”, pensei eu, atónita e desiludida.
Mas sim, foi só isso. Voltei a estar lúcida. Via o que se passava à minha volta. Um rapaz sentiu-se tão bem que decidiu, voluntariamente, fazer xixi nas calças. Eu observava o mundo ao meu redor, enquanto o xamã tentava, através dos seus cânticos, acalmar e guiar aquela malta. Nesse momento pensei em meter uma quarta dose. Mas só de imaginá-lo tinha vontade de vomitar as entranhas. O xamã aproximava-se de cada um de nós, um por um, para nos “limpar”. Por esta altura já deviam ter passado umas duas horas. Resignei-me e pensei: “Devo ser dessas pessoas a quem isto não bate na primeira vez”. De repente, olhei para o lado e vi que a minha amiga estava tão sóbria como eu. O xamã surpreendido ofereceu-lhe um quarto shot. Um a ela e outro a mim. Disse-nos que tínhamos batido o record do Guiness e todos se riram iluminados pelas forças cósmicas do universo.
Tomei o quarto. Um suspiro cósmico e lá estava eu, cara a cara com Deus. Finalmente. Nada se compara com esta experiência. O universo e eu fomos um só. Eu era o universo, eu era tu, era um “e” intemporal e um “u” interrogativo e infinito. Fui presente, passado e futuro. Senti a energia do meu corpo libertar-se, nó por nó, à volta da minha coluna vertebral. Ri, diverti-me, brinquei com a minha alma, vivi dimensões olfactivas, perdi a noção do tempo e do espaço, porque eu era tempo e espaço. Nunca me diverti tanto, nunca me aliviei tanto, nunca fui tão esplendorosamente feliz. Ria sozinha. Ria com os meus companheiros de viagem. Ria com essas criaturas fluorescentes com quem falava enquanto demorava mil anos a vestir uma camisola. Chorei todas as penas do mundo, e por fim, o Santo Graal: vomitei. Vomitar em ayahuasca é do mais bonito que pode haver, porque não é um vomito físico. Estás a vomitar algo interno, tipo um rancor que guardavas desde os 15 anos. Podes vomitar um desgosto, uma perda, ou vomitar o teu ego que não te deixa avançar. Frente a frente comigo abracei-me e cresci, fui uma divindade e descobri o caminho que me levou a todas as minhas intenções. Morri ao contrário, renasci. Dizem que antes de morrer tens direito a uma retrospectiva de toda a tua vida, e que esse seria o efeito da DMT quando se expulsa do teu organismo. Deve ser verdade. Matei-me conscientemente para reencarnar na pessoa que quero ser. A decisão agora é minha.
A ayahuasca deu-me uma lição de humildade, de ser apenas e só um símio microscópico no esquema universal. Ver os “meus próprios demónios” com a lucidez e a capacidade energética que te dá a ayahuasca pode ser uma benção, se souberes como enfrentá-lo. Foi nascer outra vez. Já não sou a mesma. Não digo que já não seja ateia ou céptica, mas tenho outra percepção da realidade. É como ver extraterrestres. Provavelmente não te vão passar cartão, e é difícil explicar uma coisa que a psique humana não conhece, mas quem viveu sabe. Estamos unidos num entendimento diferente do universo. É maravilhoso levar as capacidades do teu cérebro ao limite. Gostava de voltar a tomar ayahuasca, mas não sei quando. A recuperação é dura. Assim como vem, vai-se num piscar de olhos. É uma abdução alienígena. Mas embora voltes da viagem exausto (porque correste uma maratona espiritual), fisicamente estás novo em folha, pronto para um triatlo.
Talvez a ayahuasca não seja para toda a gente. Tens de estar disposto a atravessar uma poderosa e longa experiência espiritual, e para isso é preciso muita coragem. Mas quando vais sem medos, há coisas não voltam a ser as mesmas. A experiência psicadélica faz parte de uma mudança real, duradoura. Talvez seja mesmo um atalho da meditação ou da psicanálise, com o bónus de ser algo muito mais amoroso e potente. Algo que estavas longe de imaginar.
A minha inteligência existencial é mais forte. Fui tempo e espaço, morri, renasci, chorei, perdoei, amei e agradeci. Sinto que posso tomar as rédeas da minha vida, sem preocupações, sem rancores, sem ego. Simplesmente viver, da forma mais pura e colorida que conseguir. Não tenho medo da morte. O que tenho é muita vontade de viver. Viva o hype da ayahuasca, e obrigada por esta morte pequenina que me ensinou tanto sobre viver.
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Fonte:http://www.vice.com/pt/read/ayahuasca-mudar-de-vida-em-modo-psicadelico

PLANTAS DE PODER - O ÊXTASE XAMÂNICO - LÉO ARTESE


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PLANTAS DE PODER

Por Léo Artese


Das plantas se obtém os princípios ativos empregados nos medicamentos. Deus nos deu uma completa fármácia natural.

DEUS DISSE:

"Eis que vos dou toda a erva que dá semente sobre a Terra e todas as árvores frutíferas, contendo em sí mesmas a sua semente, para que vos sirva de alimento"

Genesis 1,29

Das plantas se obtém os princípios ativos empregados nos medicamentos. Deus nos uma completa fármácia natural. Umas alimentam, outras nos perfumam, outras nos purificam, nos calmam, nos dão prazer, etc. Porém, algumas plantas transportam a mente humana a regiões de maravilhas espirituais, alterando a nossa consciência, levando-nos ao Mundo Profundo, reconectando-nos com os nossos ancestrais.
A pergunta que os vegetalistas mais encontram é a seguinte:
- Para que é necessário tomar uma substância para encontrar a Deus ? Essa cansativa pergunta pode ser respondida por respostas cansativas, tais como :
O que seria do vermelho, se todos gostassem do azul ?
A casa do Meu Pai tem muitas moradas...
Todos os caminhos nos levam a Deus.... e por aí vai..
Quero começar tirando os rótulos: alucinógeno, drogas...
jagube.jpgO uso de Plantas Sagradas vem fazendo parte da experiência humana há milênios. Não podem nunca serem confundidas com drogas que causam a dependência e colocam em risco a saúde de quem as usa. A Planta é criação de Deus, a droga é uma criação humana.
As Plantas de Poder são ingeridas em rituais. Obedecem a preceito mágico-religiosos e proporcionam cura, autoconhecimento, expansão da consciência.
Com as obras de Castañeda, abriu-se uma porta para a observação do uso de plantas de poder, para a expansão da consciência, mas há sinais de sua utilização em Escrituras Sagradas. Sabe-se por exemplo que os sacerdotes védicos se utilizavam do Soma para entrar em contato com o Reino Celestial, que o Rei Salomão era mestre no conhecimento de algumas plantas de poder. Os druidas tomavam uma poção que lhes conferia força e coragem, mas, foi entre os primitivos, os indígenas que se têm um relato mais preciso de sua utilização.
Conhecidas atualmente como plantas enteógenas ( entheos = Deus dentro ) são também reconhecidas como; Plantas Mestres, Plantas Professoras, Plantas de Conhecimento, Plantas de Poder, Plantas Sagradas.
As plantas de Poder, em suas diferentes espécies, participaram e participam de cerimônias rituais em todos os continentes. Com o advento das obras de Castañeda, abriu-se uma porta para a observação do uso de plantas para expansão da consciência, porém há sinais de sua utilização em muitas escrituras sagradas.
rainha.jpgAtualmente, existem comunidades religiosas que se utilizam de Plantas de Poder, como sacramento de seus rituais tais como; a Igreja Nativa Americana que se utiliza do Peiote ( Don Juan ) ; o Catimbó, da Jurema; a Ganja entre os Rastafaris, O Santo Daime, a União Vegetal, e a Barquinha, da bebida Sacramental conhecida no Peru como Ayauasca, e nas matas brasileiras com os nomes; iagé, nixi honi xuma, caapi.
As Plantas de Poder aumentam a percepção, a acuidade visual e auditiva, e transportam o praticante para outras camadas vibracionais ou dimensões. A experiência é individual, algumas pessoas tem visões, outras canalizam mensagens, fazem regressões, recebem insights, recebem soluções para seus problemas com maior claridade, percebem as causas de suas doenças, recebem cura, se conectam a arquétipos, aos mitos, aos medos, traumas, símbolos que estão no inconsciente coletivo, visualizam entidades, viajam astralmente, etc..
O uso ritualístico de Plantas de Poder, proporciona, sem dúvida, uma experiência místico-religiosa de beleza incomparável, proporcionando o samadhi, o êxtase, o nirvana, o encontro com o Eu Superior, o transe.
Gostaría de ressaltar uma pequena preocupação com relação ao uso de cogumelos e plantas sagradas, sabemos que estas plantas foram utilizadas por nossos ancestrais. Nós civilizados, que temos uma alimentação cheia de aditivos quimicos, onde reina, por exemplo, esse mundo dos refrigerantes, pricipalmente as "colas",sei que nossos organismos não são puros e contaminados por corantes, conservantes, agrotóxicos e etc... Será que os nossos ancestrais suportavam melhor estas plantas pois seus organismos eram mais puros e naturais?
É óbvio que se observamos uma dieta, a experiência torna-se mais plena. E isso acontece na medicina também. Nos pós-operatório os médicos já vão recomendando uma certa dieta, na recuperação dos pacientes também há dietas. Porém, cada organismo é um. Eu conheço casos de pessoas que comem carne antes de irem para o trabalho espiritual. Assim como se você briga, discute, fica externando raiva de alguém, sua experiência muda. Alguns trabalhos no Perú exigem uma dieta de 7 dias, outros, antes de tomarem enteógenos passam por "purgas".
Outro fator : O uso de plantas sagradas tende a fazer com que as pessoas passem a querer consumir produtos mais saudáveis. Quanto aos químicos, conheço muitos casos, nestes anos todos em que tive a graça de conhecer "as Plantas Sagradas", de pessoas que largaram dependências químicas, vícios de álcool, etc. Lembrando que as Plantas possuem um poder depurativo, ou sejam elas provocam limpeza, quando acham algo a ser limpado. Tanto no corpo, como na mente, nas emoções e no espírito.
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Alerta - A busca pelas Plantas de Poder pode ser perigosa. Não são todos os que dizem conhece-las, que as conhecem realmente. As Plantas de Poder só trazem resultados benéficos, se utilizadas dentro de um fundamento espiritual. Consagradas em rituais e preparadas de forma correta.

O texto abaixo é de Terence Mackenna foi um dos mais importantes e divertido estudioso de plantas enteógenas e visionário da América :

“A história humana tem sido uma corrida de quinze mil anos, desde o equilíbrio no berço africano até a apoteose de desilusão, desvalorização e morte em massa no século XX. Agora estamos no limiar do vôo estelar, das tecnologias de realidade virtual e de um xamanismo renascido que anuncia o abandono do corpo do macaco e do grupo tribal que sempre foram nosso contexto.
A era da imaginação está surgindo. As plantas xamânicas e os mundos que elas revelam são mundos dos quais imaginamos que viemos há muito, mundos de luz, poder e beleza que, de um modo ou de outro, estão por trás das visões escatológicas de todas as grandes religiões do mundo. Podemos reivindicar esse legado pródigo assim que pudermos refazer nossa linguagem e a nós mesmos.
Refazer nossa linguagem significa rejeitar a auto-imagem que herdamos da cultura dominadora - a imagem de uma criatura culpada pelo pecado, e portanto merecendo a exclusão do paraíso. O paraíso é nosso direito por nascença, e pode ser reivindicado por qualquer um de nós.
A natureza não é nossa inimiga, para ser estuprada e conquistada. A natureza somos nós, para ser investigada e tratada com carinho. O xamanismo sempre soube disso, e sempre, em suas expressões mais autênticas, ensinou que o caminho requer aliado. Esses aliados são as plantas alucinógenas e as misteriosas entidades mestras, luminosas e transcendentais, que residem na dimensão próxima, dimensão de beleza e compreensão extática que negamos até quase ser tarde demais.
Agora podemos nos dirigir para uma nova visão de nós mesmos e de nosso papel na natureza. Somos a espécie adaptável a tudo, somos os pensadores, os fazedores, os solucionadores de problemas

Trecho extraído do livro do meu querido amigo, o antropólogo Edward McRae: "Guiado Pela Lua ". - Ed. Brasiliense :

"O uso de psicoativos para variados fins, mas principalmente na busca da cura e contato com o divino, ocorre historicamente em muitas regiões do mundo. Os textos sagrados da Índia e os poemas épicos de Homero, na Grécia, trazem relatos sobre o uso de plantas e outras substâncias naturais para provocar alterações de consciência. Até em regiões tão ermas quanto a Sibéria usou-se cogumelos para fins xamânicos.
Entretanto, é nas Américas que se concentra o maior número dessas substâncias, e onde até hoje mais freqüentemente se faz uso delas. Seu emprego nesta região do mundo está ligado mais a fins sagrados, na recreacionais, para validar ou retificar a cultura, e não como uma maneira de temporariamente escapar dela. É possível que a maioria das tribos indígenas da região da bacia do Amazonas e do Orenoco use preparados feitos de uma ou mais plantas psicoativas em funções centrais da sua vida religiosa e cultural.
De todas as plantas, a que tem seu uso mais difundido é a Banisteriopsis, cujas variedades, caapi, quitenses e inebrians são utilizadas no preparo da ayahuasca. As receitas dessa bebida variam, e os diversos grupos adicionam a ela diferentes ervas, dependendo de suas tradições e dos fins a que ela se destina. Geralmente incluem a Diploterys Cabrerana, a Psychotria Carthaginensis ou mais comumente, a Psychotria viridis, que se crê eficientes em reforçar e sustentar as visões provocadas."

Comentários do médico francês Jacques Mabit, estudioso da ayahuasca, fundador Takiwasi - Centro de Reabilitação de Toxicômanos e de Investigação de Medicinas Tradicionais, em Tarapoto - Peru :

"O vocabulário "alucinação", amplamente utilizado, possui um claro sentido depreciativo que prejudica a questão a debater. Parece-nos mais apropriado em tal debate falar de "visão" e de "ver" para designar as percepções mentais experimentadas em uma sessão de Ayahuasca, cobrindo assim não sómente a imaginação mental, principal, mas também as percepções atribuídas aos outros sentidos. Não se qualifica de alucinação uma visão que conduza a uma ação eficiente ou operatória permitindo ao sujeito dominar melhor o seu universo interior. O "ver" não é experimentado como uma compreensão de ordem intelectual, mas como um entendimento imediato, global e instantâneo que mobiliza todos os sentidos e funções. A visão se manifesta do mesmo modo que um insight.
O mundo visionário das plantas oferece ampliar o panorama mental do sujeirto ocidental e em lugar da uniformização triste, linear e monótona de sua excessiva mentalização racional, outorgar-lhe uma abordagem renovada da vida em todas a sua amplitude, descobrindo-lhe realidades múltiplas ou múltiplos olhares sobre a realidade, com maior integração de seu corpo e de seu coração, de sua materialidade e sua afetividade "

Comentários do Padrinho Alex Polari de Alverga, Diretor de Comunicação do CEFLURIS - Santo Daime, fundador da Comunidade Céu da Montanha em Mauá -RJ:

"Algumas teorias especulam que, na aurora dos tempos, as plantas divinatórias foram o fruto proibido que influiu decisivamente na passagem da semiconsciência biológica para a consciência humana, trazendo com ela a faca de dois gumes do livre-arbítrio. Ajustou-se assim o espírito à matéria e consumou-se a queda do espírito na carne.
Estamos no crepúsculo desse mesmo tempo e não é a toa que a relação entre mente, consciência e espírito, trazida a baila pelo uso de plantas de poder, esteja hoje tão presente em nossa civilização, confundida pela desinformação e pelo preconceito com uma das questões mais inquietantes dessa nova civilização : as drogas.
Pessoalmente acho positivo o fato das plantas de poder não serem uma unanimidade. Se assim fosse, talvez não houvesse plantas para todos, e a ciência se apropriaria desse conhecimento, do mesmo jeito que quer fazer hoje com a acupuntura e outras práticas naturais."

Fonte:http://www.xamanismo.com.br/Poder/SubPoder1189634475

SERIAM OS DEUSES ALCALÓIDES - O CONTEXTO RITUAL DA MIRAÇÃO - ALEX POLARI

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Alex Polari


SERIAM OS DEUSES ALCALÓIDES ?


Alex Polari

Texto apresentado na " International Transpersonal Associations Annual Conference
"The Technologies of the Sacred"
Manaus - Amazonas - Brazil*


I. INTRODUÇÃO

Queremos abordar aqui, através da pergunta título da nossa conferência, um pouco do papel das plantas psicoativas no processo evolucionário da consciência humana e do seu emprego desde a antigüidade como indutor dos estados expandidos ou alterados de consciência. Depois nos deteremos mais detalhadamente na questão da consciência xamânica e da descrição da "miração", estado particular de experiência mística e êxtase visionário que ocorre sob o efeito da bebida sacramental enteógena denominada SANTO DAIME (Ayahuasca, Yagé, Caapi, etc.) e que por suas peculiaridades, parecem ser comum apenas ao relato de experiências com os compostos triptamínicos. E, finalmente, considerar em que precisamente a proposta enteógena pode se constituir em um paradigma para uma nova consciência centrada no verdadeiro Self.

II. UMA BREVE TEOLOGIA DOS ENTEÓGENOS

Para buscarmos uma resposta para nossa pergunta devemos retroceder cerca de três milhões de anos quando o homem, destacando-se dos demais primatas superiores começava a sua lenta evolução rumo a consciência de si mesmo. Durante o transcorrer de todo este período, o cérebro triplicou o seu peso mas foi durante os últimos quinhentos mil anos que se formou o néo-córtex. Podemos supor a consciência desta época como sendo um imenso Id dominando um lento embrião do ego em formação. Antroposofícamente falando, as mônadas ou os princípios espirituais que estavam se encarnando nessa época na Terra, promovendo a vida e a evolução humana, ainda não estavam suficientemente ajustados aos corpos físicos desses primeiros seres humanos. Segundo Steiner, eles teriam uma consciência do plano espiritual e das auras dos seres e objetos do mundo material, mas não tinham uma percepção nítida e diferenciada dos mesmos. Isso só veio a acontecer quando houve o acoplamento definitivo entre os corpos físicos etérico do homem, quando do ambos passaram a coincidir. Nesse momento, a consciência humana teria deixado de ser uma "consciência de clarividência nebulosa" para ganhar mais nitidez na apreensão do mundo material.
Nos últimos cem mil anos o processo se acelerou de forma significativa. O Homo Sapiens tornara-se senhor do planeta e já devia contar com algo próximo de uma consciência de si mesmo como indivíduo singular da sua espécie e um sistema rudimentar de comunicação querendo se articular enquanto linguagem. Foi na última fase deste período, nos últimos trinta mil anos, que uma verdadeira revolução ocorreu no processo evolutivo. Por essa época, os nossos ancestrais caçadores e coletores já tinham uma forma de organização solidária que lhes garantiam a sobrevivência frente ao ataque dos predadores e os rigores do meio ambiente. Até hoje, pesquisadores e cientistas buscam uma boa resposta para essa aceleração evolucionária, que corresponde aos últimos preparativos para que a humanidade entrasse na cena da história. Alguns autores, entre eles Wasson e Mckenna, apresentam uma sólida argumentação, que eu também partilho nessa exposição, de que uma das causas principais da súbita irrupção da auto-consciência humana teria sido a simbiose do homem com o mundo vegetal e especificamente com os psicoativos. Essa é a perspectiva poética e visionária que sempre se apresenta quando "consultamos" a inteligência e a memória que a Mente Vegetal guarda desses eventos. Por meio dessa tese podemos entender também, o cenário onde as hordas mais adaptadas desses homídeos onívoros ampliavam de forma crescente sua dieta e seus conhecimentos sobre as plantas nutritivas, curativas e psicoativas, o que causou mudanças e respostas cada vez mais rápidas na sua estrutura neural, estados de consciência e comportamento.
Levi Strauss, comentando a obra de Wasson, analisa o mito da árvore do conhecimento e a história bíblica de Adão e Eva, comendo o fruto proibido, como a metáfora do contato do homem com o enteógeno primordial. Em outras palavras, esse seria o momento da mudança do estado indiferenciado de clarividência nebulosa para o de auto-consciência lúcida, o que trouxe como conseqüência a sua expulsão do Éden.
No entanto, foi no final da última glaciação, que ocorreu há uns doze mil anos, que as condições se tornaram propícias para a difusão da agricultura, domesticação de animais e pastoreio. A intimidade com o manejo dessa última atividade, trouxe um contato cada vez mais estreito com os fungos psilocíbicos associados ao esterco de gado. Floresceram a partir dessa época festas consagradas aos cogumelos sagrados, como parte dos cultos à fertilidade associados à Grande Deusa. Vestígios arqueológicos da arte desse período, principalmente a partir do oitavo milênio a.C., expressam de forma literal ou estilizada, o uso cerimonial dos fungos em povos e culturas bastantes distantes entre si. O que parece indicar a importância e a universalidade desses cultos na formação daquilo que M. Eliade define como as primeiras hierofanias vegetais, uma espécie de pré-religião, primeira separação que o homem fez de uma "esfera sagrada" em oposição a um "mundo profano". Certas plantas e árvores, ou a natureza de um modo geral, eram revestidas de atributos divinos ou mesmo divinizados. Hoje estamos em condição de afirmar que esta postura não tinha nada de ingênua ou simplória, correspondendo sim à ação da psilocibina e outros agentes enteógenos e as conseqüências das visões dela decorrentes nos mitos, símbolos e arquétipos que se apresentavam à consciência da época. Essas hierofanias vegetais foram portanto, cronologicamente, as mais antigas que se tem notícias. O que atesta que, por esse tempo, no limiar da história conhecida, já havia uma familiaridade com o tema do sagrado/vegetal, do Deus/Vegetal, que remonta a tempos ainda mais longínquos. Sem dúvida, este foi um dos principais substratos que mais tarde vieram a formar os diversos Cultos dos Mistérios da antiguidade e às grande religiões do mundo.
Talvez o caso mais conhecido e também o mais eloqüente seja o do Soma, que segundo os hinos do Rig-Veda era prensado e mesclado a leite para ser consumido em rituais e cerimônias dedicados ao Deus Indra. O Soma estava entronizado numa posição de destaque no Panteão Védico. É mesmo Haoma citado no Zed-Advesta, escrituras persas atribuídas a Zoroastro. O que nos permite estabelecer sua raiz ária e considerar que possa ter sido difundido pelas diversas ondas migratórias dos povos arianos que foram penetrando o Vale do Indo entre o segundo e o primeiro milênio a.C. É igualmente possível que com o passar do tempo, por dificuldades de suprimento ou de adaptação do Soma nas novas terras conquistadas, tenha havido uma planta substituta, já conhecida pelos povos drávidas que habitavam a região e cuja cultura se mesclou com a dos conquistadores. Já a Ioga e a Filosofia Sankhya seriam adições posteriores. Suas posturas corporais, métodos respiratórios e refinamento psicológico, enfatizavam a sadhana, as austeridades e a meditação como o novo método para alcançar o êxtase, o samadi, estado de consciência onde o Eu Átmico se funde no oceano de Braman. Experiência que certamente os antigos riskhis (sábios videntes que receberam a revelação dos Vedas) tiveram, embriagados pelo Soma.
Essas influência das plantas enteógenas na experiência dos estados místicos associados a cultos agrários e de fertilidade, podem ser encontrados desde a Ásia, passando pela Europa, até o extremo do continente sul-americano. O que nos permite supor que elas foram, desde uma antigüidade ainda mais remota, o agente acelerador e o detonador desse autêntico "Big Bang" da consciência que ocorreu nos últimos trinta mil anos. Existe um certo consenso de que as triptaminas tenham sido esse enteógeno primordial, não só pela reconstrução e suposição histórica, como também e principalmente por causa da excelência e peculiaridade do êxtase ou "miração" triptamínica, cujas visões são inigualáveis em florescência, intensidade, conteúdo e principalmente na capacidade do Eu interagir no interior dos eventos que fazem parte desse estado de consciência cósmica.
A consagração dos insights das visões como sendo de origem divina, explica a reverência com que essas plantas eram tratadas. O ego recém conquistado já podia transcender a si mesmo e travar contato com o Tu e com o Outro. Do respeito que nasceu do homem, com a fonte ao mesmo tempo vegetal e espiritual que lhe enviava aquela graça, aquela compreensão dele mesmo e do universo, nasceu a idéia de religiosidade, de se religar com a sua origem e pátria cósmica. Num certo sentido, religião é aquela ânsia de se relacionar corretamente com o Outro transcendente. Essa foi a aurora da consciência de si mesmo. No momento em que a consciência humana transcendeu a si mesmo e pode vislumbrar a consciência cósmica, o relâmpago precipitou-se no abismo e a Coroa do homem iluminou-se! Por isso os alcalóides, principalmente os triptamínicos, são fortes candidatos a serem protodeuses. Sob seus auspícios, foi feita a primeira grande conexão entre o mundo da jovem consciência humana recém desperta e o mundo divino e eterno, entre o sagrado e o profano. O primeiro ancestral ou herói mítico, de Gilgamesh até Viracocha, presentes em tantas cosmogonias de culturas tão distantes entre si, são os ecos e as sombras dos tempos dos titãs. Onde esses semi-Deuses, metade homem e metade Deus, foram iniciados por instrutores de uma ordem de consciência superior - vale dizer portanto divinos - a fim de trazerem a luz, o fogo de Prometeu para repartir com os seus irmãos.
Como a maior evidência arqueológica das contribuições realizadas, quando na passagem dos "Deuses Alcalóides" pelos labirintos da consciência humana, está a presença da serotonina, neuro-transmissor cerebral encarregado de estimular os receptores dos neurônios e que tem praticamente a mesma estrutura molecular da DMT (dimetil-triptamina) alcalóide presente nas várias plantas enteógenas usadas pelos homens desde a antigüidade.
Mais maravilhoso ainda é essa oportunidade que a Mente Vegetal ofereceu à Mente Humana e continua oferecendo ainda hoje na forma da mesma revelação que foi enviada aos nossos longínquos antepassados. Isso porque, "revelação" é uma verdade sempre idêntica em si mesma, apesar de poder ser expressa por símbolos diversos dentro da psique humana. Ela é a mesma visão dos místicos e iniciados de todas as idades, o que varia é apenas a convicção e o juízo de valor que tiveram sob o que experimentaram. Isso fica claro, quando constatamos as semelhanças e pontos comuns dos relatos das experiências de êxtase nas mais diversas tradições. Se no passado foram considerados bem-aventurados "aqueles que não viram e creram", maior prazer teremos nós quando pudermos enxergar tudo aquilo que a nossa fé sempre acreditou !

IV - CONSCIÊNCIA XAMÂNICA E "MIRAÇÃO"

Pode-se dizer que o xamanismo é o sistema de conhecimento espiritual mais arcaico que se conhece. E que, desde o começo, sua prática sempre esteve associada ao uso de enteógenos. Além de participar na maior parte de todas essas sensações, próprias dos demais estados expandidos de consciência, a consciência xamânica ou o estado de consciência xamânico também tem suas peculiaridades. A sua própria e já clássica definição como sendo "a arte do êxtase", já pressupõe que o xamã detém um conhecimento específico de operar no êxtase e esta é a sua maior arte. Através dela, ele se aproxima de forma consciente até o máximo limiar possível da aniquilação. É este o vôo do xamã: atingir a realidade além da nossa percepção usual, mantendo sempre aberta as portas de acesso ao mundo espiritual. Porém o mais importante que queremos destacar dentro do xamanismo é a vivência, a mobilidade de atuação do Eu dentro do transe. O Eu se torna o veículo divino, a carruagem dos cabalistas (Merkabath) que alça vôo em busca dos palácios celestes. Mas ele não se limita em contemplar seus átrios e fachadas reluzentes. Ele caminha por seus labirintos, túneis secretos, ele procura conhecer o que se passa em cada um de seus aposentos e câmaras. Esse é o roteiro da "miração", um estado de consciência místico-xamânico, obtido com a ingestão ritual do Santo Daime, que gostaríamos de nos deter mais minuciosamente.
A "miração" é um termo que foi cunhado na tradição do Santo Daime pelo Mestre Irineu para designar o estado visionário que a bebida produz. O verbo "mirar" corresponde a olhar, contemplar. Dele deriva-se o substantivo "mirante", que é um local alto e isolado onde se pode descortinar uma vasta paisagem. A palavra "miração" une contemplação mais ação (mira+ação), o que expressa de maneira clara que o termo foi cunhado por pessoas que eram plenamente conscientes da viagem do Eu no interior da experiência visionária, característica do êxtase xamânico. E que é simbolizado pela viagem da águia voando em direção ao sol. Sem dúvida existe uma grande diferença entre uma iniciação quietista - que prepara o neófito através do silêncio e da meditação - e a iniciação xamãnica que o convida para ser protagonista totalmente responsável pelo seu desdobramento astral e vôo espiritual. Nele, somos convidados a participar de um filme em que as cenas que se desenrolam na tela, dependem, em última instância, do que está ocorrendo no interior da nossa consciência. Em outras palavras: só conseguiremos salvar a donzela do "filme astral" das garras do vilão, se a nossa disposição para tanto for tão verdadeira como a nossa capacidade de realizá-la. Temos que estar concentrados no nosso objetivo, mobilizando desde o nosso interior a coragem e a sabedoria necessária para atravessar as diversas provas do percurso iniciático. Caso contrário, a "narrativa visionária" sai do nosso controle podendo acontecer um desfecho negativo e uma interrupção do vôo do Eu rumo ao êxtase. Estamos querendo dizer que dentro da miração o estado de ação e contemplação são como as faces complementares de uma mesma moeda. A mente, antes de dar partida ao fluxo de imagem da miração, experimenta várias outras fases de preparação. Tem que distinguir a genuína experiência visionária da imaginação pura e simples, dos jogos mentais de projeção e visualização. As imagens visionárias, os eventos visionários que envolvem o nosso Eu dentro da "miração" são de ordem psico-noética, isso é, ocorrências numa ordem de realidade contígua ao mundo espiritual. O que nos permite afirmar que a "miração" ativa os nossos corpos sutis e os libera par agir dentro do cenário feérico e numinoso da realidade xamãnica.
Esse nível de consciência atingido pela "miração" vem quase sempre acompanhado de uma voz interior que guia, acompanha ou dirige o processo. Esta é, ao meu ver, a faceta mais incomum e maravilhosa da "miração" do Daime. Durante o seu transcurso nossa consciência participa dos fenômenos psíquicos, noéticos e espirituais, através dos nossos corpos sutis. Através deles, o nosso Eu comparece nos momentos decisivos e brevíssimos onde se decide sobre o nosso destino em meio às vagas probabilidades do mar de indeterminações quânticas. Dessa forma, imprimimos movimento ao que é imutável e eterno, manifestamos vida e fecundamos a matéria por seu intermédio. Ajudamos a tecer a trama do próprio destino, a complexa textura dos eventos geradores da realidade e da vida. Isso significa que, no êxtase da "miração", estamos travando um diálogo com Deus, estamos trabalhando com Ele, estamos sendo convocados para essa grande responsabilidade de sermos co-criadores do universo. E sem dúvida, só um destino com tal nobreza justifica o plano da criação divina, as provas da evolução, o porquê da queda luciférica, a entrada em cena do mal e a nossa tarefa de convertê-lo e reunificá-lo com a verdade até o final dos tempos. Receber essa missão é o cerne da Revelação em todos os tempos. Enquanto que o cerne da iniciação é adquirir a força de vontade suficiente para executar tudo o que foi revelado na miração. Anteriormente nos referimos que a falta de mérito e de coragem durante o vôo xamãnico poderia desestabilizar a "miração", ou o que é pior, fazer com que o fio narrativo da experiência visionária tenda para um desfecho desfavorável. Nesses reinos espirituais de deslumbrante beleza, parece que impera uma terrível justiça. O homem não está programado para ser perfeito. Ele tem que biológica, psicológica, social, moral e espiritualmente falando, escolher ser perfeito. Isso se faz através da faca de dois gumes do seu livre arbítrio. Graças a ele, o homem por um lado supera em estatura os deuses, devas e querubins, enquanto que por outro, se torna presa fácil da ambivalência de sua frágil inconsistência humana. O Budismo Tibetano se refere a esta eclosão súbita da ruptura do ego frente ao sublime, como sendo o momento em que, dentro da meditação, o meditador, sob a inspiração da Dakini (aspecto feminino do Buda), enfrenta as entidades terrificantes que se postam diante do Nirvana. Quando o ego consegue se apossar do Eu, a consciência já expandida se retrai novamente. Nesses momentos, as visões podem se tornar negativas, até mesmo terrificantes e isso está associado aos efeitos purgativos e miméticos da bebida enteógena indutora da "miração". Reconhecido porém o impostor, é a hora da consciência, à semelhança da esfinge, lançar o seu desafio: Decifra-me ou te devoro! Somos cobrados a apresentar um desempenho compatível com a nossa presunção de alcançar a imortalidade. Se nessa hora não tivermos verdade para apresentar, o monstro elemental por nós mesmo criado, nos come. O Poder nos cobra sempre a nossa transformação para podermos continuar no caminho. Pois sem a verdade no ser, o caminho se torna perigoso para o impostor.
É o que Sebastião Mota, um dos principais "padrinhos" do Daime chama da necessidade de "ser em vez de parecer". Ser verdadeiro é pois a ciência para entramos totalmente seguros nos estados elevados de consciência e deles conseguirmos sair, trazendo no retorno novas aquisições para continuarmos a Busca. Nos níveis sutis, a verdade atrai a verdade. O ser manifestado enquanto verdade é a matéria prima da criação. Quanto mais estamos na verdade, mais se apresenta a nós na miração aquilo que precisamos ser. E Deus nos usa como peças do seu quebra-cabeças divino, nos inspira amor e nos torna cúmplices da sua obra. A verdade do ser é exata, nela nada falta nem sobra. Não há lugar para condicionamentos mentais, hábitos viciosos disfarçados de caráter, máscaras ou papéis sociais. Se o nosso coração nos acusa, é porque não temos verdade. E sempre que esta falta de verdade interromper a nossa "miração", desestabilizando-a, devemos aproveitar o seu momento sagrado para pedir ao Poder que nos conceda a chance de nossa transformação. O sofrimento e o desconforto, que às vezes essa disciplina nos acarreta, depois sempre é sentida como benéfica. Eis a autêntica terapia xamânica, uma terapia de conversão à verdade, onde nos afastamos das ilusões e das samsaras nos tornando cada vez mais conscientes do nobre script que Deus nos reservou.
Tentamos aqui, violando o item da inefabilidade da experiência mística, expressar de alguma maneira com as palavras, essa sensação extraordinária que é trabalharmos projetados em nossos corpos sutis nas oficinas seráficas da criação divina. Isso ocorre, como já vimos, mediante à atuação do Eu Superior no interior das imagens visionárias, como se a "miração" fosse um jogo interativo de "realidade virtual espiritual". Para que esse processo traga benefícios que possam ser incorporados ao ser, exige-se deste uma postura passiva-receptiva e um padrão mental positivo e elevado. Dessa forma é que a barquinha da consciência pode navegar nas ondas do mar sagrado, que é a Mente, e se manter com as velas enfunadas em meio ao mau tempo e aos maus pensamentos.
Para finalizar esse ponto, gostaríamos de nos referir sucintamente a duas questões conexas à nossa abordagem de estado de consciência xamânico da "miração". Trata-se do carma e da mediunidade, aspectos ligados ao tema da cura xamânica. Num certo sentido, a cura espiritual já é a própria imersão do Eu nesses estados elevados de consciência, fazendo com que ele amplie a sua visão interna sobre as causas dos desequilíbrios que geram as doenças. Nessas vivências visionárias do Eu no interior da "miração" também ocorre dele se lembrar de fatos relativos às suas vidas passadas, facilitando a compreensão de padrões cármicos que precisam ser interrompidos nessa encarnação.
Já o fenômeno da mediunidade, não se resume apenas ao transe e à incorporação. Num outro sentido, ele trata também da miríades de pequenos "eus" que orbitam em torno do nosso Eu central. E que à primeira distração nossa, entram por dentro da casa e assumem o lugar do dono. Em alguns estágios da "miração" podemos perceber esses "eus" como seres. Podemos perceber que cada pensamento que flui na nossa mente é um ser e com isso, aprendemos a melhor ajustar o nosso dial mediúnico para captar apenas a freqüência dos seres que nos interessam. Mas nem sempre podemos escolher o que chega à nossa mente. Portanto esse canal mediúnico também nos ajuda a auto-doutrinar os maus pensamentos e afastar as más influências psíquicas e espirituais que podem se tornar nossos futuros obsessores.
Tentamos expressar um pouco o nosso entendimento da "miração" compreendido como um estado de percepção mística que guarda várias semelhanças com aquilo que denominamos consciência cósmica. Escolhemos um aspecto da "miração", a saber o da relação interativa do Eu com as visões, característica da tradição xamânica. Isso porque, a "miração" é ao mesmo tempo uma realidade visionária em movimento e um estado de contemplação extático. À maneira do samadi, comporta vários estágios, graus e possibilidades de realização. Apresenta planos e panoramas imensos e às vezes passa tempo trabalhando apenas alguns fotogramas. Sua meta suprema é a realização do Eu superior do homem. Apesar da ajuda inestimável das plantas sagradas para a sua consecução, o trabalho espiritual da "miração" nunca termina. Continua no dia-a-dia através do esforço de se manter coerente com os seus ensinos.
Algumas vezes, através da "miração", temos uma percepção clara da realidade espiritual da vida além do corpo. Penetramos assim no mistério que a nossa ignorância chama de morte, mas que não passa de uma transição para um outro estado de consciência. Voltar dessa experiência da "morte" com conhecimento do que isso seja, significa ter renascido e recebido o mais alto grau de iniciação, independente do credo que cada um professe.
Por isso consagramos o ser divino presente nessas plantas amigas e professoras do homem e a "miração" que ela nos fornece. Mesmo que o seu uso responsável seja sempre benéfico, é porém dentro de um contexto ritual e religioso, que sentimos uma maior segurança para a utilização profilática e terapêutica dos enteógenos.

V. O CONTEXTO RITUAL DA MIRAÇÃO

No movimento religioso do Santo Daime existem diversas modalidades de ritual: concentração, cura, feitio da bebida, estudo e desenvolvimento mediúnico e as festas dos hinários, que é a forma que nos deteremos mais aqui.
No hinário, dentro de um amplo salão na forma de uma estrela de seis pontas, se perfilam os batalhões masculino e feminino, e dos rapazes e das moças, cada um com seu setor de base. Os neófitos, idosos, senhoras e crianças, ficam sentados mais ao fundo. O sacramento enteógeno é distribuído, todos entram em fila e começa o bailado ao som dos hinos, que são cantos que os mestres e outros membros mais avançados da irmandade recebem por ocasião da miração, sendo desta forma considerados ensinos divinos, mensagens do poder do Daime para todos e não apenas para quem o recebeu. Todos cantam e bailam dentro de um retângulo de aproximadamente 80 cm. de comprimento. Cada um porta um maracá para acompanhar o ritmo do bailado. A perfeição do trabalho está na harmonia da música, no ritmo e no canto. A jornada começa no entardecer da data marcada e vai até o nascer do dia da manhã seguinte. Todo este dispositivo, predispõe seus participantes a terem uma atitude receptiva e segura em relação aos efeitos da bebida sacramental. Isto ocorre poucos minutos após sua ingestão. A consciência passa a perceber pessoas e objetos como portadoras de uma aura de leve irridescência. Logo depois sentimos uma pressão, o pulsar da energia dentro e fora do corpo, propagando-se em ondas concêntricas como uma pedra lançada na superfície de um lago. É a chegada daquilo que chamamos "Força", a propriedade ativa do cipó, componente masculino da bebida cerimonial. O bailado e o ritmo dos maracás condensam cada vez mais energia, se constituindo também em indutores auxiliares do transe xamânico. É nesse ponto que a luz costuma chegar. A luz, o princípio feminino da folha, quando se casa com a força, o princípio masculino do cipó, gera a miração. Espoucam luzes, ouvimos zumbidos eletrônicos e o barulho de matracas. Suavemente ela se instala e nos transporta para o reino das visões. Progressivamente o nível de consciência se eleva para patamares mais elevados, tanto individual como grupalmente. Esse reservatório comum de energia psíquica e espiritual, denominamos de "corrente", que é quem sustenta o vôo individual de cada um na miração e a beleza do conjunto. Quando isso ocorre, nosso campo visual se altera, aparecem luzes, imagens, sensações, lembranças, insights e visões. A intensidade do momento interior da viagem de cada um se expressa na força da corrente. Qualquer piscar de olhos altera o fluxo das imagens. É como se em nossa mente, um diafragma regulasse a entrada da luz e um zoom nos aproximasse dos ângulos mais desconhecidos do universo.
Dependendo do desenrolar do ritual, a corrente facilita ou dificulta a miração, sendo possível em determinados momentos, uma vivência coletiva da mesma visão, o que se constitui o ponto culminante do trabalho. Durante esse longo percurso, o eu se desdobra no astral, evoca e soluciona alguma situação cármica pendente, canaliza a energia para realizar uma cura nele mesmo ou em outro, obtém insights reveladores e libertadores para seus conflitos e é tomado por toda sorte de inefáveis estados de percepção mística, compreensão do universo, amor pelos seus irmãos, premonições e sincronicidades. Ao final de todos esses estágios, encontra-se sempre aberto à possibilidade do êxtase total e beatífico. Tudo isso, é bom que se diga, se processa em íntima conexão com a música, o canto, a dança e o ritmo dos maracás. A barquinha singra as ondas do mar sagrado da mente embalada pelo hinos que guiam a nossa travessia. Durante esta, os hinos tem o poder de responder a todas as questões que a nossa consciência coloca no exato momento em que elas são formuladas.

Fonte:http://www.xamanismo.com.br/Poder/SubPoder1189634475It016

sexta-feira, 1 de abril de 2016

A VERDADEIRA INTELIGÊNCIA - ALÉM DO INTELECTO

A Verdadeira Inteligência – Além do Intelecto